Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O levantar dos Elefantes Brancos

25 de Janeiro, 2020
A falta de visão e estratégia aguçada, provocou que os magistrais estádios de futebol construídos na véspera da realização do CAN Orange 2010, se degradassem quase totalmente, quer a relva como a estrutura em si, principalmente o da “Tundavala”, na cidade do Lubango e do “Tchiazi”, na cidade de Cabinda.
O de Luanda, o “11 de Novembro”, talvez por estar na capital do País, onde são disputados todos os jogos internacionais , noves-fora algumas mazelas, está em bom estado. De igual modo, o de Benguela, o “Ombaka”, que com algum esforço, as autoridades conseguem mantê-lo operacional.
Na verdade, as questões de manutenções sustentáveis, têm provocado que, por desigualdade de apoios, as estruturas estejam a ruir a olhos vistos. Um exemplo claro é o “gigante” de betão na cidade do Lubango que, logo depois de ter terminado a competição, ficou abandonado à sua sorte, sem haver políticas definidas, para uma gestão estratégica consequente.
O que se assistiu foi que das várias equipas de manutenção, que lá estiveram a trabalhar como eventuais sob os auspícios da delegação provincial que tutela o desporto, todas abandonaram a “empreitada” com reclamações mil de falta de remuneração dos que cuidavam minuciosamente de toda infra-estruturas. O resultado foi a degradação acelerada, com maior incidência para a relva. Mais grave do que isso, foi o desaparecimento “misterioso” do grande gerador, que suportava as despesas energéticas.
Acreditamos que em Cabinda, no Tchiazi, as questões foram as mesmas, que se redundam na falta de preparação atempada. Ou seja, ninguém preparou o “day after” Campeonato Africano das Nações (CAN). Seja por falta de experiências ou mesmo por insuficiente visão estratégica profunda. Hoje, agora, acredito que os valores para a recuperação da relva e outras dependências, sejam bastante altos, para quem como nós, tivemos todo tempo do mundo para prevenir tais situações.
Felizmente, nos últimos dias, ouve-se insistentemente que os estádios poderão passar à unidades orçamentadas para, duma forma ordeira, parcimoniosa e disciplinada, irem debelando os males de que enfermam. Para grandes males, grandes remédios, assim diz o ditado que, de resto, será aplicável no caso vertente.
O que se torna necessário será, se calhar, apontarem pessoas certas para desempenharem papel de verdadeiros gestores, homens e amantes do futebol. E aqui falo de Luís António Cazengue “Luizinho”, aquém foi entregue há algum tempo a gestão do estádio “11 de Novembro” com problemas mil, conflitos de interesses nas zonas adjacentes, enfim uma tarefa hercúlea, que ele assumiu e que começa a dar os seus frutos.
O homem, por viver e amar o futebol, faz das “tripas o coração” para manter o estádio “em dia”, fruto da sua capacidade criativa, mobilizando recursos, atraindo concorrência, estimulando outras fontes de arrecadação de receitas, para suprir algumas das muitas necessidades que o “gigante do Camama” apresenta diariamente. Parabéns Luizinho Cazengue. Estás no bom caminho e nós te incentivamos. Afinal, onde está o segredo? Talvez pela diferença geográfica ou por interesses inconfessáveis?
Havendo agora a intenção de passarem a unidades orçamentadas, será muito bom, demonstrando, à partida, o interesse do Estado (embora um pouco tardio), de preservar e garantir a sustentabilidade das infra-estruturas desportivas de maior cartaz do país. Partindo do princípio, segundo o qual o desporto faz parte de uma boa governação, estarão assim criadas as condições básicas para o reforço da capacidade de recuperação e devolução da dignidade, que eles merecem.
Samuel Eto’o, o craque camaronês, na fase preliminar do CAN de 2010 em que os Camarões disputaram no Lubango, elogiou bastante a relva do estádio da Tundavala. Se viesse hoje a Angola e visse conforme está degradada, tenho a certeza que choraria amargamente.
MORAIS CANÂMUA

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