Jornal dos Desportos

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Opinio

O choro de Bianchi

21 de Agosto, 2017
No sábado quando Angola logrou a qualificação para o CHAN do Quénia eu vi, como muitos viram também, o técnico espano-brasileiro, Bento Bianchi, sentado no banco da equipa, a chorar demoradamente. No fim ele disse que \" os meus choros devem-se à pressão que vivi desde os primeiros dias que comecei a trabalhar em Angola, mas apesar de tudo isto reservo as minhas alegrias para o povo angolano\".

O povo angolano, a meu ver, esperava e agradece esta dedicação. Foi a justificação que ocorreu ao técnico, mas eu também recuei no tempo para lembrar o que ele disse quando foi apresentado pela primeira vez pela Federação Angolana de Futebol como o seleccionador:

\"Quando cheguei a Angola não conhecia o futebol angolano, mas em apenas um ano dei provas da minha rápida adaptação, talvez pelo meu estilo de vida, de ter passado por várias culturas diferentes, facto que ajudou na minha rápida adaptação\".
E depois ainda disse: \" Não vim fazer amigos, vim para trabalhar. Vamos analisar os jogadores e os melhores vão estar na selecção. É assim que trabalho no Petro e será assim que vou trabalhar na selecção\", garantiu na altura.

Considero por isso que, este primeiro feito de Beto Bianchi, e aqueles soluços, à solo, antes de ser erguido alegremente pelos seus comandados, traduzia também forte \"não!\" à chicotada por muitos augurada se a selecção fracassasse e uma pronta \"tareia\"contra todos aqueles que abominavam a sua escolha como seleccionador nacional.

E quando ele no sábado disse - para quem o quis ouvir - que \"não há prémio que pague este apuramento\", também acho que, de modo inequivoco, reafirmava Beto Bianchi a posição dada à federação de que apenas, desde o início, trabalharia por uma espécie de amor à camisola de Angola, beneficiando de prémios módicos, com salários pagos pelo Petro de Luanda.

Agora o que dirão os seus detractores; aqueles que quando os Palancas tinham eliminado as Ilhas Maurícias, levaram-no a mostrar descontentamento pelo comportamento de dirigentes, que a seu ver, não o têm respeitado? Já gostei de ouvir agora o presidente da Federação Angolana de Futebol, Artur Almeida, a dizer que o apuramento é apenas uma longa caminhada que deve terminar com boa prestação na fase final, no Quénia.

Neste sentido, e até lá, o que a direcção da federação, do ministério, da \"sociedade desportiva\", dirigentes, treinadores, jornalistas devem fazer é estimular o treinador a cumprir com o seu trabalho, compreendo-o bem. Quando um dia lhe foi questionado se conhecia profundamente o futebol nacional para formar uma equipa forte e ganhadora, Beto Bianchi, honestamente, reconheceu que, na altura, pouco dominava. Mas prometeu que havia de trabalhar para não decepcionar os dirigentes da federação e os adeptos.

A prova está aí: prometeu trabalhar, conhece melhor os jogadores em todas as eliminatórias em que na última escolheu em Gerson, Mira, Wilson, Massunguna, Natael, Nary, Da Luz, Manguxi, Hebnerilson, Job e Vá...os grandes heróis da qualificação. O seu choro, diante dos seus e nosso heróis é pois a compensação da eficiência demonstrada pelo grupo. O resto, vem depois!
António Félix

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