Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O filme que se repete

11 de Agosto, 2011
São justas as manifestações de preocupação e de interrogações, evidenciadas por adeptos do futebol, em relação à prestação dos Palancas Negras, dia 4 de Setembro próximo, em Luanda, diante da selecção nacional do Uganda, para a penúltima jornada do grupo J, de apuramento à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN/2012), que, como é do domínio público, vai ocorrer em simultâneo no Gabão e Guiné-Equatorial.

A obtenção de um resultado positivo da selecção angolana, que ocupa o segundo posto, atrás do seu adversário, abre grandes perspectivas no que concerne à sua qualificação, em função de lhe permitir, em termos pontuais, encostar-se ao líder. Uma possível derrota, ou na pior das hipóteses, um empate da selecção do Quénia (terceiro classificado), diante do lanterna vermelha (Guiné-Bissau), em Nairobi, para a mesma jornada, transporta para a derradeira ronda a possível qualificação directa ou alcance do segundo posto pelos Palancas Negras.

As manifestações de preocupação ganharam corpo, com a recente cobrança efectuada pelos atletas, na véspera da viagem para Monróvia, onde na passada quarta-feira, a selecção nacional de Angola efectuou um encontro amigável com a sua congénere da Libéria, enquadrado em mais uma Data FIFA. Os atletas promotores de tal manifestação cobram os prémios de jogo, subsídios de deslocação e o prémio por terem alcançado a segunda posição no Campeonato Africano para “domésticos” (CHAN), que em Janeiro teve lugar no Sudão.

A estes juntam–se outros que actuam no estrangeiro, por causa do dinheiro gasto na aquisição de bilhetes de passagem para se deslocarem a Angola, onde em ocasiões anteriores, ficaram ao serviço dos Palancas Negras. Este cenário, que se repete, não acontece apenas com os “AA” do futebol, que como é do domínio público, preparam uma “empreitada” que se prevê difícil, que começa a 4 do próximo mês, em Luanda, diante da representação ugandesa e termina depois, em Bissau, frente à selecção nacional da Guiné–Bissau. Aconteceu com outras selecções nacionais de futebol e de outras modalidades. Os confrontos em referência são pontuáveis para a penúltima e derradeira jornada de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações.

Depois de terem recebido as garantias do antigo presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Justino Fernandes, quando se encontrava em fim de mandato, que o organismo que rege o futebol nacional honrava os seus compromissos, para espanto de todos, fica-se agora a saber que não aconteceu o prometido. Assim, Pedro Neto e seus colaboradores, que dentro de dois dias vão assinalar os primeiros (30) trinta dias de mandato, têm mais um dos muitos “pepinos” para descascar, trazidos da direcção anterior.

De igual modo se encontram os membros da equipa técnica, que reclamam o pagamento de quatro meses de salários, mesmo depois de Lito Vidigal ter recebido garantias de que a dívida seria paga, no decorrer de um encontro que manteve recentemente com o Ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba. O certo é que mais uma vez se está na presença de factos constrangedores, não obstante uma fonte da Federação Angolana de Futebol, em entrevista publicada por este Jornal, na sua edição de segunda–feira, ter garantido que o assunto está em vias de solução.

Pensamos que o mais sensato era, para além da quantia financeira que os atletas e técnicos se acham no direito de receber, que esta situação fosse solucionada em tempo útil e em sede própria, pois está a provocar transtornos aos visados, que possuem agregados familiares sob sua responsabilidade. Ainda que o profissionalismo no desporto não esteja institucionalizado em Angola, os atletas deixaram de o praticar por amor à camisola.

De recordar que para além do estatuto do Atleta de Alta Competição, o Ministério da Juventude e Desportos, como órgão que chama a si a orientação, regulação e cumprimento do desporto em Angola, possui uma tabela que rege o pagamento de tributos financeiros aos integrantes das várias selecções nacionais. A mesma é feita em função das classificações (primeiro, segundo e terceiro lugares) em competições continentais, regionais e ainda em jogos “amigáveis”. A participação em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo também constam na referida tabela, que foi aprovada pelo Conselho de Ministros e recentemente actualizada.

Leonel Libório


Em Profundidade

Quatro pontos em 18 possíveis!

Depois de sucessivos tropeços, a equipa do Palanca “largou o osso” da liderança. Para quem perdeu tantos pontos nos últimos seis jogos, não se esperava outra coisa. A derrota nos Kurikutelas foi o enterrar da posição privilegiada de líder ao longo de nove jornadas. Tomou a liderança na jornada dez e foi despojado na 20ª.Nas últimas seis jornadas, a equipa de Bento Kangamba averbou uma vitória, um empate e quatro derrotas. Em 18 pontos possíveis, o Kabuscorp somou apenas quatro.

Um aproveitamento de cerca de 22 por cento nos últimos seis jogos. Números que espelham o quanto tem sido sofrível as exibições do conjunto dirigido pelo russo Viktor Bondarenko. A perda da liderança, depois de estar no poleiro nove jornadas, é um duro revés para os seus adeptos que, semana após semana, acompanham e incentivam a equipa. À espera do tropeço do Kabuscorp estiveram os seus mais directos perseguidores. O Petro de Luanda e o Recreativo do Libolo. Se o primeiro perdeu dois pontos, o conjunto do Kwanza-Sul venceu no sempre difícil reduto do 1º de Maio.

Com os resultados alcançados, petrolíferos e libolenses “atiraram” o Kabuscorp para a terceira posição, somando, no entanto, as três equipas os mesmos 34 pontos.Apesar da equipa do Palanca ter vencido, na primeira volta, o Petro e o Libolo, e porque ainda não se encontraram nesta segunda volta, os regulamentos dão primazia a vantagem no “goal-average”. O Petro, que marcou 30 golos e sofreu 17, lidera por possuir um saldo positivo de 13 golos. O Recreativo do Libolo +11 (30-19) é segundo e só depois aparece o então líder, Kabuscorp, que tem um saldo positivo de apenas seis golos (26-20).

Deste triunvirato, o Recreativo do Libolo é aquele que, nas últimas seis jornadas (15ª a 20ª), somou o maior número de pontos. Em 18 possíveis, a equipa de Zeca Amaral averbou 2 D, 1 E e 3 V, o equivalente a 10 pontos (cerca de 55 por cento). O Petro de Luanda, por sua vez, totalizou, em igual número de jogos, oito pontos (cerca de 44%), de cinco empates e uma vitória. Pese todo estes números, dizer que há males que vêm para bem. E o bem é ver o Girabola bastante equilibrado.

Aliás, há muito não se via este equilíbrio. Quando restam 10 jornadas para o cair do pano da prova, os seis primeiros acalentam ainda esperanças de chegarem ao título. Para além do Kabuscor, Petro de Luanda e Recreativo do Libolo, todas com 34 pontos, o 1º de Agosto (32), Recreativo da Caála (29) e o Interclube (28) têm muitas hipóteses de lá chegarem. O equilíbrio não se nota apenas na luta pela conquista do título.

No que diz respeito à despromoção, tirando a Académica do Lobito que, com os seus 14 pontos, tem praticamente definido o seu regresso ao escalão inferior, é difícil prever os seus acompanhantes. A diferença pontual é tão reduzida que, neste momento, não se pode fazer uma previsão.

Policarpoda Rosa

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