Jornal dos Desportos

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Opinio

O indispensvel olhar para as infra-estruturas

16 de Fevereiro, 2019
O estado em que se encontra mergulhado a maior parte das infra-estruturas desportivas do nosso país continua a ser um assunto bastante recorrente nos dias que correm. Não só pela situação de abandono e de degradação a que muitas destas estão votadas, mas também pelo facto de a situação beliscar a prática de diferentes modalidades do nosso tapete desportivo, com particular realce para o rei-futebol.
É preciso reconhecer também - e isso está mais que claro - que o Executivo angolano fez sérios investimentos ao longo destes anos em infra-estruturas, mas a verdade porém é que apesar disso, o estado técnico de muitos destes edifícios é desolador, pelo facto de pouco ou nada ter sido feito para a sua eventual conservação. E, terá sido por esse facto, que em Janeiro último, o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) promoveu a realização de um fórum com vista a uma abordagem exaustiva sobre as infra-estruturas de apoio ao sector.
“O Estado das Infra-estruturas Juvenis e Desportivas”, “Manutenção das Infra-Estruturas” e “Modelos de Gestão de Infra-estruturas Juvenis e Desportivas” foram alguns do temas debatidos no encontro que ocorreu no Memorial Doutor António Agostinho Neto. A realização do fórum, diga-se de passagem, veio mesmo a calhar.
Houve, durante o acto, contribuições bastante exaustivas em relação a problemática das infra-estruturas desportivas, com destaque para as do titular da pasta da Construção e Obras Públicas. O ministro Manuel Tavares lembrou, a esse respeito, que a conservação e gestão das infra-estruturas desportivas do país pode ser assegurada com aposta na formação do ponto de vista patriótico e cívico.
Parafraseando o governante, hoje por hoje a lição que se tira, depois de muitos anos a reabilitar e a construir edificações públicas, é realmente triste.
A titular da pasta do Minjud, por seu turno, fez um apelo rigoroso nesse sentido, realçando que a concepção de um modelo de gestão das infra-estruturas, vinculadas a este órgão não é uma tarefa fácil e de exclusiva responsabilidade do seu pelouro, mas que acima de tudo deve envolver toda sociedade. A ministra Ana Paula Sacramento Neto diz tratar-se de um compromisso que deve ser abraçado por todos e que por essa razão houve a “prestimosa colaboração de outros departamentos ministeriais”, do sistema desportivo, especialistas de diversas áreas e líderes juvenis no mesmo encontro.
Por essa razão o Minjud mantém-se fiel no compromisso de continuar a trabalhar no sentido de fazer cumprir as recomendações saídas do fórum para, de forma gradual, ir-se implementando as mudanças que se julgam necessárias para o efeito. Um exemplo vivo do estado desolador das infra-estruturas desportivas é o que acontece com os estádios nacionais da Tundavala, do Ombaka e do Chiazi, nas províncias da Huíla, Benguela e Cabinda, erguidos no âmbito da realização da Taça de África das Nações em futebol, que o país albergou em 2010. Um quadro para já negativo.
A excepção do que acontece com o 11 de Novembro, que tem albergado jogos do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, vulgo Girabola Zap, e de outros que envolvem as diferentes selecções do país, os demais estádios da Huíla, Benguela e Cabinda durante algum tempo serviam para outros fins que nada tinham a ver com o desporto e com o futebol, particularmente. O facto revela-se, até, como caricato.
A par do Estádio Nacional 11 de Novembro, essas demais três infra-estruturas oneraram bastante aos cofres do Estado e por isso mereciam uma melhor tratamento quer em termos gestão, quer nos aspectos concernentes à sua utilização.
Pode-se fazer aqui um recurso à velha máxima de que se dê a César o que é de César, para desse modo se encetar um melhor aproveitamento destas infra-estruturas e assim pôr-se fim ao chamado luxo na miséria que deixou muitos elefantes brancos, com esse processo da má gestão. Portanto, não podemos colher frutos no campo desportivo se não se tiver, em contrapartida, estruturas que dêem resposta à sua execução.
Por outro lado, a reformulação da legislação que durante muitos anos regulou a actividade desportiva no país, especialmente a aprovação da Lei nº 5/2014 de 20 de Maio, Lei do Desporto e a Lei nº 06/2014 de 23 de Maio, Lei das Associações Desportivas, reflecte, também, a preocupação do Executivo angolano”. Esta reformulação permite ao Executivo consolidar os pressupostos fundamentais do sistema desportivo nacional na promoção, organização e desenvolvimento do desporto.
Aliás, o próprio Titular do Poder Executivo assinalou que o novo modelo de gestão do país não permite desperdício de dinheiro. Para João Lourenço as novas regras impõem contenções financeiras para se dar prioridade à saúde e à educação, dois pilares do fomento desportivo. O pronunciamento do Chefe de Estado desperta, assim, os agentes com visão empreendedora e algo que pode, também, ser idealizado por quem se responsabiliza pela condução dos destinos de muitas infra-estruturas desportivas.
O futuro Centro de Estágio, na Zona Económica Especial (ZEE) de Luanda, há-de se revestir como um empreendimento com múltiplas valências, quer para o sector, quer para vertente financeira. Daí é importante traçar-se políticas tendentes ao melhor aproveitamento desta imponente estrutura de apoio ao desporto para que depois as expectativas para a qual foi criada não caiam em “saco roto”, como acontece com outras que hoje estão votadas ao abandono e paralelamente num estado bastante desolador. Por isso, é indispensável o olhar de todos fazedores do desporto às infra-estruturas de apoio ao sector. Isso é algo inequívoco e que ninguém pode questionar... Sérgio V.Dias


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