Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O clssico das emoes

21 de Julho, 2018
A vantagem à condição, que o Petro de Luanda ostenta na tábua de classificação do Girabola Zap 2018, aliado ao facto de o seu mais directo rival, o 1º de Agosto ter um jogo em atraso da jornada passada, devido a sua envolvência nas Afrotaças, podem ser aditivos de vantagem, para que os petrolíferos entrem em campo com furos acima, no que a motivação e galvanização dizem respeito.
Ao contrário, os militares, podem igualmente fazer deste pressuposto uma estratégia. Ou seja, na perspectiva de que o jogo em atraso é sempre vantajoso, por ser um pecúlio a ser colhido, partirá para o jogo diante do seu rival, confiante, depois de um soberbo empate nas Afrotaças. Aliás, precisará de galvanizar-se com esta eventual vitória doméstica, para oxigenar os pulmões para o jogo com Zesco United da Zâmbia, para o segundo turno da fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos.
Na verdade, chegou o clássico tão esperado que, em função das circunstâncias actuais, pode sim ser de decisão absoluta para o título. É só reparar como têm andado as coisas para as duas formações, quão gêmeos siameses. Quando uma empata, a outra também empata; quando uma perde, a outra imita. É neste andar que 1º de Agosto e Petro de Luanda têm construído a sua campanha neste Girabola pobre e cheio de intempéries que, convenhamos, hoje não são aqui chamadas.
Não poderíamos ter melhor oportunidade de reatar esta rubrica de opinião, depois de um período de “defeso” motivado pela decorrência do campeonato do mundo de futebol, bem ganho pela França. Quando o companheiro Sérgio Vieira Dias, com quem partilho este espaço, à duas mãos me comunicou que tocara o “gongue” para reiniciarmos e que o tema em abordagem seria o clássico, rejubilei.
Na verdade, ainda dá um enorme prazer falar de clássicos desta igualha. Naturalmente que está muito longe dos anos da década de 1980 e 90 em que evoluíam “monstros” como Ndunguidi, Jesus, Saavedra, Sabino, Napoleão, Lourenço, Abel Campos, Lito Gouveia, Pepé, Afonso, Makuéria, Haia, Paulão, Zeca, enfim, Helder Vicente, Nejó, Neto, Luisinho, Paulo Tomás e tantos outros que, durante largos anos, nos conferiram alegrias somadas e multiplicadas, para assistirmos bons jogos. Bons espectáculos, onde os recortes técnicos e emoção eram notas salientes do cardápio.
Hoje, não temos àqueles, mas temos outros. Temos Tony Cabaça, Show, Geraldo, Isaac, Mingo Bile; temos Gerson, Wilson, Mira, Mateus, Azulão, Job, entre outros, capazes de fazerem deste clássico 76 uma grande fonte de inspiração e fazer renascer no adepto comum, a vontade de ir ao estádio e assistir uma partida de futebol com o devido “sal e pimenta”. Será bom, de facto se, toda essa expectativa que se cria, se traduza na prática num bom jogo. Espectacular. Emotivo. Com \"fair play\". E, sobretudo com muito desportivismo. Ganhar com respeito e perder com dignidade.
No meu íntimo, acho mesmo que terá isso tudo e mais alguma coisa. Tudo por causa das questões que no início abordei. Ou seja, a vantagem que os petrolíferos carregam, embora “fictícia” (em consequência de ser condicionada), é, subjectivamente carregada de uma forma anímica substancial, que pode conferir aos rapazes de Beto Bianchi um adicional muito grande.
Reparemos: Se o Petro ganhar, “cava” um distanciamento de quatro pontos. Ao contrário, se os militares vencerem, e depois juntarem à isso, vitória no jogo que têm em atraso, podem, muito bem fazer uma significativa fuga para frente, deixando o seu adversário e rival, nas “escovas”. Contudo, mesmo que o Petro ganhe e o d\'Agosto vença o jogo em atraso, a diferença pontual será de apenas um pontito, sendo que a luta renhida de ”perseguição impiedosa” persistirá até ao final da competição, com cada um dos rivais proibidos de perder com quem quer que seja.
Naturalmente que é precisamente aqui onde está o “sabor” do clássico. Será por força dessas cogitações, que se tornará apimentado e apetitoso o jogo entre os dois colossos que pretendem conquistar o ceptro. O d\'Agosto pretende “trisar” e, consequentemente, encurtar para três a diferença entre conquistas do outro, o Petro de Luanda, que já venceu por quinze vezes.
Por isso, na minha humilde opinião, o clássico tem tudo para ser um bom jogo, a julgar pelas nuances e circunstâncias que o envolvem e, também em consequência de se apostar num bom futebol, depois de termos vivido um mês intenso com os jogos do Mundial de Futebol, que a Rússia albergou e que foi ganho pela França.
Agora, é necessário que essas apetências sejam conjugadas com um bom trabalho do árbitro que for indicado. Não vale suspeições. Não vale subornos. Não vale corrupção. Limitem-se a jogar no campo. Apenas no campo.
Queremos uma arbitragem boa. Isenta de compromissos com este ou com aquele. Mesmo sem VAR (Vídeo Árbitro), não é necessário assinalar quatro penalties num só jogo. Por amor de Deus! Tenhamos censo. O futebol não é isso!
Vamos todos “orar” para que o clássico entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda seja de facto um bom jogo e que vença o melhor e o melhor seja o futebol.
Morais Canãmua

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »