Jornal dos Desportos

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Opinio

O corao que se abriu

01 de Julho, 2018
Das palavras de conforto de Vladimir Putin, à vitória irrefutável dos anfitriões na estreia e a \"traição imperdoável\" de Julen Lopetegui, o Mundial da Rússia entrou já na chamada fase do \"mata-mata\". O que significa dizer quem perde, fica de fora.
O líder desta nação encravada entre o leste da Europa e Ásia assegurou, na antecâmara do evento, que a ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) abre o coração para todos. Assim de facto está ser e a festa do rei-futebol está ao rubro.
Para lá das \"boas vindas\" do número \"um\" do Kremlin, o centro das decisões do governo russo, e da super-goleada de 5-0 aplicada pelos anfitriões à Arábia Saudita, que abriu o caminho para a sua presença hoje nos oitavos-de-final, em que defrontam a candidata ao título Espanha, muito há ainda por se dizer em relação ao Rússia-2018.
O Mundial, que se disputa apenas na parte europeia da Rússia, está ser profícuo em termos de surpresa. Quem diria que a Alemanha, nas vestes de campeã em título e a liderar o ranking da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), tombaria logo na primeira esquina. Aliás, foi simplesmente um repetir da história.
Por situação semelhante passaram a França em 2002, na prova co-organizada pela Coreia do Sul e Japão e após se sagrar campeã em casa quatro anos antes; a Itália na África do Sul-2010, depois de ganhar no Alemanha-2006; e a Espanha no Brasil-2014, que antes venceu o primeiro Mundial realizado no continente berço da humanidade.
E em meio de surpresas levanta-se agora uma questão: será desta vez que um \"out side\" vai erguer as faixas de campeão? Previa-se - e ainda pode ser assim -, uma terrível batalha para os russos, pelo facto de a par do seu adversário de estreia (Arábia Saudita) entrar para a competição como as duas equipas pior classificadas no \'ranking\' da FIFA. Mas hoje estão os anfitriões a procurar fazer história. Será que conseguem???
De início colocou-se a incógnita se a anfitriã Rússia teria capacidade para seguir para os oitavos de final, quando se sabia de antemão que no Grupo A estavam ainda perfilados a forte selecção uruguaia e a do Egipto, que esteve na boca do mundo pelo irreverente Mohamed Salah, que é, por esta altura, dos maiores esteios do futebol africano.
O Uruguai era rotulado como mais sério candidatado à passagem a outras fase, sobretudo pelo seu estatuto de bi-campeão mundial e forte ataque que tem. E os latinos-americanos fizeram jus a esse desiderato passando para os oitavos com os anfitriões.
Enfim, temos ainda neste Mundial alguns\" colossos como o Brasil, Inglaterra e até a Bélgica, do médio Eden Hazar (Chelsea), que surge aí sem dar muitos nas vistas, mas que, todavia, podem surpreender o mundo do futebol.
Outro aspecto que salta à vista neste mundial é que a FIFA tem reduzido os gastos para a organização dos últimos Mundiais de Futebol, não fugindo à regra no Rússia-2018.
Aventa-se, por outro lado, um aumento das receitas dentro de quatro anos na prova que o Qatar vai sedear. No Brasil, por exemplo, falava-se de um investimento na ordem dos 2,224 bilhões de dólares, segundo dados apurados pela mídia internacional.
Para a prova que arrancou a 14 de Junho e que cerra as cortinas dentro de 14 dias a previsão inicial é de 2,153 bilhões, mas todavia, estima-se uma cifra abaixo disso.
O relatório financeiro do organismo que superientende o futebol mundial de 2017, como se noticiou na \"midia\" internacional, indica que serão gastos pouco menos de 2 bilhões, com 400 milhões para premiações.
Em meio de expectativas, incertezas e certezas aparece a China a \'invadir\' este Mundial da Rússia. Muitas das equipas, incluindo as do topo mundial, surgem nesta edição com pelo menos dois ou um jogador a evoluir em clubes do campeonato chinês.
Além do Brasil, Bélgica, Alemanha e Portugal, países como a Nigéria (dos nossos conhedíssimos John Obi Mikel e Odion Ighalo) e a Coreia do Sul têm também nos seus plantéis do Rússia-2018 jogadores que evoluem em terras do gigante asiático.
É, enfim, o Mundial-2018 para todas expectativas, que teve uma curta e brilhante cerimónia de abertura a antecipar a vitória esmagadora da equipa da casa no pontapé de saída da prova e um técnico carismático, como Julen Lopetegui, a preterir a sua selecção e rumar para o \"afortunado\" Real Madrid. O técnico deixou a \"furia\" da embarcação espanhola agora sob o comando de Fernando Hierro.
Enfim, um caso insólito, que se pode juntar ao fim da linha para o argentino Héctor Cúper, que também deixa o comando técnico da selecção egípcia e decidiu abraçar um novo projecto na sua terra natal. Coisas de futebol...
SÉRGIO V. DIAS

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