Jornal dos Desportos

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Opinio

O campeo do cacimbo

02 de Junho, 2018
Independente de vencer ou não o último jogo a disputar da série de quatro que tinha em atraso e para o acerto do passo do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, o 1º de Agosto já é o campeão de cacimbo da prova. O facto consumou-se graças ao magro triunfo de 1-0 quarta-feira última, no Estádio Municipal de Menongue, no Cuando Cubango, sobre o FC local. Embora magra, a vitória diante da formação das “Terras do Progresso” permitiu aos militares do “rio seco” assumir a liderança isolada do também apelidado Girabola Zap e relegar, assim, o seu “arqui-rival” Petro de Luanda, ao segundo posto. Os agostinos assumem o comando da competição com 30 pontos, portanto mais três que os tricolores do “eixo-viário”, no segundo posto como já se referiu, e quatro que o Interclube, que esteve na vanguarda durante um bom período. Amanhã quando defrontar o Sporting de Cabinda para o acerto da sexta jornada e consequentemente das contas finais do primeiro turno da presente edição do Girabola Zap, o d’Agosto pode aumentar a vantagem sobre os seus mais directos concorrentes. O estatuto de campeão de cacimbo da turma militar pode consolidar-se com os três resultados possíveis: vitória, empate ou até mesmo derrota. Por isso mesmo, nesta deslocação ao reduto da formação leonina de Cabinda, o “velhinho” Estádio do Tafe, os comandados do sérvio Zoran Maki jogam galvanizados e sem qualquer pressão sobre si. Isto pode elevar a confiança no seio do grupo. É ponto assente que Zoran Maki e pupilos vão procurar, mesmo actuando na condição de forasteiros, fazer da excelência uma divisa e fechar a primeira volta do Girabola Zap com “chave de ouro”, isto com a eventual vitória sobre os “dragões do norte”. O 1º de Agosto reassumiria, deste modo, o estatuto de sério candidato ao título e da conquista do “tri” campeonato. Além dos militares que já tiveram o privilégio de arrebatar três troféus consecutivos da maior prova do futebol nacional em 1979, 1981 e 1982, o Petro de Luanda e o Atlético Sport Aviação (ASA) são as outras duas equipas que alcançaram esse desiderato.
Os petrolíferos foram campeões nacionais sucessivamente em 1993, 1994 e 1995, ao passo que os aviadores em 2002, 2003 e 2004, respectivamente. A turma do “eixo-viário” tem ainda no historial da sua galeria cinco troféus seguidos, arrebatados em 1986, 1987, 1988, 1989 e 1990. É um feito de se lhe tirar o chapéu. Contudo, com o fecho do primeiro turno da prova ainda há muito por percorrer e daí os militares terão de contar com a forte concorrência dos demais candidatos. O Petro de Luanda e Interclube são, assumidamente, dois dos seus fortes opositores nessa tarefa. Pelo meio há outras equipas com pretensões de lutar para chegar ao tão almejado troféu da época. Uma dessas é o Kabuscorp do Palanca, cujo seu presidente e proprietário do clube, Bento Kangamba, já assumiu de viva voz essa intenção. Com muitos jogos ainda por se disputar na segunda volta é natural que outros conjuntos possam também relançar as suas candidaturas, caso particular do Recreativo do Libolo do Cuanza Sul, que carrega sobre os ombros quatro títulos de campeão nacional. Nesse momento quer a turma palanquina, quer a recreatista da vila de Calulo, do Cuanza Sul, vêm alternando o “bom” com o “mau”, ocupando os modestos sexto e décimo lugares, respectivamente, no fecho da primeira volta, com 19 e 16 pontos.
O Kabuscorp do Palanca viu-se, ainda, penalizado pelo órgão reitor do futebol mundial devido a um diferendo com a antigo craque brasileiro e campeão do mundo, Rivaldo, que promete levar até ao extremo o caso de uma dívida do clube para consigo.
Ao que se propala pelos quatro ventos o clube deve ao ex-jogador, que chegou a envergar a camisola palanquina há alguns, um montante de 750 mil dólares, e por isso a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) retirou-lhe seis pontos. Noutra vertente da disputa do primeiro turno do presente Girabola Zap, a Académica do Lobito e o Clube Desportivo da Huíla (CDH) fecharam as contas desta fase como duas surpresas agradáveis, sobretudo pela réplica dada aos seus adversários. Lobitangas e militares da frente-sul ocupam, nesse momento, o quarto e quinto postos com os mesmos 20 pontos. Por esse andar da carruagem deixam um “sério aviso” para os concorrentes desta segunda volta da competição. O Progresso do Sambizanga, o Sporting de Cabinda, o FC Bravos do Maquis, à par do já referenciado Recreativo do Libolo, somam todos 16 pontos, na sétima, oitava, nona e décima posições da tabela de classificação geral. Desse modo, quer os sambilas, como os leoninos, maquisardes e até mesmo o Libolo têm condições para fazer uma prova sem sobressaltos, desde que mantenham solidez nas suas performances, procurando buscar o maior número possível de pontos. O Sagrada Esperança da Lunda-Norte, ao contrário da boa prestação que teve à época passada, na presente edição do Campeonato da I Divisão tem alternado o “bom” com o “mau”. Por isso, não surpreende o modesto décimo-primeiro lugar que os diamantíferos ocupam na tabela de classificação geral, com quinze pontos. Mais abaixo e praticamente sobre a linha-de-água estão o 1º de Maio de Benguela, Cuando Cubango FC, Clube Recreativo da Caála do Huambo e o Domant de Bula Atumba do Bengo, designadamente. Os proletários somam nesse momento 14 pontos, no décimo-segundo posto, tantos quanto tem a turma das “Terras do Progresso”, no degrau mais abaixo. Os recreatistas da Caála têm doze pontos na décima-quarta posição, ao passo que os “domantistas” das terras do “Jacaré Bangão” seguram a “lanterna-vermelha” da prova, com menos um, depois da desistência do JGM do Huambo, por incapacidade financeira. Advinha-se, assim, uma segunda volta renhida e onde as equipas procurarão dar o melhor de si para se saírem bem na fotografia. Enquanto isso, d’Agosto e Petro, os dois maiores emblemas do nosso futebol, tentarão provar o seu estatuto de candidatos diante de outros concorrentes cujos objectivos passam por estorvar esta tarefa. Os ver vamos...
SÉRGIO.V.DIAS

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