Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Augusto Fernandes

O bloqueio do "sexto jogador"

30 de Novembro, 2017
Logo a seguir ao fracasso que foi a participação do cinco nacional no Afrobasket 2017, co-organizado pelo Senegal e a Tunísia, a Selecção Nacional de Basquetebol voltou a jogar oficialmente diante de seu público, dez anos depois.
A última vez que o cinco nacional jogou diante de seu público para uma competição oficial, foi na final Afrobasket´ 2007, quando era treinador Alberto de Carvalho (Ginguba) e contava com jogadores como Vítor de Carvalho, Kikas, Miguel Lutonda, Carlos Almeida, Armando Costa e outros (já retirados da selecção).
O facto de Angola perder os dois últimos campeonatos Africanos, em 2015 e agora em 2017, não impediu que o sexto jogador, ou seja o público Angolano fizesse a sua parte no recém terminado torneio de apuramento ao Mundial da China, em 2019.
De 24 a 26 de Novembro, o público de Luanda em representação de todo de povo Angolano voltou a mostrar o amor que tem pela modalidade mais benquista do país ( sem desprimor para o andebol é claro), ao bloquear por assim dizer os adversários de Angola, ao apoiar de forma monumental o cinco nacional.
A forma incondicional como o público apoiou a Selecção Nacional foi considerada especialmente pelo treinador do Egipto, como o motivo principal das sua equipa não ganhar o jogo diante de Angola, ao dizer: “ o público angolano foi o grande culpado da nossa derrota”.
Sim, a avalanche de apoio do nosso público, especialmente diante do Egipto, foi tão ensurdecedora que desconcentrava os adversários como bloqueou-os completamente, permitiu que o cinco nacional fizesse o seu jogo como estivesse a jogar com seis jogadores.
É importante frisar o facto das três equipas que foram adversárias de Angola, nomeadamente, Marrocos, Egipto e República Democrática do Congo, evoluiram muito nos últimos anos, com destaque para os compatriotas de Kabila, e por isso, deram grande réplica aos nossos jogadores.
Outro pormenor interessante neste torneio foi o facto de Angola conseguir o substituto de Manuel Silva (Gy), praticamente a uma semana do certame, o que constituiu um grande \"handicap\" para os nossos jogadores que entraram para a competição desentrosados.
Além disso, a selecção está numa fase de renovação clara, onde se notou uma simbiose entre a velha geração com jogadores como Eduardo Mingas, Carlos Morais, Reggie Moore, Olímpio Cipriano e outros, e a nova, composta por jogadores, como Yanik Moreira, Alexandre Jungo, Gerson Gonçalves, Leandro Conceição e companhia.
Portanto, estes pormenores contaram como um dos grandes obstáculos que o novo seleccionador nacional William Voigt, de nacionalidade Norte Americana teve de contornar, para montar a equipa capaz de ultrapassar os seus adversários.
É por aí, onde entra a importância da atitude que o público teve ao apoiar estrondosamente a equipa nacional, nos três jogos que disputou. Em todos os jogos o público angolano agiu, como um claro sexto jogador, apupou os adversários nos seus melhores momentos.
Por isso, podemos dizer sem receios que a forma como o público apoiou a selecção de todos nós foi decisiva, para as vitórias da nossa equipa. Outro ponto que deve ser realçado é o facto da Arena do Kilamba se transformar no novo “caldeirão” do nosso basquetebol, onde ninguém passa, em substituição do Pavilhão da Cidadela
Resumindo, devo dizer que foi muito interessante a atitude do público angolano, ao longo dos três dias do torneio, e por isso, merece nota dez!

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