Jornal dos Desportos

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Opinio

O clamor da gazela...

06 de Janeiro, 2020
Ainda na ressaca da realização da 64ª edição da São Silvestre, a corrida pedestre de fim-de-ano que voltou a percorrer várias artérias de Luanda, capital do país, salta à vista a posição assumida pelos huilanos em relação aos atletas forjados nestas paragens.
A prova, que se traduz numa montra e referência obrigatória do atletismo, voltou a sair às ruas apenas com atletas nacionais e nesse contexto a Huíla pode esfregar as mãos de contente, por dois fundistas da circunscrição lograrem o feito de cortar a meta na primeira posição, em ambos classes. Alexandre João e de Ernestina Paulino, ambos em representação do Interclube, acabaram por triunfar em masculinos e femininos.
E o sucesso dos dois representantes do atletismo huilano nesta corrida que, como é de costume, se realiza no último dia de cada ano, levou a que as equipas locais optem, agora, por “reter na fonte” as estrelas que despontam em diferentes escolas de formação.
A posição foi assumida durante um encontro da Associação local da modalidade, dirigida pela antiga atleta Ana Isabel. Conhecida como “gazela” do atletismo huilano, a líder da Associação da modalidade assegura que esta estratégia visa, sobretudo, as escolas de formação dos “gurus” do desporto nacional.
No seu clamor de socorro com vista ao fortalecimento do atletismo huilano, que se tem revelado como um verdadeiro “viveiro” da modalidade no nosso associativismo desportivo, Ana Isabel ressalta que neste ano, que ainda trilha os primeiros dias, o trabalho do seu elenco estará virado fundamentalmente para massificação nos clubes. Para esse efeito, cada escola da região deve orientar a formação de atletas dos oito aos 17 anos de idade.
A responsável do atletismo huilano reivindica o facto de os clubes destas paragens não disporem do escalão sénior, por falta de condições, bem assim como pelo facto de os atletas desta faixa etária precisarem de remuneração. De acordo com Ana Isabel, como os resultados são cobrados, o financiamento para o efeito pode advir de transferências e venda dos melhores atletas para outras paragens. E como forma de prestigiar ainda mais esta modalidade das pistas, a ex-atleta aponta como prioridade a colocação de tartan no Estádio da Tundavala, para que os treinos decorram sem constrangimentos.
A falta deste meio faz, em muitos casos, como ela recorda, que se promovam nas Terras Altas da Chela competições provinciais e nacionais, em condições indecentes, no Estádio da Tundavala. Por isso mesmo, lança o veemente apelo para que “as autoridades de direito”, como o Ministério da Juventude e Desportos, comecem a “velar com urgência para a colocação de tartan” no referido estádio, tendo reforçado ainda que voltar-se-ão a encetar contactos com essas entidades nesse sentido. E, para melhor elucidar as coisas, a gazela do atletismo huilano deixa um alerta: “não é gabar, mas é a verdade, somos a única Associação em Angola com clubes que trabalham no atletismo. O 1º de Agosto, Interclube e Petro de Luanda, todos da capital do país, têm atletas a treinar na Huíla”.

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