Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O futebol adaptado e a festa que o pas acolhe

05 de Outubro, 2019
O nosso País alberga, desde ontem, o Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol adaptado. Mais do que uma prova de carácter competitivo, é igualmente uma ampla campanha de diplomacia desportiva, que eleva a imagem de Angola num patamar superior, se tivermos em conta factores de variada índole, que posso a seguir explicar com detalhes.
O primeiro é, sem dúvidas, pelo facto de termos sido, bem recentemente, campeões mundiais da modalidade e, por via disso, aumentarem as nossas responsabilidades competitivas; a seguir porque, tendo sido Angola fustigada por uma guerra fratricida, pressupõe-se que, por causa deste mal, muitas minas tenham sido “plantadas” no solo e, na consequência da guerra, muitos dos nossos irmãos perderam os membros inferiores ou superiores e outros ainda, infelizmente, tiveram que pagar com sangue e com a própria vida o preço da paz, que graças a qual é possível hoje albergarmos esta cimeira competitiva como, de resto já o fizemos em demais modalidades, com particular destaque ao CAN de futebol (normal); Mundial de Hóquei em patins e várias outras competições africanas nas modalidades de basquetebol e andebol. Angola tem assim a oportunidade de espalhar o seu “perfume” e, por via disso, capitalizar outros interesses de que vem hoje participar na competição.
Ainda nesta esteira, temos que dizer que a promoção consequente e feliz do desporto adaptado, contribui de maneira favorável para recuperação da auto-estima. Mostrar às pessoas, que a deficiência física não é deficiência mental. Todos somos poucos, para erguer o nosso País à patamares cada vez mais altos. Cada um deve dar o seu contributo onde puder, como puder.
Vista assim as coisas, temos que concordar que Angola, com mais esta realização, inscreve o seu nome na galeria de países africanos com referência e reverência. Contudo, no capítulo competitivo, como o principal vulto por ser a actual campeão mundial em título, depois da façanha, em Novembro passado, no México.
O título mundial em si, confere ao nosso País muitas responsabilidades. O combinado nacional é assim chamado a provar nesta prova continental, as suas performances e o seu potencial. Augusto Baptista “Chieto” e pupilos devem, em campo, mostrar à África o vigor e a força deste País. Por isso, o CAN em futebol adaptado, que iniciou ontem em Benguela, deve ser uma porta aberta para que o “mundo” conheça, mais uma vez Angola, um país verdadeiramente do futebol e particularmente do desporto adaptado. Temos que reconhecer que, nisso temos até tradição. O exemplo é, sem dúvidas, de José Armando Sayovo, um ex-militar que ficou cego em consequência de uma mina, na guerra e, ainda assim, não se sentiu rogado e lançou-se às pistas de atletismo, colocando em evidências as suas capacidades físicas. Como resultado, conquistou o mundo. Venceu e ultrapassou barreiras e… conquistou medalhas em mundiais e em Jogos Olímpicos. Sayovo, hoje, é o nosso orgulho. Posso arriscar em dizer inclusive, que é o símbolo do desporto adaptado, em Angola.
Voltando ao Campeonato Africano das Nações em Futebol Adaptado, devo dizer que é uma das grandes oportunidades que temos de dar largas à nossa alegria. A nossa satisfação. Acarinhar os campeões do mundo para que eles possam repetir a proeza. Vencer a prova aqui em casa. Por outro lado, gostaria de fazer algumas críticas à organização da prova. Principalmente aos angolanos que estiveram envolvidos no comité organizador. Infelizmente, vimos pouca publicidade, pouco marketing, pouca informação, pouca promoção deste evento.
Verdade seja dita, tem havido pouquíssima divulgação do evento. Na minha humilde opinião, deveria haver mais. Muito mais. Com venda de “mershandising”, no sentido de se estender a dar a conhecer à todos os cantos de que Angola está de facto a organizar esta prova mais, porque os campeões mundiais somos nós. Neste quesito parece que houve algumas derrapagens. Será que os momentos de crise ditaram esta retracção?
Infelizmente, hoje, são poucos os angolanos que de forma extensiva sabem que Angola irá albergar em Benguela esta competição. Acho que pouca gente sabe. Isso porque não houve, creio eu, uma campanha de comunicação estruturada e capaz de contagiar o angolano comum a se identificar com a causa.
Comparecendo em número razoável no estádio, procurando igualmente acarinhar os jogadores e aplaudir a cada jogada executada e, claro está, puxando exaustivamente por Angola para que se sagre, de igual modo, campeã, desta feita continental.
Por esta razão, com Benguela transformada na capital do futebol adaptado africano estamos em crer que, com a experiência acumulada aquando da realização do CAN 2010, em futebol normal, os benguelenses afinaram e capricharam em todos os aspectos que se ligam à organização de grande evento, como este. Tomara que tudo corra pelo melhor e que ganhe o melhor, e o melhor seja, obviamente, Angola. Bem-Haja!
O futebol adaptado e a festa que o país acolhe. Moras Canãmua

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