Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O futebol sempre

02 de Setembro, 2016
Amanhã, a Selecção Nacional defronta o Madagáscar para a última jornada do torneio qualificativo ao CAN’2017 na condição de mera observadora da "coisa". Dir-se-ia que já sem objectivos a defender, ainda que se diga por ai que pretende evitar o último lugar. Portanto, procura, como prémio, o penúltimo lugar. É só o que nos faltava, com este futebol que “estamucoele”, numa verdadeira exposição de acentuada imaturidade competitiva.

Aliás, esta incompetência , resultante de uma desorganização estrutural, há muito ditou o nosso destino, há muito riscou os Palancas da lista daqueles que se podem alvitrar como capazes. Tem sido assim nas últimas presenças em competições internacionais. As qualificações em fases finais dos CAN em que participamos foram sempre sofríveis, obtidas "in-extremis", na maior das vezes com um empurrãozinho de terceiros. Onde está o nosso mérito afinal?

Mesmo no ano em que organizamos o campeonato no nosso país fomos favorecidos pela condição de anfitriões, porque as eliminatórias combinadas, que apuravam igualmente para o Mundial da África o Sul soçobramos à partida. Apetece perguntar saber que percepção devem ter de nós os outros países, que num passado não muito distante aplaudiram a nossa meteórica ascensão no ranking.

É sabido que o futebol angolano a nível de selecções já teve uma época áurea. Os finais da década 90, altura em que se obtém a qualificação e participação no primeiro campeonato africano das Nações, foram realmente de uma explosão fora de série, com a aparição de jogadores exímios, entre aqueles da praça nacional e outros que eram descobertos na diáspora, no quadro de um trabalho sério e aturado de sondagem e prospecção.

A decadência, vai-se lá saber por que razão, começou nos finais de última década, de sorte que quando o país acolheu o CAN'2010, a nossa selecção já era aquilo que se ousa dizer ”nem peixe nem carne”. Os astros de Alhinho já tinham pendurado as botas. Jogadores como Neto, Hélder Vicente, Jony, Paulão, Castela, Akwá e demais, já não andavam aí.

Agora que o CAN’2017 passou para a conversa é preciso que se repense seriamente o futuro da selecção, ainda que a solução exija uma reestruturação profunda. Assistimos a emergência de novos talentos a nível das selecções inferiores. Talvez seja oportuno que se lhes dê uma oportunidade, quanto mais não seja uma forma de se ir já fazendo a renovação que se impõe.

Fora disso, o aconselhável será parar para repensar o futebol, porque numa fase em que a condição económica aconselha o apertar de cintos, não é concebível que o Estado estoire avultadas somas em dinheiro no suporte de desportos que não dão nenhum rendimento. Lembremo-nos das palavras de Sua Excelência o Presidente da República no seu discurso de abertura do último Congresso do MPLA.

Na verdade, o “statu quo" do futebol nacional continua a preocupar, mesmo depois daquela fanfarra que levou a realização, o ano passado, da tal Conferência Nacional do Futebol. A propósito: haverá já algum resultado desse conclave? OU foi apenas um show off à maneira “muangolê?
Matias Adriano

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