Jornal dos Desportos

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Opinio

O honroso sexto lugar do nosso hquei em patins

20 de Julho, 2019
A recente participação de Angola no Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que decorreu em Barcelona, Espanha, e que o nosso país se classificou em sexto lugar, representa, para além de ter baixado um lugar em relação à participação anterior, um resultado satisfatório, se tivermos em conta alguns factores endógenos e exógenos; objectivos e subjectivos, que corporizaram a preparação do combinado nacional para esta importante competição.
Os angolanos voltaram a fazer história na competição, ao estarem entre os primeiros seis da nata mundial, com a prática de um hóquei adulto, tendo merecido da crítica desportiva alguns elogios em determinados momentos. Na verdade, não foi fácil.
Até se chegar a este sexto lugar, técnicos e atletas e, em alguns momentos, os próprios dirigentes federativos, acabaram por viver dissabores de ordem variada.
Desde os momentos da preparação conturbada, desistência do técnico Fernando Fallé, por factores de organização, até se juntar os atletas e requerer deles a concentração necessária para a competição, muitas coisas acabaram involuntariamente por acontecer, em desprimor com aquilo que eram os objectivos primários, que passavam por melhorar o quinto lugar alcançado na edição anterior, em Nanjing, China, em 2017.
Porém, a agudização dos problemas organizacionais, aliado à falta de condições gerais, no aspecto de preparação do combinado nacional, provocaram ainda que o técnico Fallé batesse com a porta e, durante largo período a selecção ficasse sem Comandante.
Só depois de o seleccionador nacional ter sido demovido da sua posição inicial, é que as coisas foram entrando nos eixos; depois de a Federação reunir as mínimas condições exigidas por Fallé é que se reiniciaram os trabalhos, mas já muito próximo da prova e, por causa disso, com poucos dias de se puderem cumprir os micro-ciclos preparatórios à portas da competição. Ainda assim, lá fomos para uma prova onde já temos muita tradição e história, quer em termos de participação como no capítulo competitivo.
Entretanto, a história de Angola, no que ao hóquei em patins diz respeito, é longa e gloriosa. E deste imenso cortejo, destacamos esse leque que começou, precisamente em 1982, na localidade de Barcelos, Portugal. Angola marcou a sua primeira presença num Campeonato do Mundo, onde, a partir de então passou a fazer parte da elite, voltando em 1986 (Sertãozinho-Brasil); em 1988 (Corunha-Espanha); em 1989 (San Juan-Argentina); em 1991 (Porto-Portugal); em 1993 (Bassano-Itália); em 1995 (Recife-Brasil); 1997 (Wuppertal – Alemanha); 1999 (Réus-Espanha); 2001 (Novamente San Juan-Argentina); 2003 (Oliveira de Azeméis- Portugal); 2007 (Montreux-Suíça); em 2009 (Vigo-Espanha); 2011 (em San Juan-Argentina), até que, em 2013, o nosso País teve a “ousadia” de organizar nas cidades de Luanda e Namibe essa prestigiada competição; 2015 em La Roche-Sur-Yon (França) e, por último, em 2017, em Nanjing (China). Para além de vários terceiros e quartos lugares obtidos em várias edições do Torneio de Montreux, onde o combinado nacional participa regularmente.
O quinto lugar alcançado no Mundial de Nanjing, China, acaba por ser a melhor classificação conseguida, sem esquecer, obviamente, a sexta posição alcançada em Vigo, em 2009, acabando por ser um feito relevante para o combinado nacional.
Em 12 de Abril de 1982, Angola registou a derrota mais pesada, diante de Portugal, por 1-21. Aos 18 de Outubro de 1992, registou a sua vitória mais avolumada, 39-1 “espetada” à Índia. Esses são apenas alguns dados, para conseguirmos perceber a grandeza e a trajectória desta modalidade.
Por isso, ao cabo da recente participação em Barcelona, pode-se afigurar que foi honrosa, a julgar pelo estoicismo, bravura, vontade, entrega e resiliência demonstrada pelos jogadores em campo, que tudo fizeram para obterem o melhor para si e para Selecção Nacional. O exemplo claro foi no decisivo jogo dia da Itália onde, em determinada altura, Angola se adiantou no marcador mas, por insuficiência decorrentes talvez dos factores esmiuçados acima, não conseguiu sustentar nem conservar, acabando por baquear diante dos italianos, que até estavam ao nosso alcance. Fica um veemente apelo, para elevação dos níveis de organização, por parte da Federação da modalidade, no sentido de providenciar a revitalização e dinamização contínua duma modalidade bastante representativa e autêntica embaixadora do nosso desporto no mundo.
Com saídas anunciadas de alguns jogadores, com particular destaque para João Pinto “Mustang”, acaba por ser um “aviso à navegação”, para que se comece a incentivar a renovação do conjunto, estimulando o surgimento de novos valores e, sobretudo, habituá-los a competir. Isso é importante. Sobretudo no que diz respeito essencialmente à continuidade e sustentabilidade do futuro que é já amanhã, ao dobrar da esquina.
Morais Canâmua

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