Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Augusto Fernandes

O grande problema da FAF

23 de Novembro, 2017
A Federação Angolana de Futebol (FAF) liderada por Artur Almeida e Silva está à procura do substituto de Beto Bianchi, para orientar os Palancas Negras, pois aproxima-se a largos passos a fase final do Chan que será realizado no Reino de Marrocos em Janeiro do próximo ano.
É interessante que a primeira selecção nacional de futebol foi montada em 1976 se a memoria não me atraiçoa, com o angolano Amílcar Silva, no comando, isto há 41 anos. De lá até à saída de Bianchi, os Palancas Negras, foram treinados por 29 treinadores diferentes dos quais 16 nacionais.
Vinte e nove treinadores em 41 anos isto dá uma média de um treinador por cada ano e meio! Em contraste, por exemplo, à selecção Alemã de Futebol que realizou o seu primeiro jogo oficial em 1908, há precisamente 109 anos teve no seu historial apenas 11 treinadores a contar com Joachim Low, o actualmente no comando, o que dá uma média de um treinador em cada nove anos e meio!
Quais são os resultados? A selecção alemã de futebol é das mais bem sucedidas no Mundo, tendo disputado oito finais da copa do Mundo das quais ganhou quatro. Não precisamos falar mais das virtudes deste grande colosso do futebol Mundial.
O que podemos aprender deste exemplo da Alemanha? Uma lição importante nesta forma de gerir o futebol é: os dirigentes de uma selecção quer seja de futebol ou de outra modalidade devem definir metas concretas. Eles devem saber o que pretendem, como conseguir e em quanto tempo se pode alcançar o objectivo preconizado.
Assim, com tudo bem planificado, onde inclui os orçamentos, passar a acção. O primeiro passo é: quem está em condições de conduzir este projecto? Quer dizer quem é o treinador que está em altura de levar avante este projecto com as condições que temos?
Que tipo de jogadores precisamos para atingir este objectivo? Será que com os actuais jogadores podemos chegar lá? O que podemos fazer para ter os jogadores capazes para atingirmos o nosso objectivo, de quanto tempo precisamos e assim por diante.
Repararem que cada treinador da selecção Alemã teve a sua disposição uma media de quase dez anos, tempo muito suficiente para se fazer bons resultados. Os dirigentes não devem olhar com preocupação para o tempo que têm a disposição na direcção do futebol de seu país. Eles concentram-se nos objectivos que são bem traçados, que sejam exequíveis e que podem ser seguidos pelos seus sucessores.
A ideia do tipo “ eu não posso sair daqui sem ir ao um Mundial, Can ou Chan” não existe, mas existe sim um projecto. Por exemplo: depois de perder a final da copa do Mundo de 2002 co- organizado pela Coreia do Sul e Japão, os alemãs, apostaram em ganhar o campeonato do Mundo de 2014 e assim aconteceu 12 anos depois no Mundial que o Brasil organizou.
O primeiro passo que os alemãs deram foi rever o seu modelo de jogo que consistia basicamente em muita disciplina táctica e força, resultando num futebol directo e muito denunciado. Concluíram que era necessário aprimorar o lado técnico de todos os seus jogadores, já que no modelo anterior apenas alguns jogadores individualmente se destacavam nesta vertente.
O país mobilizou-se par atingir o objectivo. Foi baixada uma orientação para que em todos os clubes e escolas de futebol de todo o país , se passasse a incutir ou seja a ensinar com rigor a técnica individual que era um dos condimentos que faltava para fazerem um futebol alegre e objectivo do estilo latino.
Em doze anos eles conseguiram formar aquela magnifica selecção que ganhou o Mundial de 2014 e cilindrou o Brasil em pleno Estádio do Maracanã por 7-1. O resultado só não foi mais gordo porque houve uma atitude nobre por parte do treinador que pediu aos jogadores para que tirassem o pé do acelerador.
Tem se dito que os bons exemplos devem ser imitados. Por isso Artur Almeida e seus pares farão bem em imitar os melhores exemplos de condução de uma federação de futebol para que os resultados apareçam na hora e no tempo certo, o que implica dizer que devem continuar com o foco no seu objectivo principal: a médio e longo prazo formar uma selecção capaz orgulhar os angolanos.
Para isso, em minha modesta opinião, o presidente da FAF, deve apostar seriamente na formação de dois ou três treinadores nacionais dentre os melhores que temos, nas melhores escolas do futebol do Mundo, para conduzirem o projecto, pois o nacional conhece melhor a realidade do país e de seus jogadores e porque é movido por amor verdadeiro a sua selecção.
Alem de se criarem politicas internas para a formação de jogadores, como já acontece em clubes como o 1º de Agosto, Progresso e outros, deve-se também criar bolsas para jogadores em países europeus onde o futebol é altamente competitivo como em Espanha, Alemanha, França e outros.
Não podemos nos contentar em ter os nossos melhores jogadores da selecção a militarem em campeonatos pobres como o de Portugal, cujo as equipas principais dificilmente chegam a uma final da ligas da Europa.
Países como Cabo Verde, Bukina Faso, Gabão e outros que até a dez anos atrás eram inferiores a nós hoje, estão acima de nós a muitos quilómetros de distancia, porque muitos de seus filhos estão a evoluir nos melhores campeonatos da Europa, com ou sem a ajuda do estado.
Por isso, presidente Artur: defina clemente quais são as metas que pretende atingir enquanto durar o seu mandato na direcção da FAF e não se deixe levar pelo o espírito de imediatismo que caracterizou muitos de seus antecessores. Aliás não se esqueça que agora estamos na fase de corrigir o que esta mal e na FAF as coisas estão muito mal e precisam urgentemente de correcção.

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