Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O desporto e o poder local

17 de Maio, 2018
Na doutrina económica, a autarquia é definida como a qualidade de se ser auto-suficiente. Tipicamente, o termo tem aplicação na vertente ligada à política económica. Entretanto, importa ressaltar que o poder local existe, se o território autárquico consegue sobreviver ou manter as suas actividades sem “apoio”, grosso modo, do poder central.
Por conseguinte, a autarquia não tem necessariamente, que ser só económica. Pois, também contempla outros sectores sociais, cria entre estes simetrias e equilíbrios. É necessário, que a autonomia conferida às regiões produzam valências e qualidade de vida. É verdade que não se pode pensar no poder autárquico, como a panaceia para os inúmeros problemas que se vive, mas tenhamos em consideração que é preciso dar passos para tornar feliz o nosso país.
O desporto também é para aqui chamado. É oportuno que se saiba, o que o poder local reserva aos desportos. Assim, entendemos porque os resultados a nível do desporto, salvo raríssimas excepções, não são os melhores. Ou seja, produzem mais insatisfação. E, os exemplos, estão à mão de semear. Para não se dizer que exageramos, basta acompanhar os programas desportivos nas rádios, nas tvs, até nos jornais, para avaliar os posicionamentos críticos. Aliás, já alguém, em anos que já lá vão, de peito aberto assumiu que andamos a brincar ao desporto. Exagero ou não, mas os factos parece falarem por si.
Dizer que o modelo centralizado é o culpado?! convém não arriscar. Mas cada um de nós deve tirar as suas ilações. E, para ajudar a reflectir, trazemo-vos a desistência do JDM do Girabola. As razões são literalmente conhecidas. As dificuldades financeiras já motivaram outras agremiações, ao grito de socorro. Em resposta, algumas vozes lançam o repto para a alteração dos modelos competitivos.
Aí, está o busílis da questão: reajustar o modelo de disputa do Girabola! O desafio seria extensivo para às demais modalidades, sobretudo às mais sonantes. Aqui, a questão descentralização do desporto, o permitir que as regiões desportivamente se auto-comandem, seria importante. Já que está na moda falar de autarquias, então, que se aproveite para se repensar a forma de perceber o desporto.
É curial sabermos, o que de facto queremos e nos interessa. O que é viável em termos políticos. E, sabermos se as autarquias possam trazer, por via das receitas locais, mais correspondências desportivas. Menos desigualdade de tratamento e menos luandização. Pois, a estarem financeiramente capazes, as regiões estarão mais capacitadas para competir a todos os níveis de igual para igual. Sonhar não é pecado.
Em bom rigor, a atribuição às câmaras municipais da gestão patrimonial e financeira, seria mais fácil para certas regiões criarem riquezas e continuar a manter bom nível de vida (desportiva) e de desempenho, porque sabem que podem contar com o retorno do investimento, quer na formação da juventude, quer na recuperação de infra-estruturas desportivas regionais (se é que ainda existem!).
As autarquias podem ajudar a fomentar o auto -financiamento ou captação de receitas para as equipas desportivas, “latu senso”, e munir as autoridades desportivas locais de poder de decisão para a realização da felicidade desportiva regional. Obviamente, que à semelhança do que se passou com o Ministério do Interior, o ministro Adão de Almeida deve constar da sua agenda um encontro com a família desportiva e informá-la sobre o que o poder local reserva para o desporto.
AGOSTINHO CHITATA

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