Jornal dos Desportos

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Opinio

O honroso 3 lugar que leva Litunia

08 de Fevereiro, 2020
Depois das participações menos conseguidas nas edições dos Campeonatos Africanos das Nações (CAN) de 2008 e de 2016, realizados na Líbia e África do Sul, respectivamente, a Selecção Nacional de futsal obteve um registo histórico na prova terminou ontem no Marrocos, com a qualificação inédita ao Mundial. E pela conquista do 3º lugar, os angolanos despediram-se do certame com sentimento de dever cumprido.
O «Cinco Nacional» logrou, com efeito, a qualificação às meias-finais, em que caiu aos pés da forte selecção do Marrocos, perdendo, por 4-0, e na tentativa de ocupar o último lugar que dava aceso ao pódio, venceu ontem a Líbia, por 2-0.
Com um saldo de três vitórias e duas derrotas, o combinado nacional, às ordens de Benvindo Inácio, apontou um total 14 golos e sofreu onze, ficando, nesse contexto, com o coeficiente positivo de 2 no “goal-average”.
Na sua caminhada neste Africano de Futsal do Marrocos, em que competiu na cidade local de Laâyoune, os angolanos começaram por vencer na estreia os “irmãos do Índico” moçambicanos, na ronda inaugural do Grupo B, por 7-4.
Depois seguiu-se a derrota de 3-0 diante do Egipto, por sinal o conjunto mais titulado do continente, ao passo que no fecho das contas do primeiro turno bateu a similar da Guiné Conacri por 5-1. Com o pecúlio obtido na primeira fase Angola acabou por se quedar na segunda posição do Grupo, com seis pontos, e apurando-se para as meias-finais, a par do Egipto, que ocupou o primeiro posto com nove.
Chegados às meias-finais, os jogadores angolanos não conseguiram travar o ímpeto da equipa da casa, acabando por perder pelas já referenciadas quatro bolas a zero, ao passo que no duelo das classificativas do 3º e 4º lugares, bateu a Líbia com uma boa exibição.
Com a qualificação para o Mundial de Futsal, que se disputa em Setembro deste ano na Lituânia, o combinado nacional assinala uma campanha irrepreensível nesse Africano do Marrocos, sobretudo pelo feito inédito obtido no seu historial.
Comparativamente as duas anteriores participações que tiveram lugar na Líbia e África do Sul, em que não passou da primeira fase, Angola fez história ao chegar com êxito às meias-finais e de seguida tendo disputado o acesso ao último lugar do pódio, que concomitantemente lhe deu a qualificação para o Mundial da Lituânia. Diga-se, de passagem, Angola só não chegou mais longe, provavelmente, por manifesta falta de atitude dos seus atletas nos momentos cruciais dos jogos com o Egipto e Marrocos.
Não obstante um e outro contratempo que o conjunto enfrentou, particularmente na fase de preparação em que por algumas dificuldades financeiras chegou a se pôr em xeque a participação da equipa nacional, tudo foi equacionado para campanha de Angola.
E, para alegria dos angolanos, a Selecção Nacional acabou por desfilar neste Africano que decorreu de 27 de Janeiro até ontem, muito pelo empenho pessoal do líder da Federação da modalidade, Noé Alexandre. Ao que se propalou na antecâmara deste CAN, só faltou ao líder federativo vender o seu carro pessoal para arregimentar mais alguns dinheiros para assegurar a campanha de Angola nesta prova.
Por isso mesmo, Neblu, Dias, Prado, Mano Sele, Osna e demais companheiros acabaram por dignificar a participação do «Cinco Nacional» nesta montra do futsal continental ao atingirem o 3º lugar, que tem um sabor muito especial.
E agora resta a continuar a trabalhar-se de forma afincada para o futuro. Mas de uma coisa, temos certeza. Angola é capaz e em próximas competições de futsal isso poderá se provar. É só uma questão de tempo
SÉRGIO V. DIAS

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