Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O nosso Girabola e o dobrar da esquina

01 de Setembro, 2018
O Girabola Zap 2018 está a terminar. Estamos por isso, no dobrar da esquina. Para muitos, este campeonato foi muito rápido. Foi disputado a um ritmo anormal. Atípico. A “Speed Gonzalez”, ou seja, com velocidade estonteante. Mas, quer queiramos como não, chegamos ao dobrar da esquina. Na última curva para o fim. Um final que deixa mazelas para alguns e felicidades para outros.
Tristeza para os que, mesmo faltando por disputar a última jornada (será amanhã a esmagadora maioria dos jogos), já conhecem o seu futuro. Para aqueles que melhoraram a classificação e tiveram boa safra, de certeza que estão a sorrir. Mas, para os que não tiveram um rendimento por aí além, estarão obviamente a chorar. Porém, diz-se que não se pode chorar pelo leite derramado. O que é necessário é levantar a cabeça, reequacionar os projectos e seguir em frente, determinado e com resiliência.
Prefiro começar de baixo para cima e falar inicialmente dos que tiveram o “azar” de descer de divisão, nomeadamente o JGM, por desistência, o 1º de Maio de Benguela e o Domant de Bula Atumba, digamos, por “incompetência competitiva”. Aos “meninos do Huambo”, muito cedo deram mostras de que poderiam ir longe, mas logo se notou que faltava a base estrutural do projecto. Jorge Mangrinha, o seu patrono, teve erros de cálculo grosseiros ao alvitrar que, sozinho, poderia “abraçar o imbondeiro”. Essa “ousadia” custou naturalmente caro, à apetência de jovens (treinadores e jogadores) quererem mostrar o que valem no mundo do futebol.
Infelizmente, o destino não correspondeu com os anseios e, a dada altura, caminhando sozinho e isolado, o “patrão” Mangrinha, avaliadas que foram as possibilidades de prosseguir, preferiu terminar de forma abrupta, abandonando o cavalo na travessia do rio – desistiu a uma jornada do final da primeira volta – grande golpe!
Curioso nisto tudo foi o facto de José Agostinho Tramagal, o categorizado técnico de futebol, ter iniciado os trabalhos de pré-época na equipa do Huambo e, logo no princípio batido com a porta, alegando incongruências e incompatibilidades, o que até é natural. A curiosidade está apenas no facto de Tramagal ter abraçado o projecto do Estrela Clube 1º de Maio que, por ironia do destino, tal como o JGM acabou, igualmente, descendo de divisão. Afinal, a “mainga” era de quem?
Quanto ao Domant de Bula Atumba do Bengo, a história já foi diferente, apesar de se equiparar com a constância de mudança de treinadores. Iniciou a época com turbulências pelo meio neste capítulo e acabou sem definições acertadas neste quesito. Preferiu gerir a temporada, com um grupo de ex-futebolístas pouco experientes nas lides do treinamento. Isto também terá tido o seu “quê”. Por muito respeito que tenhamos de Gil Martins e companhia, temos que reconhecer que, todavia, não têm ainda tarimba e traquejo suficiente, para sustentar uma equipa no Girabola. Agravando ainda mais por se ter tratado de uma prova “speedada” (me permitam o termo), ou seja, rápida e com características anormais, onde a gestão de esforços na recuperação de atletas e doseamento do treino, impunha profundidade e, sobretudo, experiência.
O dobrar da esquina também incorpora a questão do título que, mais uma vez, será decidido na última ronda. 1º de Agosto e Petro de Luanda estão na frente, separados apenas por um “pontito”. Para alcançar o ceptro, repetir a proeza dos dois últimos anos e ser novamente “Tri”, o “Pri” precisa apenas de “Triunfar” diante do adversário de ocasião, o Cuando Cubango Futebol Clube e, desta forma, anular a perseguição impiedosa do seu arqui-rival. Somaria assim, 57 pontos e, mesmo que os petrolíferos vencessem o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, perfaziam apenas 56 pontos. Os agostinhos sorririam no final pela conquista suada.
Mas, até se concretizar esta realidade, todavia subjectiva, há vários outros cenários que se podem alvitrar, a julgar pelo estado emocional, psicológico e físico das equipas intervenientes, principalmente para estes dois desafios. Em relação aos militares, se por um lado, estão galvanizados pelo feito de se terem apurado para os quartos-de-final da Liga dos Campeões Africanos e, ainda por liderar o Girabola; por outro, convenhamos, estão com muitas deficiências físicas.
A “maratona” de jogos a que foi submetida, com disputas nas competições africanas e internas, nos últimos dois meses, explicam bem isso. Já os petrolíferos, terão “acordado” tarde da letargia que os possuía. O Petro de Luanda teve capital suficiente, para puder chegar agora, no dobrar da esquina, na frente. Numa só palavra, convenhamos, não soube aproveitar da melhor forma as chances. Ou, se calhar, não teve competência suficiente para tal. Por isso, em nada vale procurar “bodes expiatórios” baratos, para justificar o desaire.
Quanto aos adversários da jornada, quer o Cuando Cubango FC, quanto o Sagrada Esperança, não têm nada a perder. Farão destes jogos para provar a sua competência competitiva e mostrar a sua honra. Todos querem acabar bem o campeonato.
E mais, nenhuma delas quer participar numa festa em que não foram convidados. É assim que o Girabola dobra a esquina!...
Morais Canâmua

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