Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O julgamento da FAF

04 de Abril, 2019
As águas estão agitadas na praça futebolística nacional, em função das medidas punitivas tomadas na semana passada pelo Conselho de Disciplina da FAF, às equipas do 1º de Agosto e do Desportivo da Huila, assim como ao guarda-redes do 1º de Agosto Tony Cabaça e ao técnico do ASA José Dinis. Como em tudo, existem ocorrências que não devem escapar ao julgamento dos órgãos de Justiça.
Entretanto, no caso presente, a FAF, através do seu órgão de Disciplina, está a ser vítima de críticas de toda a espécie, sobretudo, por gente ligada ao clube militar (1º de Agosto), como se tivesse agido sem motivos para tanto. É doloroso, que haja pessoas incapazes de reconhecer os seus erros, mesmo quando apanhadas com o pé no risco.
Na verdade, os acontecimentos da Huila, no jogo da 17ª jornada do Girabola que envolveu militares do Rio Seco e da Região Sul, não passavam despercebidos em nenhuma parte do mundo. Chamaram à atenção, até dos menos avisados em matéria de futebol. Nesse jogo, a verdade desportiva saiu a sangrar, esfaqueada como foi esfaqueada até ao ferimento.
Dirão alguns defensores de causas perdidas, que o que se passou foi algo normal. Não foi. Só assim, o Conselho de Disciplina da FAF se colocou no terreno para investigar o que realmente se tenha passado de concreto, tendo as conclusões levado à tomada de medidas punitivas às duas equipas intervenientes.
É certo, que se está perante um caso discutível, a FAF pode, por seu turno, estar na obrigação de apresentar provas materiais, como sustentabilidade da medida tomada. Para alguns, as imagens disponíveis podem não ser suficientes. Tinha de haver comprovativo de uma eventual concertação entre as duas equipas. Isto, não é possível, salvo se tiver de envolver a PGR e o SIC, com rastreio das chamadas telefónicas registadas na véspera e movimentos bancários feitos.
Quanto ao guarda-redes do 1º de Agosto, não há como não reconhecer que errou redondamente, pelo que é merecedor da medida aplicada. Pois, deitar cuspe no chão de uma casa ou um estabelecimento público, é por si só uma atitude reprovável a toda linha, ora, cuspir na cara de alguém, neste caso do adversário, pior ainda. E, Tony Cabaça protagonizou esse acto.
Logo, o órgão que superintende o futebol no país, não se podia manter insensível perante tão repugnante e condenável comportamento em campo. Fez o que competia fazer, daí, são descabidas todas as farpas que os defensores da impunidade estejam a atirar contra os dirigentes da FAF, sobretudo nas redes sociais, em que cada qual se acha no direito de esgrimir os seus argumentos.

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