Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O dinheiro do futebol deve vir...do futebol !

07 de Janeiro, 2019
Há anos, o então secretário-geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), José Cardoso de Lima, apelou à uma maior responsabilidade, nos pronunciamentos públicos dos dirigentes desportivos, por provocarem alguma instabilidade na organização das provas que realiza e que exigem muito dinheiro.
Na altura, até levantou a velha questãode passar-se a efectuar os pagamentos dos prémios de arbitragem mensalmente, através de um depósito no valor de um milhão e quinhentos mil kwanzas, isto numa altura em que a FAF tinha um défice elevado de 11 milhões de kwanzas. A Federação, disse, estava a cumprir a sua parte com a subvenção de uma parte das dívidas para com os árbitros.
Até hoje, as contas do e no nosso futebol nunca bateram certo e os caminhos para soluções continuam a ser evocados. Como é por exemplo essa de, há dias, a Federação Angolana de Futebol vir a organizar, no dia 19 deste mês, uma \"grande\" reunião, para se discutir o orçamento este ano de 2019.
Perguntei a mim mesmo: orçamento resultado de receitas próprias, ou então, se ainda proveniente dos cofres do Estado? As provas que a FAF realiza são capazes de mitigar o suporte estatal?
Duvido se, ao que tudo indica, este ano, quando for encontrado o campeão nacional do Girabola, não vai voltar a ser levantada a questão de se saber se será apenas coroado a tal, com meras palmadinhas nas costas, ou já com dinheiro vivo, como sinal das receitas e de investimento monetário e humano que fez o futebol gerou.
Para falar verdade, esta questão, embora seja recorrente, tem toda a razão de ser evocada e sobretudo nestes dias, em que já não é apenas o Estado (através de ministérios e empresas públicas) que apadrinha os clubes, a quase fundo perdido, por existiram também entidades particulares a fazê-lo, como é o caso das grandes equipas que dependem dos seus avantajados patrocinadores privados.
A direcção dos grandes clubes aplicam rios de dinheiro, para contratar jogadores e técnicos. Fazem deslocações, dentro e fora de portas, com gastos astronómicos ao longo do campeonato.
Decididamente, o campeonato em si tem de conhecer o dia em que será auto-suficiente para produzir ganhos e receitas para os clubes. Este particular, remete para a urgência da instituição de uma Liga de Futebol em Angola, que é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, para os cofres dos clubes.
Até os países africanos, sem o peso económico e social que Angola ostenta, fazem-no há décadas. É que se esta urgência não fizesse sentido, não teríamos, como estamos a ver e a assistir, dirigentes a fazerem considerações à respeito de receitas inexistentes no futebol nacional.
De sua justiça têm frisado, e bem, que não há cofres cheios porque aqui na nossa terra, o futebol é visto como um desporto de entretenimento, na medida em que ainda se nota a participação do Estado na atribuição de um parco orçamento para a Federação Angolana de Futebol (FAF), para a gestão de competições.
Enquanto tal política de suporte público se mantiver, como defendem muitos dirigentes, a mesma política vai dificultar a criação de condições para se atribuir, por exemplo, ao campeão do Girabola um bom prémio monetário.
Eu assino por baixo, os agentes do nosso futebol que advogam a ideia de que o dinheiro do futebol deve vir do futebol e não de outras instituições, que nada têm a ver com este desporto.
Por outras palavras, a solução está nas entidades que gerem o desporto - rei em Angola, saberem, de uma vez por todas, fazer uma a clara distinção em relação à lógica que deve seguir o nosso futebol, isto é, se é comercial ou ainda de recreação, para se ter ou não receitas volumosas.
A pergunta final, aqui, é esta: mais de quatro décadas de disputa, por exemplo, do Girabola, nesta altura não havia condições para tornarem-no num produto comercial apetecível ao público e rentável aos clubes desde que seja bem tratado e organizado?
Durante muitos anos estranhámos, e por isso, não merecia aplausos, a posição da própria Federação Angolana de Futebol que no concreto não impulsionava.Não estimulava a partir-se já para a Liga em Angola. Só admitia vagamente. Oxalá tenha outra postura!
António Felix

Últimas Opinies

  • 19 de Setembro, 2019

    Capitalizar os Capitas

    Está na baila o que adjectivo por “Caso Capita”, que até onde sei envolve a direcção do Clube Desportivo 1º de Agosto, o agente do jogador, a Federação Angolana de Futebol e a família de sangue do referido atleta, que até prova em contrário, ainda está vinculado ao clube militar, que o inscreveu para a presente época futebolística.

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Sinto-me bem na província da Lunda-Norte. As pessoas têm sido fantásticas comigo, em todos os aspectos. Têm-me apoiado bastante e, naturalmente, os jogadores, direcção e todos os membros do clube.

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Pensamento de Drogba

    Considerando que a vida é feita de sonhos e ambições, é de todo legítimo o pensamento do antigo internacional costa-marfinense Didier Drogba, em traçar como meta das suas ambições, enquanto homem do futebol, a presidência da Federação Costa-marfinense de Futebol.

    Ler mais »

  • 16 de Setembro, 2019

    O lado difcil do marketing desportivo

    "Do jeito que vocês estão a trabalhar, o marketing desportivo em Angola, muito abaixo da linha da cintura, creio que este é o pior momento possível para se apostar no sector”, desabafou um especialista brasileiro, numa conversa mantida recentemente em ambiente reservado, com um pequeno grupo de jovens empreendedores, que "sonham" fazer grandes negócios através do marketing desportivo.

    Ler mais »

  • 16 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    O Sagrada é um clube com carisma, mística e sente-se isso na província, quer no dia-a-dia com os adeptos, quer no contacto com as pessoas.

    Ler mais »

Ver todas »