Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O ano da ressurreio

11 de Março, 2016
Num escrito anterior a este, tomei a liberdade, se não a ousadia, de apontar o 1º de Agosto como um dos meus candidatos à conquista da presente edição do campeonato nacional da primeira divisão. Fi-lo sem demérito às outras formações, que trataram igualmente de investir forte, de modo a que o seu potencial competitivo seja compatível a ambição alimentada.

De facto, a turma militar tem vindo a conhecer um ascendente competitivo fora do vulgar, e mostrou isso mesmo na segunda volta do campeonato passado em que foi, em obediência à verdade, um grande papão, que levou quase todos rendidos aos seus pés, e à magia do seu futebol. Que o diga o Recreativo do Libolo, encostado à parede e quase levado ao colapso.

Pois então é este 1º de Agosto que entrou para o presente campeonato com a lição melhor estudada, ou se não, com maior capacidade de reacção sobre a investida adversária. Vejamos que se no campeonato passado entrou à deriva, averbando derrotas nas primeiras trêss jornadas, na presente edição inverteu o quadro. Começou vitorioso e vai de vento em popa.

Portanto, se o objectivo definido seja corrigir o tiro da edição passada, em que chegou à última jornada "ex-aequo" com o Recreativo do Libolo, que abocanhou o título, então está o recado dado que os outros candidatos terão de trabalhar bastante para poderem fazer face à avassaladora hegemonia que denota a turma com sede no Rio-Seco, neste princípio de campeonato.

Faço este exercício de forma desapaixonada, sem qualquer sentimento clubístico. Quem me conhece minimamente saberá de que equipa sou adepto assumido e comprometido. De resto, com uma infância dividida entre o Santo Rosa e o Bairro Operário, logo se pode adivinhar que emblema desportivo defendo. Progresso do Sambizanga, pois claro.

Portanto, toda a incursão que faço tem apenas a ver com a minha visão realística das coisas. A mesma que me permite resumir a luta pelo título a duas equipas, sendo a outra o Recreativo do Libolo, que tem a obrigação de defender a coroa. As razões da exclusão, por minha conta e risco, de outras equipas que se assumem candidatas tem a sua explicação. Só para exemplificar, o Kabuscorp com a saída de Meyong tem um ataque mutilado. Excuso falar dos outros.

Isto deixa brecha para as equipas melhor preparadas, e o 1º de Agosto ao que nos tem vindo a mostrar não revela quebra em nenhum dos sectores, jogando com uma excelência invejável na defesa, no meio campo e no ataque. Conjugados estes factores não tem como não desferir um pontapé à crise de títulos.

E mais: convirá não perder de vista que os jejuns mais longos da turma militar estão resumidos em dez anos. Sendo assim, 2016 é o ano daquilo que certo aforismo considera do "vai ou racha". Estou lembrado que depois do brilharete que levou à conquista das primeiras três edições, alcançado o título de 1981 só mais em 1991 com Dushan Condic voltou a soltar o grito de vitória.

Se a história não for contada de outra forma, depois do troféu de 2006, por sinal o último, com Jan Brower no comando técnico, atrevo-me a concluir que 2016 é o ano da ressurreição do glorioso, faça chuva ou sol, faça vento ou neve. Este compromisso, entretanto, envolve toda direcção, equipa técnica e atletas. Todos devem estar consciencializados deste desafio hercúleo, porque o ano é este...
MATIAS ADRIANO

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