Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O nosso imprio tem de continuar

09 de Agosto, 2016
Num ano de imensas dificuldades económicas e financeiras por que o nosso país grassa é, verdadeiramente, um acto de elevado heroísmo e patriotismo a conquista do Campeonato Africano de Basquetebol de sub-18 pelos rapazes orientados pelo antigo internacional, angolano, Manuel da Silva "Gi" e, por esta razão, o facto de assim poderem participar em 2017 no Campeonato do Mundo de sub-19, mostra que o investimento e a aposta nos escalões mais baixos é o caminho certo para garantir a hegemonia nos seniores, quase abalados nos últimos Afrobasket, sobretudo naqueles em que a Tunísia e a Nigéria conquistaram.

Não sendo embora um "expert" deste jogo da bola ao cesto faço coro com as pessoas abalizadas que apelaram para a necessidade da grande atenção a dar aos rapazes de do Ruanda desembarcarem em Luanda de ouro ao peito e, desde já, não há como ficar sem suportar a boa vontade do próprio treinador, Manuel da Silva "Gi",que mostrou-se disponível para orientar com a mesma sapiência técnica e táctica a selecção no Campeonato do Mundo. A federação que não cometa o erro de preteri-lo por um outro como fez ( embora para sénior) naquela selecção em que estava para ficar à frente o José Carlos Guimarães e, à última da hora...

Sem um acompanhamento integral dessa selecção de sub-18, poderá ser difícil fazer história no Campeonato do Mundo de 2017 e, por arrasto, alimentar-se a esperança de que o futuro da de sénior estará garantida.Claro que os grandes impérios também caem, mas esse império basquetebolístico, essa hegemonia construída ao longo dos anos pode ter sustentação ainda a longo prazo se houver de facto maior atenção de todos os agentes da modalidade aos escalões de base para esta modalidade que em Angola encontra hoje grande adesão.

Quando este desporto estava para ser "jogado" pela primeira vez no nosso país ( exactamente em Luanda, a 18 de Maio de 1930) o então denominado jornal "Província de Angola" que hoje o Jornal de Angola, escrevia que era necessário a boa vontade de meia dúzia de carollas que, não procurando vencer o adversário após uns escassos treinos, tinham apenas como fito vencer a resistência passiva de muitos incrédulos que havia em Luanda e dentro de certos clubes.

A verdade é hoje tornou-se entre nós - passados 86 anos - um desporto de paixões e multidões, que dá até ganhos políticos com a projecção do nome de Angola. Aliás, foi por causa disso e da fama e domínio que ganhou em África e das boas exibições em Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos que o basquetebol angolano mereceu horas de primeira página no grande jornal norte-americano" The Wall Street Journal".

Não há assim como não manter o apoio a partir das bases, dos clubes, das associações, da federação e, em grande escala, do Executivo e outros parceiros no sentido de se potenciar os escalões de formação e, assim, serem viveiros que faça capitalizar ganhos em vários domínios.Neste domínio, acho que foi mais uma vez oportuna a felicitação do Presidente da República a esses bravos rapazes de sub-18 que no Ruanda elevaram a nossa auto-estima.Quando Angola viu fugir o título de sénior em 2011, para a Tunísia eu ouvi o ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, a dizer que a selecção angolana perdia o titulo, mas continuava no topo do basquetebol africano. A recuperação porém, não demorou, porque o ano passado (2015), com os nossos olhos de ver...ficamos a ver navios diante da Nigéria.

Por esta razão, sem ser repetitivo, considero que a conquista dos Sub-18 obriga a que se aposte netes jogadores jovens já com apurada cultura técnica e táctica e na sua equipa técnica.
Com eles há toda a certeza de uma selecção onde estão os melhores atletas em todos os aspectos. O que os mesmo estão a evidenciar deve apenas ser complemantado com suportes de boa gestão de recursos financeiros, logístico, administrativo e técnico na federação, que não comprometam o futuro.

António Félix

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