Jornal dos Desportos

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Opinio

O difcil pasto dos Palancas

17 de Novembro, 2018
O jogo de amanhã, no estádio “11 de Novembro”, aqui em Luanda, a contar para a quinta jornada do grupo I de qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN) do próximo ano, nos Camarões, afigura-se de sacramental importância por quanto os Palancas Negras precisam de vencer e, só vencer, diante de um adversário poderoso, bem dotado e altamente confiante.
Mas, nessas cogitações devemos aferir que o seu poder, pode ser substancial, mas é relativo. Tão relativo que o demonstramos há poucos meses na Liga dos Campeões Africanos, onde perante igualmente à um autodenominado “todo-poderoso”, o 1º de Agosto, com fé de angolanidade e crença de vencer, vergou o Mazembe da RDC que pensava ser o papão e que o jogo diante do nosso representante seriam favas contadas.
Assim deve ser diante dos companheiros de Aristide Bancé, Jonathan Pitróipa, os irmãos Traoré e outros que, de certeza vêm à Luanda a pensar que o jogo será apenas para cumprimento de calendário.
O que fica subjacente aqui é o facto de Angola ter claudicado no jogo de reposta diante da Mauritânia. Ou seja, ao ter vencido aqui em casa por 4-1, muito se esperava dos Palancas Negras no jogo em casa do seu adversário. Pelas nossas contas, a dupla jornada deveria ter produzido um saldo de, no mínimo quatro pontos. Isto proporcionaria um alento de sete pontos, equilibrando a balança dos três pretendentes. No fundo, o melhor mesmo teria sido ganhar lá. Hoje, na verdade, estaríamos a cantar e torcendo apenas para não perdermos em casa e somar mais um pontito na relativa vantagem que levaríamos dos nossos adversários directos, fazendo contas com uma vitória ou empate em Gaberone, no jogo da jornada seguinte.
Ao não ter sido assim e ser este o cenário que assistimos, se torna muito difícil para os angolanos augurarem o passe para o CAN 2019, nos Camarões. E eu, assumindo os meus pessimismos (oxalá que esteja enganado!), explico: Angola, no início da campanha não fez contas com a Mauritânia, considerando sempre este como “outsider” e que a luta para a qualificação seria apenas e só com os burkinabes. Ao vencer aqui, de forma retumbante e com números expressivos o combinado da Mauritânia, aumentaram as crenças de que estavam diluídas as dúvidas de que este adversário não fazia parte do grupo de elite da disputa.
Foi por isso, um erro grave na avaliação estratégica, pois na casa do adversário da dupla jornada não conseguimos demonstrar a tal superioridade de que nos gabamos no jogo de Luanda.
Pelo contrário, deixamos o adversário agigantar-se permitindo que nos marcasse um “golo bóbo” que hoje nos custa admitir que isso proporcionou a perca de três preciosos pontos que poderia, em parte, ter resolvido as contas da qualificação.
Para o mal dos pecados, o jogo seguinte para os Palancas Negras seria (é) com o seu “carrasco” da primeira volta (perdemos por 1-3) e, simplesmente o nosso principal adversário no grupo.
Seria importante, no ponto de vista estratégico, que o combinado nacional chegasse até à este jogo de amanhã diante dos burkinabes, com relativa vantagem pontual para, por um lado, nos conferir alento de jogarmos em casa e, por outro, retirar parte da intensa pressão que hoje se assiste. O jogo da jornada seguinte, diante do Botswana, seria assim encarado numa outra perspectiva.
Esta pressão motivada pela necessidade de ganhar a todo preço é que aumenta de facto “sal na comida” e nos proporciona algum incómodo pois, sabemos e conhecemos o valor da selecção adversária, aliás no cômputo geral, no comparativo entre as duas selecções, levam vantagem.
São precisamente esses factores que nos colocam com um pé atrás mesmo patriota a tempo inteiro que somos. Aliás, a realidade objectiva nos força a sermos realistas e não apaixonados. Mas, ainda assim, acredito que temos outros argumentos que, muito bem esgrimidos podem “jogar” a nosso favor e, naturalmente devem ser usados.
A necessidade de ganhar, a bem ou a mal, nos remete numa situação de reféns do nosso destino no que tange à qualificação para a festa do futebol do próximo ano na terra de Roger Mila, pois uma derrota no domingo pode deitar por terra o sonho de uma Nação. E este é o meu receio. Tenho dito.
Morais Canãmua

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