Jornal dos Desportos

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Opinio

O Conselho pode sancionar Hlder Martins?

06 de Outubro, 2014


É voz corrente que o Conselho Central de Árbitros (CCA) da Federação Angolana de Futebol (FAF), não possui moral para não sancionar o juiz de segunda categoria nacional, Hélder Martins, que entre outros erros, não assinalou um castigo máximo, na derrota por 2-1 no jogo 1º de Agosto- Recreativo do Libolo, em Calulo, para a 23ª ronda do Girabola.

Tal facto, aconteceu numa altura em que o resultado registava um nulo, com as consequências daí decorrentes, depois de dias antes o órgão da FAF que rege a arbitragem ter punido o seu filiado António Caxala árbitro internacional, de não ajuizar qualquer jogo até ao final da época, por ter anulado um golo lícito ao 1º de Agosto (coincidência...?) na derrota que ditou o afastamento dos militares, frente ao Kabuskorp do Palanca, nos oitavos de final da Taça de Angola.

Mesmo que António Caxala tivesse reconhecido que incorreu em erro, o trabalho de Hélder Martins também foi o motivo principal dos actos de vandalismo protagonizados pelos adeptos e sócios do “glorioso”, no interior e arredores do estádio de Calulo.
Os mais atentos devem-se ter apercebido que o chefe da equipa de arbitragem de forma suspeita ou não, fez “vista grossa” à grande penalidade, já muito badalada em favor do 1º de Agosto.

O certo é que os dois “casos” em referência, influenciaram na eliminação dos militares da Taça de Angola, assim como concorreram para o seu atraso na luta pelo título do Girabola, que matematicamente ainda possui possibilidades remotas de alcançar. O trabalho de Hélder Martins concorreu igualmente para complicar o acesso do “glorioso” ao segundo lugar do Girabola, onde tem como principais concorrentes, o Kabuskorp do Palanca, o Benfica de Luanda e o FC Bravos do Maquis em quinto lugar.

Os adeptos e sócios que protagonizaram tais acções reprováveis, numa altura em que tudo se faz para atrair maior quantidade de público aos estádios, podem ter incorrido em tais actos, motivados pela paixão que nutrem pelo clube.
O que se espera é que a FAF, depois de ter sancionado António Caxala, proceda de igual forma em relação a Hélder Martins. Não obstante, ser internacional e um dos melhores árbitros angolanos, ter reconhecido a culpa e o 1º de Agosto recorrer à Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), o certo é que a verdade não vai ser reposta, uma vez que os jogos não são repetidos.

O “glorioso” foi eliminado da Taça de Angola e viu coarctada a possibilidade de alcançar os três pontos em Calulo (ainda que o jogo pudesse tomar outro rumo), encontra-se na iminência de na próxima época ficar sem participar nas competições africanas, o que a acontecer, vai constituir um facto inédito no historial do clube.

De acordo com decisões recentes da Confederação Africana d Futebol (CAF), participam na Liga dos Clubes Campeões, o campeão e vice - campeão nacional, ao passo que na Taça CAF os países devem ser representados pelo vencedor e finalista vencido da taça nacional.A pergunta que não quer calar, prende-se com o facto de se saber quem vai arcar com as despesas que o 1º de Agosto teve com a preparação e participação nos jogos em questão, que passam pela movimentação de homens, alimentação, combustíveis, alojamento do grupo de trabalho em estágio, deslocação e outros subsídios, quando se sabe que em Angola, independentemente da dimensão da capacidade de cada patrocinador, os clubes fazem das “tripas coração”, para aguentarem uma época sem sobressaltos de carácter financeiro.

Não é justo que uma equipa prepare durante uma semana ou mais tempo um jogo, efectue gastos financeiros e outros, para num ápice, alguém vir prejudicá-la, em manifesta violação aos princípios da verdade desportiva e do ideal olímpico. A bola está do lado da FAF.
LEONEL LIBÓRIO

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