Jornal dos Desportos

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Opinio

O bom "recado" de Dusan Kondic

12 de Julho, 2016
Aqui ao lado o Leonel Libório defende que a presença do técnico angolano Samy Matias à frente da selecção de sub-20 deve durar, quer no consulado de Pedro Neto quer no do que for eleito nas próximas eleições e clama a que ao treinador não falte o salário.

Deixem-me dizer que um treinador estrangeiro que serviu o futebol angolano, sem ser paradoxo o que ele disse, recomendou em 2005 uma forte aposta em técnicos angolanos. Falo de Dusan Kondic quando intervinha no Primeiro Encontro Nacional de Futebol.

Foi dele, de forma lapidar, esta dica: "o seleccionador nacional não prepara os jogadores, apenas usa, quem prepara somos nós; se tivermos bons jogadores nas equipas, teremos uma boa selecção".

Puxei o fio à meada, à esta recordação, porque a questão de aposta em treinadores nacionais é pagá-los bem, para produzirem resultados positivos, e isso, tem muito que se diga, porque é uma polémica que vem de longe.

Por esta razão, tenho a curiosidade de saber se a Federação Angolana de Futebol tem condições, sobretudo financeiras, para estimular o treinador a dar o" litro". Falta de capacidade para pagar pontualmente aos técnicos nacionais é ou não uma "pedra no sapato" dos gestores da da instituição?

Não nos esqueçamos que recentemente o então técnico dos Palancas Negras, Romeu Filemon, sobrou meses a fio sem receber salários.

Trabalhou duro até ele próprio tornar o assunto público quando viu que a direcção da Federação Angolana de Futebol, liderada por Pedro Neto, não se pronunciava sobre o assunto. Xenofobia à parte não costuma ser assim para os treinadores estrangeiros.

Não é mentira e a prova é que quando há anos, com os seus 53 anos, foi indicado para seleccionador dos Palancas Negras o uruguaio Gustavo Ferrín ficamos logo a saber que este auferiria um salário mensal de 30 mil dólares. A sua missão era a de reformular o futebol nacional. Conseguiu?

Pedro Neto, líder federativo, na altura estava acompanhado dos então vice-presidentes, José Luís Prata e João Lusivikueno. E se dúvida houver ainda aí estão de corpo e alma para provar.

Ao Gustavo Ferrín deram oito anos, mas na verdade não chegou a meio sequer. E tanto é assim que após o seu afastamento, o carismático dirigente e presidente do Kabuscorp do Palanca, Bento Kangamba, aplaudiu a decisão da Federação Angolana de Futebol (FAF) por ter rescindido o contrato. O treinador não dava nada!

Vou continuar por isso a dizer que a aposta em treinadores nacionais para trabalhar à frente das selecções de escalões inferiores, sobretudo para a de Sub-20, só acontece quando a Federação Angolana de Futebol não tem recursos para pagar técnicos estrangeiros. E mesmo quando procede assim estes não fazem melhor que os angolanos.

Além do aludido Gustavo Ferrín, Angola teve preferência no técnico francês Hervê Renard no sentido de, além dos Palancas Negras, coordenar igualmente a selecção de Sub-20. Não tinhamos treinadores angolanos capacitados como este Samy Matias?

A Federação Angolana de Futebol prometeu pagar bem àquele treinador, no entanto acabou por rescindir unilateralmente o contrato, porque, sendo competente, abusivamente não lhe era pago a pronto o salário acordado.

A verdade é que três meses depois foi-se embora. E depois o Banco Nacional de Angola depositou os salários dele edos outros colegas, também estrangeiros.
Quando foi a vez do angolano Lito Vidigal ser contratado e depois afastado, a Federação Angolana de Futebol teve dificuldades, de por si mesma, pagar ao treinador. Porquê?
A solução foi o recurso ao Ministério da Juventude e Desportos, pois a Federação Angolana de Futebol devia cerca de 120 mil dólares. Correspondiam a oito meses de salários, pois, Lito Vidigal recebia 15 mil por mês. E a Ferrín garantiram 30 mil. Mas porquê?

Agora Samy Matias é o seleccionador nacional de sub-20. Firmou um contrato para durar? Será financeiramente estimulante aos bons resultados?
Pelo menos, competência não lhe falta. Está aí a chegar do Cairo (Egipto) onde domingo a selecção de sub-20 perdeu por 1-0, dentro de dias em Luanda estará no banco para fazer-nos sorrir, com uma vitória à fase final.

António Félix

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