Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

O futuro dos Palancas Negras

29 de Março, 2018
A Selecção Nacional de futebol, moldada a Srdjan Vasiljevic, ainda está longe do que os angolanos esperam. Depois da prestação negativa (negativa, sim) no CHAN/2018 que se disputou em Marrocos, em que foi eliminada nos quartos de final, os Palancas Negras voltaram a uma prestação nada condizente, no Torneio das Quatro Nações realizado na Zâmbia, apesar de lograr o terceiro lugar.
Muitos devem contrariar este meu pensamento. Uns podem dizer que a Selecção Nacional esteve ao seu melhor nível e que não teve sorte. Compreendo e respeito todas as opiniões, da mesma forma que peço que respeitem o meu ponto de vista! Pergunto: a selecção trouxe algum título de Marrocos? Não. E, da Zâmbia o que trouxe? Também nada.
De um tempo à esta parte, a nossa Selecção Nacional habituou-nos a marcar presença nas fases finais dos principais torneios internacionais, acumulou bons resultados que agora, todos queremos ver repetidos.
O cenário actual é dramático, o tema que sobressai e em discussão é a matéria - prima e o futuro da Selecção. Sabemos não abundam jogadores de qualidade; sabemos também que as convocatórias deixam muitos adeptos (nos quais me incluo) desgostosos e apreensivos.
Acerca da convocatória para o Torneio da Zâmbia, gostava de saber a razão por que os jogadores do 1º de Agosto castigados pela FAF, por não se terem apresentado para o CHAN não foram convocados!
A última palavra pertence ao treinador. Concordo, plenamente. O que não concordo é por que nenhum foi convocado! Será que continuam castigados? Pelos vistos sim. A verdade é que muitos dos castigados possuem valor mais do que suficiente para integrar os Palancas Negras. Podem dizer-me que não, mas tudo indica haver a mão da FAF.
Ainda em relação à ausência dos referidos jogadores no CHAN, posso dizer que teve efeitos positivos para os clubes, no caso o 1º de Agosto que a contrariar os propósitos da FAF conseguiu o passaporte para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
A FAF devia ter em conta que o 1º de Agosto iniciou uma nova fase, com um treinador novo. Então, a presença de todos os jogadores era imprescindível aos propósitos delineados pela direcção do clube. Por outro lado, os jogadores são activos dos clubes.
Pergunto: a presença de jogadores do Petro no CHAN, não influenciou no afastamento precoce, diga-se, da Taça Nelson Mandela? Cada um faça a sua interpretação.
Ainda, em relação aos Palancas Negras, pergunto. Será assim tão sombrio o futuro da nossa Selecção Nacional?
Normalmente, penso haver sempre uma razão para o que nos acontece. Atento, às exibições dos Palancas Negras nestes dois torneios (CHAN e o Torneio das Quatro Nações), devo dizer que não jogámos de forma diferente da que foi a campanha de apuramento para as competições que as antecederam. Exibições paupérrimas, que deixaram os angolanos à beira de um ataque de nervos.
Lembro-me, como era a nossa selecção, há doze anos atrás. Cada jogo que fizéssemos com equipas supostamente mais fortes era uma final. E, se ganhássemos era uma autêntica festa. Depois vieram os mundiais de Sub-20 e de Honras, disputados na Argentina e na Alemanha, respectivamente. A partir daí, pensou-se que tudo ia mudar no nosso futebol. A “geração de oiro” habituou (mal) os angolanos a superarem as dificuldades e a ganharem jogos atrás de jogos.
Mal a geração de Mantorras, Gilberto, Figueiredo, André Macanga deixou de jogar, a qualidade da nossa selecção caiu vertiginosamente, até assentar num nível quase sofrível, do qual vai ter dificuldades de sair.
O próximo compromisso dos Palancas Negras acontece no dia 7 de Setembro, quando defrontar o Botswana para a segunda jornada de apuramento à fase final do CAN/2019, a disputar-se nos Camarões. O grupo de Angola até nem é mau, todavia, a ter em consideração o que se passou recentemente no Reino de Marrocos e na Zâmbia, tudo pode acontecer.
Por isso, a distar ainda alguns meses, urge redefinir vontades, desejos e apostas. Há essencialmente que renovar. Não só os jogadores, obviamente, mas prioritariamente as mentalidades de todos quantos trabalham no mundo do futebol nacional. A começar pelo dirigismo desportivo que como é notório, entre nós, raia à mediocridade.
Sem esta profunda alteração de visão estratégica e não só, as selecções nacionais, nos mais variados escalões, arriscam-se a uma longuíssima travessia no deserto.Eu gostaria que não fosse assim!

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