Jornal dos Desportos

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Opinio

O legado de Pepino

16 de Agosto, 2018
O pais contínua em pranto pela morte de Alberto da Silva ( Pepino ), ocorrida na passado dia 12 do corrente em Benguela, sua cidade natal. Pepino, foi, sem margens para dúvidas, um dos maiores, se não mesmo o maior desportista Angolano dos últimos 100 anos!
Em função da sua trajectória no mundo desportivo, Pepino, deixou um grande legado aos angolanos, pois a importância do legado de um homem, pode ser medida por aquilo que ele deixa como exemplo para fazer e se vai perdurar, mesmo depois da sua morte. Não temos dúvidas que, durante os seus 36.670 ( trinta e seis mil e seiscentos e setenta ) dias ou seja 95 anos que esteve na terra, o agora saudoso velho Pepino deixou-nos grandes lições, não só como desportista como também na forma de estar e ser na vida.
Aprendemos, por exemplo, que um dos segredos para a sua longevidade foi ter sido um praticante regular do desporto. Quando era mais jovem, jogou futebol pelo Portugal de Benguela, nas décadas de 60 e 70 passou a desafiar tudo e todos, fazendo grandes maratonas de atletismo entre Huambo e Benguela.
Em 1975, Pepino, realizou uma das suas maiores façanhas ao correr de Benguela a Luanda, por ocasião das festas da Independência Nacional, tendo por isso ganho a simpatia de todo o povo angolano.
O mais velho Pepino, como era carinhosamente chamado por todos, não se limitou à prática de atletismo. Na década de 80, ganhou paixão pelo ciclismo e começou novas aventuras, fazendo trajectos muito semelhantes aos que fazia no atletismo, entre Benguela a Luanda.
Aos 87 anos de idade, Pepino, participou nos Jogos Olímpicos da terceira idade disputados na Califonia (Estados Unidos da América), uma competição que se realiza entre praticantes de varias modalidades, com idades compreendidas entre os 50 e os 100 anos, tendo feito boas marcas.
Em 2013, aos 91 anos de idade, o mais velho Pepino, voltou aos Estados Unidos, mais uma vez acompanhado pelo actual secretario Geral da FACI, João Francisco, e arrebatou duas medalhas de Ouro em percursos diferentes, o que causou o espanto aos demais participantes e muita alegria aos angolanos. A 4 de Fevereiro deste ano, nas comemorações do 57º aniversario do início da luta armada em Angola, Pepino, fez praticamente uma de suas últimas façanhas, ao percorrer 34 km de bicicleta em 1H34.
Portanto, hoje está mais do que provado que a prática do desporto, de forma regular, contribui para a boa saúde e, consequentemente, para longevidade dos seus praticantes. Mas ao longo da sua vida como desportista e em função das sua façanhas, algumas pessoas mal-intencionadas passaram a associar o seu grande vigor físico a forças ocultas. Na realidade, o “ feitiço “ de Pepino, para manter a sua jovialidade era o que ele comia e bebia. É interessante que, durante os seus 95 anos de idade, o velho nunca experimentou nenhum álcool ou seja nunca bebeu bebidas alcoólicas, limitando-se a apenas a água. Assim, pela forma em que o mais velho levou a sua vida extra desporto, também aprendemos ou herdamos grandes lições. O elevado grau de autodomínio em vários sentidos, tais como em manter uma alimentação saudável de forma regular, no comportamento moral e cívico e não só demonstrado por Pepino ao longo da sua vida, é digno de ser imitado.
É interessante frisar, que ao longo de sua vida, Pepino, passou por varias facetas. Por experiencia, ele sabia o que era ter uma vida humilde (pobre), mediana e estável economicamente falando.
Na maior parte dos casos conhecidos, quando as pessoas atingem a estabilidade económica, a altivez servi-lhes de colar e perdem o autodomínio no campo moral e abandonam as regras, que antes obedeceram. Não foi o caso de Pepino. Em todos os momentos de sua vida, sempre pautou por um grande sentido de humildade. Neste campo, também aprendemos valiosas lições, pois a história nos provou que, todos aqueles que se enaltecem, acabam sendo humilhados e os humildes acabam sendo enaltecidos.
Sim, pela forma exemplar como Alberto da Silva “Pepino” levou a sua vida, ele merece os nossos aplausos e agradecimentos. Mas é importante que os nossos agradecimentos sejam transformados em algo visível, que eternize o personagem Pepino.
Para o efeito, já havíamos sugerido que a Federação Angolana de Ciclismo (FACI) criasse ou incluísse, no seu pobre calendário de actividades anual, um prémio nacional ou internacional em memória de Alberto da Silva. Pelo seu legado, o nosso muito obrigado ao mais velho Pepino.
Augusto Fernandes

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