Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O momento j de honrar atletas que partiram

02 de Novembro, 2019
Hoje, 2 de Novembro, é dia consagrado aos finados. Àqueles, que passaram desta para outra dimensão. Particularmente desportistas, que ao longo da sua passagem na terra, deram o seu melhor em prol de uma causa comum: o desporto.
Propusemo-nos a abordar esta temática, porque entendemos ser de suma importância, porquanto nem sempre ou melhor regra geral, não tem sido abordado, o que de certa forma nos encorajou a trazê-lo, como tema de eleição deste dia 2 de Novembro de 2019, neste espaço escrito “A duas mãos”.
Na verdade, não é fácil falar da imensidão de desportistas, que hoje já não fazem parte do mundo dos vivos. São muitos. São muitos os que deram o seu melhor em prol das suas agremiações e, sobretudo, pela selecção nacional e, por conseguinte, pelo País.
A lista é enorme. Mas, ousamos, aqui destacar alguns nomes, sem contudo provocar desprimor a outros que, eventualmente, possam não ser citados por força de exercício de memória e não propriamente por esquecimento.
Demósthenes de Almeida, Chico Negrita, Geovety, Praia, Ginguma, Novato Vicente, Luís Cão, Rábida, Kiferro, Pepino, Ângelo Silva, Nelo, Vlademiro Romero, Canhoto, Paulo Bunze, Russo, Melo Nsuka, Gerónimo Neto, Joca Santinho, Zandu, Maluka, Manico, Ndongala, Laika, Wilson, Julião Kutonga, Chinguito, Semica, Chico Ventura, Jacinto, Viana, Fundo Martins, Chinho, Mabi de Almeida, enfim uma lista vasta de elementos, que num passado recente dedicaram as suas vidas em prol da causa desportiva. Ajudaram a colocar o seu “tijolo” no edifício do desporto angolano e que por variadas causas já não convivem connosco.
Há que se reconhecer que hoje, o nosso desporto só tem a “cara” que tem, porque lá atrás houve pessoas que se bateram de corpo, alma e coração para que, no pós-independência, passo-a-passo pudéssemos erguê-lo nos patamares que hoje se conhece.
O mais relevante é que o fizeram, durante anos a fio, “por amor à camisola” ou seja, sem lucrarem mundos e fundos, como soe dizer-se.
Fizeram-no por um exacerbado sentido patriótico. Fizeram-no honrando o nome de um País, que então erguia-se das cinzas de uma guerra atroz e fratricida. Geralmente é assim que ousamos falar: Honra e Glória aos nossos heróis!
E de facto são heróis todos aqueles, que ajudaram a erguer a bandeira do desporto. Cada um a seu jeito e à sua maneira. Hoje, em qualquer lugar onde estejam, merecem a nossa vénia e o nosso reconhecimento.
Infelizmente cá entre nós, se tornou hábito reconhecer as pessoas apenas e só depois de terem morrido. É mau! Não pode ser assim.
Temos que ter hombridade de reconhecer os feitos de alguém, enquanto este estiver vivinho da silva. A coisa assim tem mais sabor e sentido. Aqui, temos que abrir um parêntesis e saudar a atitude, que determinados organismos tiveram ao homenagearem, algumas vezes, ainda em vida, o mais velho Pepino.
Foi de facto muito bom e elegante, prestarem homenagem significativa à alguém, como ele, que dedicou quase toda sua vida pela causa desportiva, praticando, incentivando os jovens a aderirem não só ao ciclismo e ao atletismo, que eram as suas modalidades de eleição mas em outras que configuram o desporto.
Outros exemplos podem ser citados e eleitos, até pela necessidade de se fazer disso uma prática. As homenagens têm cariz de reconhecimento de feitos de quem ou aquele que em determinado momento emprestou a sua inteligência, força, determinação e estoicismo à uma causa nobre e nacional, sem olhar a meios, atingindo fins que vangloriaram todo um país.
Aos desportistas, que é a nossa área de acção, devem continuar a doar-se pelo desporto e pela sua causa. Não obviamente procurando e esperando actos de homenagens mas, fundamentalmente, cumprindo o seu dever no âmbito da actividade que desenvolvem.
Às autoridades e organismos de direito, antes tarde do que nunca.
Necessário se torna valorizar o esforço daqueles, que ao longo dos anos deram o seu contributo para o engrandecimento desta vertente social. Necessário se torna buscar exemplos daqueles, que, infelizmente, já não fazem parte do mundo dos vivos, para incentivar e fazer passar o legado e testemunho na perspectiva da continuidade e sustentabilidade.
Hoje, neste dia 2 de Novembro, consagrado aos finados, a nossa significativa homenagem vai para todos os desportistas deste país, que pereceram pelas mais diversas causas mas que, enquanto vivos, deram o seu valioso contributo para que hoje, por exemplo, estejamos a saborear, com alegria, as vitórias que os nossos Palanquinhas têm estado a somar no Mundial de Sub-17, que decorre no Brasil. Honra e glória aos desportistas já falecidos!
Morais Canâmua

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