Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

O efeito nefasto da apologia da mentira

17 de Março, 2017
Não poderíamos , por esse motivo, em nossa honra e de todos colegas treinadores, deixar de elucidar os leitores e o ilustre jornalista Arlindo Macedo, sobre inverdades gritantes que usa no seu texto intitulado \"Isto é Angola e não precisamos\", publicado quarta - feira, na página de opinião do Jornal dos Desportos.

Aí, entre laivos de ideias construtivas e inverdades ridículas e irresponsáveis, o radialista sustenta a sua opinião de que \"os treinadores de Andebol julgam não ter nada para aprender\", com pressupostos que se situam a léguas da verdade. Respeitamos, como não podia deixar de ser, a opinião de tão sublime personalidade. No entanto, abominamos de forma veemente as inverdades, nas quais o senhor se apoiou, para dar corpo às suas ideias, que podem formar opinião entre o público menos atento.

De mais, a mais, essas inverdades foram dadas à estampa, no único jornal do nosso país, especializado em desporto. Começamos, em nome da classe, por solicitar a compreensão e complacência do senhor Arlindo Macedo, para com o treinador Filipe Cruz, pelo facto do mesmo não conseguir estar, ao mesmo tempo, na província de Malanje, a orientar a equipa júnior feminina do 1º de Agosto e em França a orientar a selecção sénior masculina de Andebol.

O JD noticiou largamente, o facto de a selecção masculina ter sido orientada no Mundial de Andebol Masculino de França, em Janeiro, pelos treinadores Alexandre Machado e Marcelino Nascimento. Também, neste Jornal em que o senhor assina, com regularidade uma página de opinião, foram publicadas notícias que davam conta que neste período, o ex - seleccionador nacional, Filipe Cruz, estava em Malanje a orientar o 1º de Agosto nos Campeonatos Nacionais de Juniores.

Bastava o colega jornalista estar minimamente actualizado, para evitar marginalizar um profissional, por via da sua desinformação segundo a qual \"algo de estranho deve ter acontecido, pois quando (Filipe Cruz) esteve em França para participar no Mundial masculino, em Janeiro último, não foi ao clinic dos seleccionadores do mundial da IHF. Saiba, caro jornalista que o clinic que a França acolheu, tal como aconteceu, noutros mundiais, não esteve disponível à maioria dos treinadores que orientavam as selecções, por questões de calendário.

Ao ilustre colega jornalista, lembramos que, para a nossa nobre missão de informar e formar, é \"mister\", antes de mais, estarmos informados. E, nesta vertente, o colega revela perfeito conhecimento das formações de pessoas próximas de si, nos anos oitenta. Paradoxalmente, discorre de forma absolutamente inacreditável e desrespeitosa até, sobre circunstâncias mais recentes, com muitas fontes de informação disponíveis, em que outros treinadores se formaram.

Gerónimo Neto e Vivaldo Eduardo, não possuem apenas formações \"em seu currículo\". São profissionais com formação média em Educação Física (a única disponível no país, na época) que não beneficiaram de bolsas de estudo, embora tenham sempre feito parte do quadro de honra, tanto no ensino médio referido, como no ensino superior.

Ambos foram autorizados e apoiados pela Federação Angolana, no sentido de fazerem todas formações em Portugal, possuindo o cartão CIPA que os habilita a treinar equipas naquele país, como tiveram o privilégio de o fazer.

Noutras condições, não recorreríamos à imodéstia de referir que, a par de outros treinadores angolanos, concluímos a formação de nível quatro, devidamente certificada pela Formand (instituição responsável pela formação de treinadores de andebol de Portugal) e levados ao conhecimento da FAAND.

Tivemos ainda o privilégio de assistir ao primeiro Master Coach de Andebol de Portugal, formação dirigida, em princípio, exclusivamente a treinadores europeus mas à qual tivemos acesso, por convite da Formand e apoio da FAAND.

Ou seja, se o ilustre colega se preocupasse em apurar os factos, antes de escrever, teria conhecimento de tudo isso. Poderia ver, com os próprios olhos os certificados emitidos pela Formand, em posse da Federação de Angola e que as suas fontes, intencionalmente omitiram. Ao colocar - se como arauto de causas nobres, deveria, antes, saber também que Filipe Cruz além da equivalência ao nível três, concedida pela Federação Portuguesa, frequentou e concluiu o nível quatro, em Leiria, com vários outros treinadores angolanos, entre eles, Vivaldo Eduardo, João Ricardo, Eduardo Macosso e Jorge Gonçalves, bem como alguns dos melhores treinadores portugueses da actualidade, designadamente, Carlos Resende, Carlos Ferreira, Victor Tchicolaév e Marco Guimarães.

