Jornal dos Desportos

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Opinio

O Libolo e a Liga

16 de Dezembro, 2014
Quando este ano o Girabola terminou e, de novo, já pela terceira vez, o Recreativo do Libolo levou a água ao seu moinho, arrebatando o título, vimos e ouvimos logo o presidente do clube, o senhor Rui Campos, dizer que um dos grandes sonhos do clube é fazer tudo para em 2015 a equipa representar bem o país na Liga dos Campeões Africanos e, inclusive, desejou um dia erguer orgulhosamente o troféu. É positivo projectar assim. O problema é passar da teoria à prática.

A Confederação Africana de Futebol já deu o primeiro sinal de alerta e a equipa do Libolo não pode adormecer: é que em Fevereiro a fase preliminar da Liga deve arrancar e mesmo que não se saiba ainda que adversários calham à sua frente, deve traçar todas as estratégias possíveis no sentido de não entrar na prova às cegas, particularmente evitar uma pré-época com estágios e reforços apenas para inglês ver. Isto não! Falhas desse cariz redundam no desejo de apenas participar, com o desejo de experiência, quando o que se espera das grandes equipas - e o Libolo está a ser uma grande equipa - é já espírito competitivo, com determinação ganhadora, com vontade, enfim, de triunfar.

A última vez que vimos o Libolo na alta roda do futebol africano foi em 2013 e, verdade seja dita, conseguiu estar no lote das oito equipas da fase final de grupos da Liga dos Campeões, embora naquele ano estivesse, temos de reconhecer isto, com uma paupérrima prestação nas provas internas.
Normalmente - e desta vez não foge à regra - estão na fase de grupos equipas com larga tradição no futebol africano. O Libolo aqui ainda não tem tradição, mas tem de pensar em si mesmo, sem fazer conjecturas comprometedoras.

A equipa já mostrou que pode chegar longe e então deve enveredar nesta mesma senda. O ano passado, por exemplo, viu a Confederação Africana de Futebol "ditar-lhe" um sorteio que o colocou ao pé do grande Esperance de Tunes (Tunísia), Conton Sports (Camarões) e Sewe da Costa do Marfim. Uma das experiências ficou. O Libolo sabe que teve, por exemplo, um calendário muito apertado. Nestas circunstâncias, o que a equipa deve fazer para chegar longe é procurar não perder fora, aproveitar o facto de receber em casa mais à vontade os adversários, sobretudo quando os considerar como do “seu campeonato” e desde logo fáceis de vencer.

Hoje não há adversários fortes e fracos. Importa ter lições bem estudadas e se o Libolo conseguir vai fazer melhor do que protagonizou até agora na Liga, uma competição onde esteve pela primeira vez em 2010, mas eliminado sob o comando do técnico Mariano Barreto. A equipa voltou a lá estar em 2011 e acabou afastada na segunda eliminatória, com Zeca Amaral à frente. Depois, outra vez em 2012, e ficou de novo na segunda eliminatória com Zeca Amaral. Desta vez, como vai ser com Miller Gomes?

A resposta, boa, tem de começar a ser escrita na fase das preliminares até chegar à de grupos, impor-se aqui... e atingir a final, onde poucas equipas angolanas chegaram. Sim, poucas mesmo, porque pela primeira vez esteve na Liga dos Campeões Africanos o 1º de Agosto em 1997, ano em que os militares ficaram em terceiro lugar, com dez pontos, atrás do USMA da Argélia (11 pontos) e Raja de Casablanca (Marrocos), com (11). Depois, foi a vez do Atlético Sport Aviação (ASA) em 2003, orientado na altura pelo técnico Bernardino Pedroto, cuja equipa ficou em terceiro, no Grupo B, com quatro pontos. O Libolo espera superar todas estas marcas segundo o que se pode perceber do investimento que a direcção está a fazer.Os amantes do futebol em geral e os adeptos da equipa em particular quer aplaudir no fim.
António Félix

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