Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O day after do Kabuscorp

11 de Maio, 2019
A execução, por parte da Federação Angolana de Futebol (FAF), da recente decisão da FIFA, enquanto órgão reitor do desporto-rei a nível mundial, de despromover o Kabuscorp do Palanca para divisão inferior a partir da próxima época, acaba por ser um valente “soco no estômago”, quer para o clube de Bento Kangamba como para todos os aficionados do futebol nacional. É de facto duro admitir esta verdade, mas é crua e nua aos nossos olhos, convenhamos que temos de nos habituar.
O Kabuscorp do Palanca vai a partir da próxima época estar relegado à “Segundona”, por não honrar os compromissos de pagamento da dívida que tinha com o jogador brasileiro Rivaldo.
Consta-se que a turma do Palanca não conseguiu, nos prazos estabelecidos pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), honrar o pagamento das tranches e nestes últimos dias sequer provar e fazer fé com justificativos palpáveis, os pagamentos que dizia ter feito de forma atempada, pelo menos até antes do dia 24 de Abril, que era o chamado “dead line” para se cumprir a deliberação da FIFA.
Posto isso, como não possível provar (ainda) o processamento de pagamento ao ex-craque brasileiro, a FAF a prever “males maiores” e, segundo disse a este jornal há dias o secretário-geral do órgão reitor da modalidade -rainha no país, em defesa dos interesses do futebol nacional, foi tomada a decisão de forma a não sofrer riscos desnecessários, pelo menos até que o Kabuscorp do Palanca prove que tem tudo em dia, em termos de pagamentos das tranches da dívida à Rivaldo.
Os tais riscos a que se referiu o secretário-geral da FAF, Rui Costa, são, no caso de incumprimento, sair lesada a modalidade no país, no seu todo, numa altura em que apurou-se para o Campeonato Africano das Nações (CAN) do Egipto, ao Mundial de Sub-17, prevê-se igualmente a participação de quatro equipas na próxima edição das Afrotaças. O não cumprimento da medida, podia significar o ruir do edifício chamado futebol nacional.
Agora, “sacrificado” o Kabuscorp do Palanca (cujas razões são óbvias e sobejamente conhecidas), por aludida falta de prova dos pagamentos à Rivaldo, que sublinhe-se nem chegou a cumprir o contrato enquanto atleta palanquino, pergunta-se qual será o futuro do clube de Bento Kangamba? Qual será o “day after” (dia seguinte)?
Naturalmente, fica um pouco difícil, nesta tribuna, fazer cogitações adiantadas, mas achamos que muita tinta ainda venha a correr por debaixo da ponte. Obviamente, que pelo que conhecemos do seu “Big Boss”, vai procurar “lutar” para reverter o quadro, embora, como sabemos, a FIFA geralmente é muito implacável nas decisões que toma.
Outrossim, são as consequências que a “abrupta” retirada do clube do Palanca da prova maior do futebol nacional pode provocar à sua massa associativa, aos seus fãs, adeptos, aficionados, enfim, a todos os amantes do futebol nacional.
Temos de aceitar, que independentemente da decisão e das causas que a originaram, será muito dura essa realidade.
O clube Palanquino já foi campeão nacional de futebol e por via disso, tem imensas responsabilidades no nosso “association”, movimenta um “mar de gente” aficionada e inflama paixões variadas. É de facto, um mundo e espectáculo à parte. Este quadro é visível em todo o país, diga-se!
Infelizmente, o processo de gestão do “caso Rivaldo”, por parte do Kabuscorp do Palanca, não foi feito com a responsabilidade que se exigia, e por consequência, hoje assistimos ao quadro negro que pesa toneladas ao nosso futebol, que mais uma vez chega aos corredores da FIFA pelas mais bizarras razões.Será que as últimas duas jornadas a serem disputadas, referentes ao Girabola 2018/2019, perdem interesse para o Kabuscorp do Palanca, face à decisão? Como será a ponta final do campeonato, se atendermos o facto de que até ao último jogo da turma de Bento Kangamba pode ser decisivo para o outro contendor, no caso o 1º de Agosto?
Portanto, como se pode notar, são muitas implicâncias que isso provoca. Por isso, fica difícil, sabermos bem, como será o “day after” do Kabuscorp do Palanca... Morais Canãmua


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