Jornal dos Desportos

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Opinio

O futebol faz diplomacia

16 de Agosto, 2018
A minha primeira viagem para Europa foi dentro da casa, onde vivia com os meus pais no município do Cazenga. Através das vozes sonantes de Arlindo Macedo, Zeca Martins e Vaz Kinguri, vindas de quatro colunas de uma estação radiofónica chamada de 5. O grande programa \"Fora de Campo\" da Rádio Eclésia e as manhas desportivas da Rádio 5, davam-me uma graduação universitária em geopolítica.
Os clubes de futebol à volta do mundo, normalmente trazem nas suas denominações os nomes das cidades de origem. A título de exemplo vimos muitos clubes como: Chelsea FC, CSKA de Moscovo, Real Madrid, AC Milan, FC Porto, Esperance de Tunis, Canon de Yaoundé, Petro de Luanda, etc.
Podemos constatar que uma equipa de futebol destacada a nível internacional, consegue fazer diplomacia além fronteira, colocando o nome da sua cidade na boca do mundo inteiro. Lembro-me de ver hasteado a Bandeira de Novembro no estádio da Luz, com os brilhantes golos de Mantorras. A minha memória viaja até nos longínquos anos de glória de Quinzinho, no FC Porto.
A imprensa portuguesa divulgou trocas de palavras entre o Presidente americano Donald Tromp e Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal, devido o craque madeirense Cristiano Ronaldo, considerado melhor jogador do mundo.
O primeiro-ministro albanês, abriu uma conta bancária para que os seus concidadãos doassem dinheiro, para permitir pagar as multas de Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri, por terem celebrado os golos contra a Sérvia, fazendo o gesto da águia bicéfala, símbolo da Grande Albânia, que teve grande repercussão geopolítica nos Balcãs.
É verdade que no Mundial da Rússia, os africanos triunfaram jogando pela Bélgica, Inglaterra e França. Homens que deixaram o Congo, Guiné, Marrocos, Camarões, Argélia, Mali, Nigéria e Angola, para tentar a vida na Europa. Muitas bandeiras desses países foram hasteadas na final da Copa da Rússia, quando a França ergueu o troféu.
E agora me pergunto, por que os dirigentes angolanos não apostam numa política eficaz para o desporto, em particular o futebol. Com o futebol a florir, podemos colocar mais longe o nome do nosso país no mundo e das nossas cidades, é possível atrair turistas com o futebol. Lembro-me de egípcios que chegaram de vir conhecer a terra de Gilberto e Flávio Amado e ainda a história do angolano, que chegou de não pagar numa loja no Egipto, por ser conterrâneo do angolano Gilberto.
Futebol é considerado o desporto das emoções e o mais popular entre todas as modalidades existentes na circunferência dos desportos, é praticado por mais de 270 milhões de pessoas à volta do mundo inteiro, segundo dados (FIFA,2016).
O Mundial é o evento desportivo mais famoso que existe e onde muitos países, representados, aproveitam fazer actividades relacionadas com a cultura de povo para povo, e até mesmo abrir relações diplomáticas do ponto de vista politico e cultural.
Edvaldo Lemos

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