Jornal dos Desportos

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Opinio

O dilema de Jos Dinis

23 de Setembro, 2013
Não há qualquer dúvida quanto ao facto de o Petro Atlético de Luanda, devido à sua grandiosidade e prestígio nacional e internacional, estar ligado ao processo de desenvolvimento social, desportivo e cultural de Angola.

Nos últimos tempos, a sua equipa principal de futebol tem andado na “boca do povo” pela negativa, em função do desempenho que tem tido no Girabola, que os sócios e adeptos consideram não se coadunar com os desígnios do clube.

Desde que na época de 2012, a direcção do clube despediu o técnico Bernardino Pedroto, que não tem um desempenho a contento no Girabola, pois os 34 (menos 23 que o líder Kabuskorp do Palanca) pontos que possui, na sexta posição, à entrada da 24ª jornada, agravada com a derrota de (2-0) frente ao Sport Luanda e Benfica, para a mesma ronda, não se enquadram nos objectivos de uma equipa “crónica candidata” à conquista do título.

O Petro Atlético de Luanda, fundado em Janeiro de 1980, como consequência da junção do Clube Atlético de Luanda e do Sport Luanda e Benfica, cujos 15 “canecos” de campeão nacional que ostenta lhe concedem a menção de equipa mais titulada na principal competição futebolística nacional de clubes, não conseguiu alcançar resultados à sua dimensão, que testam que até ao momento esteve distante de conseguir o que pode e o que para si é possível.

O 1º de Agosto, cuja fundação remonta ao ano de 1977, é a segunda formação com mais títulos conquistados no Girabola, com um total de nove.
Ainda que a si não deva ser imputada a totalidade da culpa pela pior campanha de sempre dos “petrolíferos” numa competição com a dimensão do Girabola, ao ter aceitado o compromisso de treinar o Petro Atlético de Luanda, deve ser entendido como uma “missão espinhosa” que José Dinis assumiu, após substituir Miller Gomes, depois de a época ter iniciado, não obstante reconhecermos que, no curso da vida, às vezes é necessário correr riscos.

A disciplina e coesão da organização interna, que passam pelo sentido de organização mais abrangente, são imperativos que concorrem para que a equipa volte a ter a estabilidade de que necessita, da qual não podem estar dissociadas a concepção de projectos sérios e de execução fáceis.

Outro factor que concorre para uma melhor estabilidade organizativa está relacionado com a necessidade de se aclararem e definirem as funções e atribuições de quem trabalha com e para o futebol, a todos os níveis, para se evitarem os choques de competências.

Para que num futuro que se pretende próximo, a equipa de futebol do Petro Atlético de Luanda, um dos expoentes máximos da modalidade a nível nacional, comece a resgatar a mística e o seu lugar no contexto desportivo nacional e continental, onde por seu intermédio a bandeira e o nome de Angola têm sido elevados ao mais alto patamar, é necessário que a sua direcção seja receptiva a subsídios de membros das diversas gerações da família “petrolífera”, conhecedores dos meandros do clube.

Não deixa de ser verdade que para o futebol “não perder o comboio” em relação às demais modalidades, é necessário que a equipa técnica faça um trabalho sem interferência de “estranhos”.

É preciso não esquecer que o Petro Atlético de Luanda figura entre o lote de agremiações que, em termos de quantidade e qualidade, mais “sangue novo” deram às equipas seniores, e que mais jogadores deram a outros emblemas, que dão cartas no Girabola, na Segundona e no estrangeiro, embora neste último caso em menor escala.

A verdade é que, há muito tempo, a estrutura do futebol sénior dos “petrolíferos” está a “abanar”, pelo que é necessário que toda a “família petrolífera” e amigos envidem os esforços necessários no sentido de se inverter o quadro.
Leonel Libório

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