Jornal dos Desportos

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Opinio

O Girabola Zap e as suas quezlias

08 de Dezembro, 2018
O Girabola Zap 2018/2019 aí está. Já soma algumas poucas jornadas e, as coisas fluem normalmente, ainda que com algumas quezílias à mistura, próprias de uma competição desta dimensão. Está aí o nosso campeonato de futebol, que teima em inflamar paixões, mas, infelizmente, insiste em não arrastar multidões. Sim, vem arrastando pouco as multidões. Mas, afinal porquê?
É precisamente aqui, que hoje ouso começar este texto, cuja proposta surgiu do meu companheiro de coluna, o Sérgio Vieira Dias, que, com olho de lince achou por bem abordarmos mais uma vez esta temática, até porque é sempre bastante interessante falar da nossa competição interna e do nosso futebol doméstico em geral.
Na verdade, há muito que se lhe diga, se tivermos em conta que hoje por hoje, o público aficionado do futebol se afastou dos estádios. Já não vai ver jogos de futebol ao vivo e à cores. Tudo isso merece de facto uma reflexão.
Mas, na minha opinião, em primeira instância digo que o que tem afastado o público dos estádios é, obviamente, a fraca qualidade que hoje os praticantes exibem. A falta de craques ou jogadores de referência.
A falta de atractivos, que demonstrem o acompanhamento dos sinais dos tempos. Tudo isso, conjugado no mesmo tempo e pessoas; em número, género e grau, proporciona a dura realidade que assistimos hoje. Mas, tenho consciência de que pode não ser apenas isso. É muito provável que possam existir outras mil e uma razões, que façam com que o futebol hoje esteja pobre de adeptos nas bancadas dos nossos estádios.
Será que as transmissões televisivas dos jogos, têm influência neste quesito? Arrisco em responder em solilóquio que não, tendo em conta a realidade que se assiste em outras paragens, com particular exemplo da Premier Leage, na Inglaterra, a Liga Nós, em Portugal, e a La Liga, na Espanha, onde, mesmo com transmissões televisivas, os estádios abarrotam de assistentes nas bancadas e, quase sempre, com lotação esgotada.
O futebol é uma indústria. É um mercado apetecível, que pode gerar receita e constituir-se num império organizado, se forem exploradas todas as nuances que o envolvem. Desta forma, acredito que devolverá adeptos aos estádios.
O nosso Girabola, por falta de organização devida, nas questões de fundo que abordei nos parágrafos anteriores, acaba por pagar por tabela e, por via disso, todas as outras insuficiências vêm ao de cima.
Disputadas que foram cinco jornadas, o campeonato apresenta-se pouco afoito, muito por culpa da pré-época pouco ortodoxa, que os intervenientes tiveram. Todas as equipas intervenientes na prova, praticamente fazem o transitório e ganham forma na competição. É por isso que a qualidade de futebol praticado não tem sido, pelo menos até agora, a mais desejada, salvo raras excepções.
As pressões destas situações são conhecidas, o que não se conhece é mesmo o facto de se saber, se todos os intervenientes na competição terminarão a prova. Tudo porque a crise abala o tecido social e o desporto e todas as suas competentes acabam por apanhar por tabela. Prova disso é que, depois do técnico Hélder Teixeira, do Progresso do Sambizanga, “bater com a porta” por manifesta falta de cinco ou seis meses sem lhe serem pagos os salários, eis que os órgãos auxiliares do referido clube, entraram também em “greve”. Pararam tudo.
Os motivos da paragem foram os mesmos de sempre. Falta de salários dos últimos seis meses. Lamentavelmente, como o Progresso do Sambizanga, outros estão na mesma situação, só que até ao momento preferem “sofrer calados”.
Por outro lado, há ainda a questão que envolveu as equipas do Recreativo da Caála do Huambo e o Santa Rita de Cássia do Uíge, em que ao clube do planalto central foi-lhe averbada derrota por falta de comparência, em face de alguns imbróglios que, pelo que se ouviu e leu, por culpa implícita da própria FAF.
Um assunto que ainda vai ter muito pano para manga, já que os caálenses prometem levar o caso às instâncias superiores, tendo inclusive ameaçado abandonar o Girabola. Mais casos, menos casos, está também o facto de os adeptos e sócios de alguns clubes, nomeadamente do próprio Recreativo da Caála e do Kabuscorp do Palanca, exigirem a saída dos respectivos técnicos, por não estarem a corresponder com os anseios preconizados. Mas, noves-fora todas as quezílias, o Girabola 2018/2019 decorre da melhor forma possível e promete imensa competitividade.
Provavelmente, a partir da jornada oito, já se saberá quem é quem. O facto relevante, é que os potencias candidatos ao título vão se mostrando agora, com o 1º de Agosto a assumir a “pole-position”. Tenho dito! Morais Canãmua

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