Retratamo - nos, antecipadamente, pelo desconhecimento da \"onda de indignação dos treinadores angolanos de andebol, que depressa superou a vaga de curiosidade que deveria haver\", como o senhor Macedo refere no seu texto. Saiba caro colega que, desde 2011, altura em que conhecemos pessoalmente o treinador Morten Soubak, temos mantido contacto com o mesmo, na procura do conhecimento, tal como o fizemos com o treinador Jorge Duenas, espanhol, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, que trouxemos a Luanda para nos dar formação. Trouxemos também o espanhol Gerard La Sierra, uma dos maiores estudiosos da modalidade em Espanha.

Depois de várias tentativas fracassadas, por nosso meio, enquanto simples treinadores, para o trazer à Angola, assistimos à uma acção formativa orientada pelo técnico Morten Soubak, na galeria dos desportos, numa organização da FAAND, quando ele cá esteve, no torneio de preparação para o pré - olímpico.

Se houvesse, da parte do digníssimo jornalista Arlindo Macedo, o mínimo interesse em apurar os factos, a Federação angolana de Andebol iria informá - lo que os treinadores Vivaldo Eduardo, Edgar Neto e Armando Ngumbe se deslocaram ao Brasil, logo a seguir à conquista do título mundial pelo senhor Morten Soubak e assistiram ao ciclo de formações que o mesmo ministrou, no Rio Grande do Norte.

E lá aprendemos, de facto \"muitos truques e artes mágicas\". Interagimos imenso com o treinador e com a Confederação brasileira, sobretudo porque, ninguém mais se tinha deslocado de tão longe, para assistir a formação. Tivemos ajuda da Federação de Andebol de Angola, na aquisição dos bilhetes de passagem para o percurso Luanda / Rio de Janeiro, mas pagamos, do próprio bolso, todas outras despesas.

Não estamos em condições de garantir que todos treinadores acolheram a vinda do dinamarquês com todo carinho desse mundo. No entanto, é absolutamente abusivo e tendencioso, tomar a parte pelo todo, insinuando atitudes alheias à esmagadora maioria de treinadores.

Reiteradas vezes recebemos e acolhemos bem treinadores estrangeiros. Aprendemos com eles, porque reconhecemos a nossa pequenez na imensidão do processo de conhecimento. No entanto, isso não dá a si, ou a qualquer outra pessoa, o direito de espezinhar os treinadores nacionais.

Relativamente ao Futebol, apraz - nos dar a conhecer ao colega que vários angolanos possuem licenças da CAF, para exercício da profissão. Pode constatar isso com relativa facilidade, pois os treinadores que orientam o Girabola Zap devem disso fazer prova. Na sequência da onda de desinformação e descredibilização dos treinadores nacionais que o senhor lançou, tivemos o cuidado de confirmar estes factos.

Já agora, recorrendo ao seu exemplo, apesar dos, frequentemente reiterados, quarenta anos que o senhor tem de jornalismo, era importante qualificá - lo, em função do que escreveu, tal como em pedagogia, avaliamos o estudante por aquilo que diz ou escreve.

Neste particular, com estes erros de palmatória, sinceramente, fica difícil perceber, se, de mestre renomado, para muitos de nós, o senhor passou a estagiário, sem orientação, ou a mero difusor de recados, imanados por mentes recalcadas e incapazes de dar a cara ao manifesto.
*Treinador de andebol e jornalista
Vivaldo Eduardo

Últimas Opiniões

  • 26 de Março, 2017

    A pensar no Afrobasket

    A Selecção Nacional de basquetebol começa hoje a competir, em Lusaka, no torneio de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, cuja fase final está aprazada para a República do Congo Brazzaville, no período de 19 a 31 de Agosto próximo. Angola defronta, às 18 horas, a similar da África do Sul.

    Ler mais »

  • 25 de Março, 2017

    Citações

    A liderança da equipa nesta fase, não é obra do acaso, mas fruto de um grande desejo e muita entrega do grupo de trabalho, no dia a dia.

    Ler mais »

  • 25 de Março, 2017

    Maputo nas atenções

    Depois de perder o comboio para o Mundial da Rússia e  CAN\\\'2017 o grupo ficou desmobilizado

    Ler mais »

  • 24 de Março, 2017

    Citações

    Penso que já era tempo. Estava ansioso para regressar e assim aconteceu.

    Ler mais »

  • 24 de Março, 2017

    Eleições e eleições

    As eleições nas associações desportivas têm vindo a ser marcadas por forte disputa. Vimos ao longo do ano passado em algumas federações qual foi a batalha em que se viram envolvidos os candidatos na perspectiva de atingir os cargos a que se propunham.

    Ler mais »

Ver todas »