Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O comportamento de Beto Bianchi

14 de Setembro, 2017
O Estádio 11 de Novembro acolheu no domingo, o maior clássico do futebol nacional. Um clássico visto por uma falange de adeptos, que há muito não se via: o suculento 1º de Agosto -Petro de Luanda, cuja vitória acabou por pertencer ao clube do Rio Seco. O que aconteceu ao longo dos 90 minutos, foi uma verdadeira lição de fair-play, uma lição de saber perder, com o presidente da equipa do eixo - viário a felicitar o time vencedoras.

Algo, que acabou por surpreender os amantes da modalidade, principalmente , depois dos equívocos que aconteceram meses atrás entre as duas equipas. No final dos 90 minutos, acabou por prevalecer o bom senso, e as claques das duas equipas abandonaram o Estádio, de mãos dadas. Um bom exemplo, diga-se.

Mas nem tudo foi um mar de rosas. Houve algo, que acabou por manchar o espectáculo: a atitude do técnico Beto Bianchi, depois do árbitro António Caxala ter mostrado o cartão vermelho, devido à atitude indecente, na segunda parte.O comportamento demonstrado por Beto Bianchi, no domingo, não é novo, principalmente, quando a equipa não alcança o perspectivado antes da bola começar a rolar.

O Girabola está a chegar ao fim. Restam seis jornadas para o final. Face a isso, os níveis de emoção e de stress atingem valores altos, não só entre os jogadores, mas também treinadores, dirigentes, e mesmo adeptos. Contudo, isso não implica faltas de respeito, de quem quer que seja, principalmente da parte de treinadores, que devem ser exemplo para os seus jogadores. Como age um jogador ao ver o comportamento negativo do seu treinador? O pensamento mais lógico, é segui-lo.

No futebol e no desporto no seu todo, devemos melhorar o nosso desempenho, ultrapassar os obstáculos e transformar as dificuldades, com empenho, talento e muito esforço, sempre em prol das cores das equipas que defendemos.Treinadores, jogadores, dirigentes e outros agentes desportivos, têm a obrigação de proteger o futebol, dos graves riscos.

Mudar, adaptar, crescer, faz parte do destino de todos os agentes desportivos. Cada um deve identificar contributos para uma evolução positiva, e segura. É isto, o que peço especialmente ao técnico Beto Bianchi.Nesta fase derradeira do Girabola (faltam seis jornadas para o fim), há aspectos que em minha modesta opinião, urge encontrar melhor destino: analisar os comportamentos quer de treinadores como de dirigentes, numa sinfonia concertada a pedir senão mesmo a exigir, que os órgãos que tutelam o futebol se assumam e imponham regras claras!

Pergunto: a seis jornadas do fim, faz algum sentido?! Essa exigência (nunca um pedido) não tem de nascer antes mesmo do início das competições? Pessoalmente, acho que sim. Contudo, o órgão reitor do nosso futebol, no caso a FAF, não tem feito isso, na sua plenitude. Se o fizesse, estou ciente, que Beto Bianchi tinha mudado a atitude de arrogância, quando o Petro se encontra em desvantagem no marcador.

Pressionar os árbitros, que chegam a atingir níveis que debilitam a saúde do futebol, e provocam desvios comportamentais e de violência, são actos que devem ser banidos no nosso futebol, e não só.O técnico Beto Bianchi acha que descobriu o “caminho dourado do nosso futebol”, só porque garantiu o apuramento de Angola para a fase final do CHAN. É bom que ele saiba (acho que sabe), que os Palancas Negras estiveram por duas vezes na final da referida competição.

E, numa delas, com um técnico angolano ao comando (Lito Vidigal, neste momento a dar cartas em Israel), chegou à final, depois de deixar pelo caminho as selecções renomadas do mosaico do futebol continental, que não se comparam às Ilhas Maurícias ou o Madagáscar, sem qualquer desprimor para estas selecções.

Um outro feito do “caminho dourado do nosso futebol”, aconteceu em 2006, quando um outro técnico angolano (Oliveira Gonçalves) colocou Angola na fase final do Campeonato do Mundo, disputado na Alemanha, depois de deixar pelo caminho a toda poderosa Nigéria. Aprender com os erros, é tarefa que enobrece, quem a faz. Esconder as falhas, mesmo com justificações bem elaboradas, revela falta de dimensão e de humildade, pressupostos evidentes de quem não quer aprender.
Policarpo da Rosa

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