Jornal dos Desportos

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Opinio

O CAN das surpresas

08 de Julho, 2019
Com a Selecção Nacional de honras já afastada e de forma precoce, o Campeonato Africano das Nações (CAN) continua a fazer eco. A prova entrou já na sua fase crucial, também designada de “mata-mata”, e está ser marcada por algumas surpresas.
Nesta grande montra do desporto-rei continental, que tem como palco o Egipto, Angola passou uma imagem muito pálida do seu real valor. O combinado nacional teve tudo a sua mercê para, pelo menos, inscrever o seu nome nos oitavos-de-final da prova, mas desperdiçou a oportunidade pela fraca prestação que teve.
Angola, que competiu no Grupo E, ao lado das similares do Mali, Tunísia e Mauritânia, não conseguiu amealhar mais do que dois pontos. Ambos resultaram dos empates logrados frente à Tunísia, na estreia, e à Mauritânia, na ronda dois.
Diante das “Águias de Cartago”, os Palancas Negras, às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic, realizaram a sua melhor exibição, mas ainda assim ficaram pelo empate a um tento, fruto do golo apontado por Djalma Campos. Já diante das “Mourabitones” da Mauritânia, os angolanos obtiveram empate sem golos e por isso o duelo com os malianos, na ronda três, assumiu-se como de crucial importância para os intentos da equipa.
E a precisar de um escasso ponto, que se consumaria com novo empate, o combinado nacional não conseguiu, com efeito, materializar esse desiderato. Perdeu por 1-0 e fruto disso viu a sorte de chegar aos “oitavos” ofuscar-se perante um adversário que se lhe apresentava como de triste memória. Na verdade a turma das “Águias”, com quem os Palancas haviam empatado no CAN de 2010 a quatro bolas, depois de estarem em vantagem de 4-0, não apresentou um futebol tão vistoso ou de encher os olhos, como se queira admitir, mas ainda assim fez jus ao seu estatuto, dando-se, inclusive, ao luxo de actuar na ronda três, com uma segunda equipa. E Angola nem isso soube aproveitar.
Neste CAN, dado aumento de 16 para 24 selecções, passariam para os “oitavos” além dos dois primeiros de cada um dos seis grupos, os quatro melhores terceiros do geral. Os Palancas, com tudo a seu dispor para atingir esse feito, desperdiçaram a chance.
Foram os piores terceiros classificados e ajudando, inclusive, a África do Sul, que transitou para segunda fase com um saldo negativo de um golo. Os “Bafana Bafana” atingiram os oitavos-de-final conjuntamente com a República de Democrática do Congo (que esteve no A) e o Benin (F), todas com três. Entre os quatros terceiros melhores do geral ficou, ainda, a Guiné-Conacry, a única selecção que chegou ao quatro pontos.
E quanto a surpresas em si que a prova testemunha, salta à vista o afastamento do anfitrião Egipto, curiosamente por uma África do Sul que esteve mal na primeira fase e que só chegou aos “oitavos” pela falta de ineficácia e vontade de vencer que Angola revelou. A derrota inesperada destes custou, ainda, o cargo ao mexicano Javier Aguirre.
Outras das surpresas foram os afastamentos do Marrocos pelo Benim e do Congo-Democrático pelo Madagáscar, na lotaria das grandes penalidades, após persistente empates de 1-1 e 2-2 no final dos 90 regulamentares e dos 30 adicionais de prolongamento. Os “Leões do Atlas”, tal como os egípcios e argelinos, atingiram o pleno na etapa inicial, ao passo que o Madagáscar desde início se revela como a grande surpresa da prova. Agora resta esperar se vêm mais surpresas pela frente...

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