Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O Campeonato-2018 e as belas Natachas

04 de Julho, 2018
Ao passear pelas ruas de Moscovo e tomar contacto diário com a sua gente, chega-se a fácil constatação de que os homens são extremamente românticos. Distribuem flores e esbanjam carinho à sua amada, independentemente do lugar em que esteja. No restaurante, autocarro, comboio, na rua, enfim. Não têm complexos. Deixam transparecer a ideia de que o amor para eles está acima de tudo, fala mais alto.
Pela cidade é fácil apanhar um casal de mãos dadas ou a trocar carícias. Um beijo trocado na rua não representa perigo algum. Por cá é muito normal. Não envergonha ninguém. Muito pelo contrário. Deixa-os muito mais românticos.
Tal qual a beleza dos majestosos estádios e esplêndidos edifícios, ver a mulher russa passear-se pelas ruas da cidade de Moscovo é um regalo. Qualquer homem de bom gosto pregar-lhe-iria os olhos. Talvez isso fosse motivo de sobra para provocar aos russos ataque de ciúmes. Até aqui tudo bem. Nada mais normal e pacífico.
Porém, o que não se consegue perceber é essa tremenda ira criada pelo público masculino na Rússia, em relação à sua compatriota.
Paulo Caculo, Moscovo
Em tempos de campeonato do mundo, era previsível aos russos que também alguns homens bonitos e charmosos viessem aportar as suas terras.
O país encheu-se de gente linda. Homens e mulheres. E não são apenas russas. Razão pela qual não se admite que uma situação de um cidadão estrangeiro ser apanhado aos beijos com uma mulher russa seja considerado crime de lesa-pátria!
O clima de enorme contestação gerado em torno da mulher russa é, a todos os níveis, deplorável. E o mais lamentável ainda é ler notícias sobre comentários racistas e ofensivos às russas nas redes sociais. Só porque tornaram-se simpáticas com os estrangeiros. Chamam-as de “Natachas”. Tidas como mulheres solteiras, sem compromisso e que estão à procura do príncipe encantado.
Mas, usam-na no sentido pejorativo. Tudo porque não aceitam, com a naturalidade que se exige, relações amorosas entre nacionais e estrangeiros. Afinal estava enganado. A tal demonstração de carinho e respeito para com a mulher não passara de comportamento para “inglês ver”. Não passa de mera encenação. Como diz o companheiro Capuepue, vamos só lhes dar “muxoxo” mano, “miux”. Paulo Caculo, Moscovo


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