Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O lado difcil do marketing desportivo

16 de Setembro, 2019
\"Do jeito que vocês estão a trabalhar, o marketing desportivo em Angola, muito abaixo da linha da cintura, creio que este é o pior momento possível para se apostar no sector”, desabafou um especialista brasileiro, numa conversa mantida recentemente em ambiente reservado, com um pequeno grupo de jovens empreendedores, que \"sonham\" fazer grandes negócios através do marketing desportivo.
Como sempre e a meu jeito reagi prontamente, perguntando: “Não será apenas o lado difícil, de um momento difícil?\", gerando em seguida uma saudável \"discussão\" aberta, numa prolongada partilha de ideias, soluções e projectos \"imaginários\", enfim uma verdadeira tribuna de exercício de cidadania, cujas conclusões, na minha opinião, vale a pena transmiti-la nas linhas abaixo, embora de forma sintetizada.
Estamos (quase) todos de acordo que o actual contexto da economia nacional condiciona e muito o desempenho dos diferentes agentes económicos, quer em termos de investimento, quer da expansão ou diversificação da sua carteira de negócios, cujo ambiente continua a inspirar muito cuidado e atenção por parte das autoridades e lideranças nacionais.
Mas por outro lado, \" O Pior Momento Possível\" para se realizar um negócio faz parte de um portfólio de certas expressões, que parecem destinadas a sobreviver ao tempo que pode, de facto, ser aplicado virtualmente a qualquer mercado, praticamente de qualquer tempo e que não se extinguirá em qualquer período.
Devido às várias incertezas que os segmentos de mercado apresentam em tempo de crise, o marketing (sem distinção, não importa se é desportivo, empresarial, digital e por ai fora), é uma ferramenta profundamente inserida no seio de qualquer segmento económico e promotora de desenvolvimento e atracção de negócios e investimentos, que auxilia na tomada de decisões, não apenas boas decisões, mas as mais acertadas, porque na sua essência o marketing tem problemas a resolver e objectivos a atingir!
Dito isto, a escolha dos meios e ferramentas a utilizar não devem ser considerados como os aspectos mais importantes e tão pouco devem ser neles que vamos procurar focar os resultados que vamos alcançar. Não, ao invés disso, os meios e as ferramentas devem ser utilizados com os fins que nos comprometemos a atingir e mais do que isso, apresentar sempre, outras alternativas, tão ou mais atraentes e por custo inferior em investimento e maior ou igual em facturação.
E no nosso caso em particular, o marketing desportivo cai \"como uma luva\", porque são várias as tendências que em muitos casos já são realidade, e outras que vão surgindo e que provavelmente serão temas dominantes nos próximos anos, como importantes fontes de novas receitas para os clubes, além de também ser responsável pela contínua valorização das marcas.
No caso actual, podemos nos referir à exposição mediática das marcas desportivas, sendo que, nesse aspecto, vamos assistindo a uma variedade enorme e criativa de activar as marcas, a forma como se trabalha a arte de ter e manter o relacionamento, cada vez mais sintonizado com o público-alvo, a distribuição de conteúdos através das redes sociais.
No marketing desportivo, eu pessoalmente acredito que uma marca forte ajuda as instituições desportivas a isolarem-se dos efeitos potencialmente prejudiciais, pois a imagem que a marca gera, tem papel importante na consolidação da confiança, da credibilidade e satisfação do adepto e do consumidor do desporto em relação aos eventos desportivos.
No marketing de uma forma geral, mas sobretudo no marketing desportivo, não somos apenas aquilo que conseguimos obter a partir do que temos e nem aquilo que achamos que somos.
Nós os marketers, só “vendemos” o que realmente somos! Esse é o marketing mais forte e eficaz que os clubes e federações nacionais podem ter. E quando se aposta nisso, com a consciência correcta, é a imagem de um país que sai a vencer.
Por este motivo é que em termos desportivos, o mundo não consegue sequer imaginar aquilo que muitas vezes, os melhores estão entre os melhores! Sugestão: paremos de olhar para a janela e passemos a dar mais atenção ao quintal!

(*)Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo

Zongo Fernando dos Santos

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