Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Augusto Fernandes

O "efeitoa" Vaseljevic

25 de Janeiro, 2018
ASelecção Nacional de futebol, Palancas Negras, surpreendeu o país pela positiva, ao vencer a sua congénere dos Camarões, por 1-0, no sábado.
Não fomos surpreendidos pela vitória em si, mas pela forma como os nossos rapazes arrancaram a vitória diante de um adversário considerado colosso do nosso futebol e que ostenta quatro títulos continentais.
A vitoria no jogo com os Leões (in)domáveis, foi fruto de uma atitude mental muito nobre da parte dos nossos jogadores, e há muito não se viam os Palancas Negras nos últimos 11 anos, depois da excelente prestação no campeonato do Mundo da Alemanha em 2006.É imperiosos frisar, que 2006 foi um ano marcante para o futebol angolano, porque depois de se qualificar de forma inédita e surpreendente para o referido Mundial, o futebol Angola que atingiu o tecto máximo ao apurar-se pela primeira vez para um CAN em 1996, com Carlos Alinho ao comando, o nosso futebol começou a regredir de forma assustadora.
Entretanto, tivemos um momento glorioso no CAN do Ghana em 2008, em que chegamos pela primeira vez aos quartos - de -final, vencemos o Senegal por 3-1, na que em minha opinião foi a melhor exibição dos Palalacas Negras num CAN, com jogadores como Lamá, Manucho,( marcou dois golos) Kaly, Marco Airosa, Locó, Flávio, André Makanca, Gilberto e outros.
Daí em diante, mesmo a organizar o CAN de 2010, a qualidade do nosso futebol começou a baixar cada vez mais de nível, a começar pelo tristemente célebre empate diante do Mali por 4-4, quando a dez minutos do fim vencíamos por 4-0.
O lema “estamos sempre a subir” que norteou os angolanos quando nos qualificamos para o Mundial de 2006 na Alemanha, inverteu-se: fomos sempre a descer. A vitória dos Palancas Negras diante dos Camarões e a sua qualificação para os quartos -de -final ainda não reverteu o quadro geral do nosso futebol.
Contudo, queremos aqui ressaltar a grande capacidade de mobilização do treinador SrdjanVaseljevic, por inculcar na mente dos jogadores a ideia de que eram capazes de superar os Camarões.
Ao longo do jogo, notamos que o onze angolano, que não difere muito do que foi utilizado ao longo da campanha que nos conduziu ao presente CHAN, com excepção dos jogadores do 1º de Agosto que não estão presentes e a inclusão de dois ou três jogadores, sofreu uma grande metamorfose em termos psicológicos.
Isto, implica dizer, que psicologicamente o treinador Vaseljevic está capacitado e faz jus à grande verdade que o treinador é o principal psicólogo da equipa.
A ideia de ter um psicólogo à parte, é alternativa que não se deve ter em conta ao contratar um treinador.Ao longo dos 90 minutos diante dos Camarões, vimos uma equipa aguerrida, com grande poder físico, quer na defesa como ao meio campo.
Tecnicamente, ainda não estamos bem. Estamos muito longe das épocas em que contávamos com jogadores como, Napoleão, Garcia, Jesus, Ndunguidi, Eduardo Machado, Sarmento, Vicy, Chico Afonso, Mavó, Saavedra, Paulão, Akwá, Flávio e outras grandes “feras” que o pais já viu jogar.
Deu para ver, que afinal de contas, um jogador é como a argila nas mãos de um oleiro. Tudo depende da capacidade do oleiro, ou seja, do treinador na ordem dos 50 por cento.
Portanto, há muitos anos que não víamos a nossa selecção jogar como o fez com os camaroneses. Uma equipa com muita atitude e que jogou sempre tendo em mente a defesa da honra.É verdade, que temos muito trabalho a fazer, com relação à formação de jogadores talentosos. Não basta termos um campeonato razoável.
Temos de trabalhar para colocar os nosso jogadores nos melhores campeonatos do Mundo, assim como acontece com Cabo Verde, Burquina Faso, Gabão e outras equipas que há dez anos atrás eram consideradas fracas. Por isso, quero aproveitar a ocasião para elogiar, publicamente, o treinador Vaseljevic e seus companheiros, pela forma como incutiram na mente dos nossos jogadores, o espírito guerreiro que foi decisivo para a vitória no jogo com os Camarões.

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