Jornal dos Desportos

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Opinio

O jogo com o Burkina e chances de Angola

06 de Junho, 2017
Era quarta-feira, 10 de Setembro de 2014, quando a Selecção do Burkina Faso, no alto da sua ousadia, decidiu bater no peito e, em pleno Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, vencer os Palancas Negras , por expressivos 3-0, colocando em “xeque” as hipóteses dos angolanos qualificarem-se para o Campeonato Africano da Nações, vulgo CAN, edição 2014.

Confirmado o facto, Angola não conseguiu o apuramento ao CAN de 2014 disputado na Guiné Equatorial, que pela segunda vez em três anos, albergou a prova, na ocasião agindo como “bombeiro”, após a desistência do Marrocos em sediar o torneio por conta do surto de ébola que na altura assolava algumas regiões do continente africano.

O jogo em referência ficou ainda marcado com o episódio da retirada do onze inicial, poucos minutos antes do início da partida, de dois jogadores, no caso, Dolly Menga e Igor Vetokele, que mais uma vez integram a selecção nacional, curiosamente para disputar o Burkina Faso.

A derrota de Angola no jogo que vem sendo citado marcou a abertura de um novo período de jejum relativamente a presença dos Palancas Negras na prova continental, lembrando que o primeiro ocorreu entre 1998 à 2006 e, neste momento, já vai em duas edições sem poder desfilar no palco do futebol africano.

E justamente aqui começa o \"temor\", que motiva a tertúlia de hoje, considerando que a ficha do combinado angolano, de um tempo à esta parte, vem sendo preenchida com notas negativas, borrando um passado que já foi bem melhor e cuja mística se quer resgatar.

Para justificar, obrigamo-nos a recordar que, depois de uma seca de três edições, (2000, 2002 e 2004), Angola regressou ao convívio dos grandes em 2006, ano em que conseguiu a sua primeira vitória na competição, frente ao Togo, a quem venceu por 3-2, com dois golos de Flávio Amado, hoje integrante da equipa técnica nacional.

Descontando a presença no mundial de 2006, na Alemanha, o melhor de Angola aconteceu em 2008, no Ghana, onde o desempenho e brilharete dos Palancas foram peremptórios, obrigando até os mais cépticos a renderem-se ao sucesso dos pupilos de Oliveira Gonçalves, que conseguiram apuramento para os quartos de final onde foram derrotados pelo Egipto por 2-1.

Apesar de Angola voltar a competir nas edições de 2012 e 2013, quem pensou que daí em diante era só somar e seguir, enganou-se, pois abriu-se uma auto-estrada de desaires sucessivos, que funcionaram como mola impulsionadora do desprestígio que o futebol angolano vem coleccionando.

Não vislumbro, para breve, alteração do quadro actual, considerando as coisas más que persistem em ladear a caminhada dos Palancas, a exemplo da opção de certos jogadores em rejeitar disputar o próximo jogo frente ao Burkina Faso (novamente os Etalons no caminho dos Palancas....), o que deixa estarrecido o técnico Beto Bianchi.

Pelo que se lê no parágrafo precedente, pode-se concluir que a preparação dos Palancas Negras está algo atribulada, o que pode colocar em perigo as ambições do técnico que é de, pelo menos, pontuar no jogo do próximo dia 10 do corrente, de arranque às eliminatórias ao CAN de 2019.

A questão que não se quer calar tem que ver com as razões de porquê alguns jogadores deram um “não” a este imperativo patriótico, quando se sabe que a norma recomenda uma conversa preliminar com os potenciais convocados para determinada empreitada.

Com estas coisas, diria, pouco patrióticas, não conhecendo as sua razões, dificilmente se encontrará o caminho para o sucesso que tarda a chegar para o futebol angolano que não tem a charme de outrora, pelo que impõe-se a urgência na inversão do quadro. O que é, não me perguntem! Carlos Calongo

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