Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O futuro comea agora

02 de Fevereiro, 2016
Longe de qualquer sentimento chauvinista, somos a favor da integração de treinadores e atletas estrangeiros no desporto nacional como é o caso no futebol, desde que acrescentem mais-valias. Acontece que em função de maior consciencialização da maioria dos dirigentes desportivos angolanos, ou se devido a crise económica mundial que também se reflecte na dinâmica dos clubes, o certo é que começa a ganhar consistência o facto de alguns clubes incluindo os que beneficiam de maiores orçamentos financeiros optarem pela “prata da casa,” e pelo lançamento de uma considerável quantidade de jovens saídos dos juniores, como reforços para a época de 2016.

A época 2016 tem início a 07 do mês vigente, com a realização da Super-taça que vai colocar frente à frente o Recreativo do Libolo e o FC Bravos do Maquis, respectivamente, campeão nacional e vencedor da Taça de Angola, referentes à época finda. Não deixa de constituir um indicativo positivo, porquanto vai permitir que alguns jovens que no escalão sub-20 mostravam valor e capacidade de interpretação técnica aceitáveis, não dispunham de oportunidades para o demonstrar quando atingissem os seniores, agora podem fazê-lo.

À excepção do campeão nacional, o Recreativo do Libolo, do Benfica de Luanda, Sagrada Esperança e do Kabuskorp do Palanca equipas de nomeada que possuem nos seus organigramas os escalões de formação, mas que priorizam a contratação de atletas estrangeiros e nacionais já formados alguns dos quais na curva descendente das suas carreiras devido a idade avançada, residentes no país e ou na diáspora, os demais uns mais do que os outros servem de exemplo para o que atrás está descrito.

Habitualmente inclinados à “importação” de atletas expatriados e angolanos residentes no estrangeiro com os custos daí decorrentes, clubes como o Petro de Luanda, Interclube de Angola, Atlético Sport Aviação (ASA), 1º de Agosto e Progresso do Sambizanga que ao longo das épocas destacaram-se no lançamento de jovens para as épocas seguintes, incidiram mais nessa vertente, facto que vai trazer resultados positivos à qualidade do futebol nacional a nível dos clubes e das selecções nacionais, que podem melhorar as suas performances nas competições internas e externas.

É reconfortante saber-se que o 1º de Agosto que para muitos é a equipa que futebol de melhor qualidade apresentou na época passada, contou com sete elementos, saídos da sua “cantera”. O Progresso do Sambizanga inscreveu para a próxima época dez jovens promovidos a séniores, cinco saídos dos seus escalões de base e igual quantidade oriunda do Real Sambila. Isso, decorre do facto de esses clubes terem incidido de forma mais eficaz nos escalões etários, o que está a ser seguido pelas demais agremiações do Girabola que também já começam a “ver com olhos de ver” a formação como sustentabilidade do futebol nacional.

É um facto, que os erros de palmatória devem ser corrigidos nos escalões de formação, como a recepção e passe do esférico em tempo oportuno, desmarcações, dribles, posicionamento no recinto de jogo, assim como as compensações que até há um par de anos eram evidentes nos seniores, incluindo na Selecção Nacional, foram substancialmente reduzidos.

Convém destacar, que continua a ser cada vez mais contestada nos meios futebolísticos, a decisão da Federação angolana da modalidade que autoriza a partir da próxima época a utilização de cinco atletas estrangeiros, por clube numa partida. A legalidade dessa decisão, que surgiu em concordância com os clubes, começa a ser contestada antes de entrar em vigor.

Está-se diante de uma incongruência, se nos atermos ao facto de que tal decisão foi aprovada pelo órgão reitor do futebol nacional, em articulação com os clubes. Isso, não é de estranhar já que se tornou recorrente os representantes dos clubes e das Associações provinciais mostrarem-se avessos às decisões com as quais concordaram em reuniões e em assembleias gerais com a direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF).

De realçar o facto da maioria dos clubes, cujas direcções que até ao ano passado argumentavam que as suas equipas efectuavam estágios pré - competitivos no estrangeiro por considerarem menos onerosos do que ocorressem em Angola, terem preferido a região sul e leste do país.
A excepção é feita ao Recreativo do Libolo, Kabuskorp do Palanca, Benfica de Luanda, Interclube de Angola, Progresso do Sambizanga e Sagrada Esperança que optaram as três primeiras pela Europa e as restantes por África, para concluírem a pré-época.

Na verdade, ao procederem ao lançamento de jovens para a alta-roda do futebol nacional, os dirigentes dos clubes permitem que os atletas saídos dos escalões etários disponham de maior margem de evolução e de progressão. Não obstante a FAF depois auscultar os clubes, autorizar a utilização em simultâneo de cinco atletas estrangeiros numa partida do Girabola, algumas vozes fazem-se ouvir no sentido de que o organismo reitor da modalidade - rainha encontre formas de os clubes inscreverem três ou mais atletas com idades inferiores a 20 anos, o que é de considerar.
Leonel Libório

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