Jornal dos Desportos

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Opinio

O golo fantasma de Cabinda e a conscincia de Talaya

09 de Agosto, 2018
O Girabola 2018 está a duas jornadas do fim. Se por um lado a questão do título está praticamente resolvida, com o 1º de Agosto, a depender somente si para conquistar o tri- campeonato, o 12º do seu historial, a luta para o segundo lugar e quem se juntará ao 1º de Maio de Benguela para descer de divisão ainda é uma incógnita.
Entretanto, até ao presente momento, dois acontecimentos de vulto marcaram o Girabola: a desistência do JGM do Huambo logo no início da segunda volta e o golo do Sporting de Cabinda contra o Petro de Luanda, considerado “fantasma” por muitos.
O referido golo foi considerado “fantasma” ou seja inexistente porque segundo as imagens televisivas (da TPA) a primeira vista dá a impressão de a bola ter embatido na trave. Muito se falou sobre o lance e a maior parte das pessoas considerou um escândalo o árbitro Paulo Talaya, ter considerado golo o lance em referência.
A repulsa pelo facto de Paulo Talaya, ter considerado golo, um lance que a prior estava claro que o esférico havia embatido na trave foi tão grande que o Conselho de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (FAF) suspendeu o categorizado juiz.
A direcção do Petro de Luanda, que está em jejum de títulos há quase nove anos, considerou que o árbitro da partida só agiu assim porque provavelmente havia sido corrompido para prejudicar a sua equipa.
Em função do golo polémico sofrido em Cabinda e de outras situações em que os tricolores acharam que foram prejudicados pela arbitragem, a direcção daquele clube apresentou uma queixa ou denúncia de haver suspeita de corrupção de alto nível na arbitragem angolana à Procuradoria Geral da República.
Portanto, é caso para dizer que o suposto golo “fantasma” de Cabinda, mexeu com a família do futebol angolano e por isso precisávamos de um esclarecimento válido por parte do juiz da partida, já que as imagens da TPA, não são muito elucidativas.
Assim, o programa domingo desportivo da TPA, do dia 5 do corrente, convidou o árbitro Paulo Talaya, para esclarecer o por que é que considerou golo o lance em questão. Em função da sua defesa e de uma análise profunda sobre o lance que eu já tivera feito e publiquei no Facebook há quase duas semanas, concluí o seguinte:
1 – Tendo em atenção que ao longo dos quase 40 anos que sigo com alguma atenção o futebol mundial, nunca vi e nem ouvi dizer que algum árbitro tenha confundido o embater de uma bola na trave com o bater nas redes e por isso considerou golo. Não acredito que Paulo Talaya, ou um outro juiz, por mais que tenha sido subornado consideraria golo aquele lance do Tafe.
2 – Embora as imagens da TPA não sejam muito claras, pode-se ver que a trajectória da bola depois de embater no chão diante do guarda redes do Petro, não tem como bater na trave, ela só poderia passar por baixo da mesma. E como a rede estava muito esticada, segundo Paulo Talaya, faz sentido ela resvalar para fora da baliza.
3 – A atitude do guarda redes do Petro depois de o árbitro assinar o golo, é própria quando um guarda-redes sente-se frustrado por não ter defendido uma bola que estava ao seu alcance. Os defesas do Petro, que estão próximos ao lance têm uma reacção normal ao apito do árbitro validando o golo.
4 – Naquela situação, se a bola tivesse embatido na trave nenhum jogador a nível do mundo, por mais manso que fosse, aceitaria pacificamente aquele golo. Em última instância eles prefeririam abandonar o rectângulo de jogo porque seria uma batota crassa e descarada. Dificilmente o jogo prosseguiria.
5 – Nenhum jogador, nem que estivesse a sonhar, festejaria como golo uma bola que embate na trave. O máximo que pode acontecer é levar as mãos à cabeça. Além disso, no mesmo dia do jogo não se ouviu nenhuma reclamação oficial do Petro com relação ao referido lance.
Portanto, em função destes e outros pressupostos aqui não avançados, posso dizer sem receio de errar que Paulo Talaya, pode e deve confiar na sua consciência ou seja pode ter a sua consciência limpa. O golo foi polémico sim, mas foi legal!
Augusto Fernandes

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