Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O futuro dos Palancas Negras (concluso)

05 de Abril, 2018
A semana passada, aqui neste mesmo espaço, abordei a primeira parte do tema “O futuro dos Palancas Negras”. Um tema que não se esgota numa única ou duas edições, porque está sempre na actualidade dos amantes do futebol e não só. Neste segundo e último artigo, procuro explicar alguns dos aspectos que Angola tem que melhorar para regressar à elite do futebol continental e mundial.

O que falta aos Palancas Negras para ser uma selecção de topo em África e no mundo em geral? Qualidade individual? Trabalho desde a formação? Mais investimento? Melhores infra-estruturas? Enfim, uma série de questões que cada adepto do futebol e não só deve colocar a si próprio para chegar a uma conclusão.

Já se passaram cerca de 12 anos desde a última participação de Angola numa grande competição internacional de futebol, concretamente no Campeonato do Mundo de 2006, disputado na Alemanha, sob comando do técnico angolano Oliveira Gonçalves. Antes, no escalão de Sub-20, teve também o prazer de marcar presença numa fase final do Mundial da categoria disputado na Argentina, fruto do título africano conquistado na Etiópia, também sob comando de Oliveira Gonçalves.

Em 2010, Angola também já teve o privilégio de organizar um Campeonato Africano das Nações (CAN), para além de algumas presenças nas fases finais da referida competição.

Contudo, nos últimos anos a qualidade dos Palancas Negras decaiu vertiginosamente. Está num patamar bastante sofrível e por aquilo que temos vindo a observar não será fácil dar a volta por cima.

Falar sobre o actual momento da Selecção Nacional tem sido o tema principal nos restaurantes, nos empregos e nos transportes, vulgo candongueiros. Um tema que, pela sua actualidade, ocupa muitos dias de conversa, quiçá semanas. Vêm a terreiro todo o tipo de comentadores (eu incluído!) munidos de certezas sobre o mau percurso dos Palancas Negras nos últimos tempos.

A Selecção Nacional está a trilhar um novo caminho, desde que Srdjan Vasiljevic foi contratado pela FAF para substituir a anterior equipa técnica.. A sua chegada ao comando da equipa foi uma lufada de ar fresco para o futebol nacional, visto que a qualidade de jogo aumentou, embora os resultados desta qualidade tardam a chegar.

Desde que assumiu o comando técnico dos Palancas Negras que Srdjan Vasiljevic tem vindo a promover, ainda que muito lentamente, a tão falada e desejada renovação, sem colocar em causa os resultados e sem abdicar de jogadores mais velhos e que ainda são e estão a ser muito úteis.

Nas laterais da defesa e do meio campo para a frente há várias alternativas, mas quando se olha para a zona central da defesa, aí começam as primeiras preocupações, mesmo tendo à cabeça Bastos, defesa da Lázio de Itália e neste momento a estrela mais cintilante da Selecção Nacional.

Apesar dos resultados positivos tardarem a chegar, a grande aposta do momento é o apuramento para a fase final do CAN/2019, a disputar-se nos Camarões. Depois da derrota na jornada inaugural, diante do Burkina Faso, em Ougadougou, as atenções estão viradas para o confronto diante do Botswana, no dia 7 de Setembro no 11 de Novembro.

Pessoalmente creio que o futuro do futebol nacional deverá ser risonho, porque há muitas e boas alternativas. Até ao jogo contra o Botswana poderão surgir outros nomes e assim aumentar o leque de alternativas que poderão embaraçar as escolhas do técnico Vasiljevic.

Sem pretender interferir no trabalho do técnico e por aquilo que pude constatar nos jogos do Torneio das Quatro Nações, em que o técnico contou, pela primeira vez, com jogadores a actuarem no exterior, a Selecção tanto pode jogar num 4-4-2, esquema actual da Selecção, como no habitual 4-3-3, com um avançado e dois extremos, servidos por três médios. É apenas o meu ponto de vista.

Contudo, e olhando mais para frente, é com alguma tristeza que volto a dizer que o futuro dos Palancas Negras não é assim tão risonho, devido ao péssimo trabalho que se tem levado a cabo nos sub-17, sub-19, sub-20 e sub-21.Cada um destes escalões tem vivido ciclos de insucesso ao longo dos últimos anos a nível internacional. Há muito que nenhuma destas selecções tem participado nas fases finais das provas continentais.

É fácil dizer que Srdjan Vasiljevic trouxe alguma inovação ao futebol nacional. Mas os resultados desta inovação só serão atingidos caso as novas gerações de jogadores consigam chegar perto do potencial que demonstram ao que se junta uma continuação do trabalho feito entre os anos 2004 e 2006, altura em que Angola esteve presente nos Mundiais de Sub-20 e de Honras.Se tudo isto acontecer o regresso de Angola a uma grande competição está para breve.
POLICARPO DA ROSA

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