Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O Girabola dos "aflitos"

19 de Setembro, 2013
Com a questão do título do Girabola 2013 quase resolvida a favor do Kabuskorp do Palanca, pois não nos passa pela cabeça que dos 21 pontos que estão em disputa até ao fim da competição, não consiga arrecadar os nove necessários para abrir o champanhe, o interesse no topo remete-se ao despique pelos segundo e terceiro postos, que garantem o direito de participar na próxima edição da Liga dos Clubes Campeões de África. Na parte baixa da classificação geral, o interesse e a emotividade cativam os aficionados que estão ávidos por saber quais as equipas que vão descer à Segundona. Na luta pelo segundo e terceiros postos, encontram-se o 1.º de Agosto (45) e o FC Bravos do Maquis (44).

De acordo com aquilo que a classificação geral apresenta, e tendo em conta que estão por realizar sete, o que significa que estão em disputa 21 pontos, os confrontos em que forem intervenientes o Recreativo da Caála (8.º/ 29), Desportivo da Huíla (9.º/28), Progresso do Sambizanga (10.º/26), 1.º de Maio de Benguela (11.º/24), Porcelana do Kwanza–Norte (12.º/22), ASA (13.º/19), Santos FC (14.º/19), Benfica de Luanda (15.º/18) e Atlético do Namibe (16.º/18) vão igualmente concentrar a atenção dos adeptos das diversas equipas e não só.

Na actual fase crucial da mais importante competição futebolística nacional a nível de clubes, onde qualquer ponto cedido vai ter influência negativa nas contas finais, como é natural, regista-se um empenho mais aturado dos dirigentes, técnicos, atletas, pessoal de apoio e adeptos em desenvolverem esforços para as suas equipas se manterem na “fina flor” do futebol nacional. Essas movimentações tornam a etapa derradeira do Girabola mais emotiva.

Apesar de acontecerem de forma isolada, começam a vir à tona, de forma precipitada, preocupações de dirigentes, de responsáveis e técnicos de alguns clubes, em função de alguns “casos” que possam acontecer, devido àquilo que consideram ser critérios dúbios de algumas arbitragens que podem prejudicar as suas equipas. Para evitar que tais suspeitas aconteçam, algumas das quais sem fundamento, achamos que o Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA), deve levar mais a sério a nomeação dos seus filiados para arbitrarem a parte final da prova, como forma de evitar que se coloque em causa a verdade desportiva, que deve constituir um dos principais lemas dos amantes do desporto.

Em função do que aconteceu em épocas anteriores, é natural poder haver situações em que, mesmo sem incorrerem em erros, os filiados do CCAFA sejam apontados como os culpados das derrotas de algumas equipas. Também não se coloca de lado a hipótese de aparecerem dirigentes de algumas equipas que, em sinal de desespero, vão protagonizar “chicotadas psicológicas”, na tentativa de atirarem a culpa aos treinadores pela desorganização que reina nas suas equipas.

É de realçar que as equipas que se encontram em melhores posições pontuais, possuem, como é lógico, maiores possibilidades de se manterem na principal competição futebolística nacional, o que não pressupõe que não possa haver algumas surpresas. Assim os jogos, até ao final da prova, vão ser encarados como autênticas finais. Em função da realidade, é de prever que vamos estar diante de uma final escaldante, com as equipas, tanto as que estão em situação “aflitiva” como as que se encontram nos lugares cimeiros da classificação geral, a dar tudo para cativar ainda mais as massas associativas e não só, numa demonstração da personificação da unidade nacional. Leonel Libório

A MINHA REFLEXÃO

O trabalho dos árbitros

O árbitro é um elemento de grande valor numa disputa desportiva, seja qual for o tipo de jogo.As partidas de futebol de carácter profissional ou particulares são acompanhadas por um juiz que tem como função arbitrar e regular a actuação dos jogadores para estes agirem dentro das normas da modalidade em questão.Estes juízes devem possuir carteira profissional para o exercício da actividade (a de nível nacional ou, para os mais experimentados, internacional). Deste modo, o conhecimento das regras do futebol, por exemplo, é um marco para que um árbitro possa fiscalizar com competência os jogos para que é chamado a dirigir.

Em Angola, o conselho nacional de árbitros para o futebol é um órgão da federação angolana da modalidade e é dirigido por pessoas com formação específica para esta área, de grande importância para a realização das actividades desportivas. O conselho nacional recebe da federação as orientações sobre o enquadramento dos filiados, no caso os árbitros, e é ela que escala para os jogos do campeonato nacional os melhores, em função da importância dos desafios.

Devido a esta importância, proponho uma reflexão sobre o trabalho realizado pelos “homens do apito”, de quem muito se fala, pois, tal como os jogadores e dirigentes desportivos, estão presentes em cada jornada do Girabola e são normalmente alvo de críticas em relação aos resultados dos jogos, sobretudo os mais importantes.O trabalho dos juízes é alvo de muitas queixas de alguns dirigentes desportivos, atletas e adeptos. Muitas são a vozes que se levantam, no final de uma partida de futebol, basquetebol ou andebol, principalmente quando se sentem lesados ou desfavorecidos quanto ao resultado final.

“Os árbitros apenas prestam quando o resultado do jogo é a nosso favor”. Ouvi este comentário de um amigo, que é dirigente desportivo, no final de um jogo na Cidadela Desportiva. Concordei, porque achei que o dirigente estava a ser sincero. A questão colocada foi a respeito da qualidade do juiz do jogo. Afinal é assim. Quantas vezes chamei batoteiro a um árbitro por me sentir injustiçado pelo resultado. Mas não podemos ignorar a realidade, porque muitos dos nossos juízes têm, em alguns momentos, prejudicado os clubes ao ajuizarem mal determinados lances e no final pesa sobre a equipa ou favorece o adversário, tendenciosamente ou não.

Como é habitual, e para não apresentar opinião distorcida, perguntei ao meu “kota”, que é exímio desportista e conhecedor de política onde exerce funções: porque é que os árbitros ou as equipas de arbitragem são vistas como “batoteiros” ou construtores de resultados?
Em resposta e aconselhando que tenha em atenção, disse:

1º-Para que um jogo se realize é necessário a presença de três grupos distintos: duas equipas de futebol (no caso pode ser outra a modalidade) e uma de arbitragem.
2º- O jogo somente começa com a autorização do juiz diante das equipas prontas e de acordo com as condições apresentadas pela anfitriã.
3º- O resultado do jogo é fruto do trabalho e desempenho das duas equipas, sem que a arbitragem tenha influência. Ganha a que mais golos marcar ao fim do tempo regulamentar.
4º- Todos os lances devem ser ajuizados com imparcialidade e, por isso, em alguns momentos, a intervenção do árbitro deve acontecer, para o jogo ser disputado de acordo com as regras. Sem violência ou anti-jogo.
5º- O soar do apito marca de forma irrevogável o término do jogo e os três grupos deixam as “quatro linhas”.CARLOS GRAÇA

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