Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O novo Presidente e o desporto

30 de Setembro, 2017
Na verdade, o desporto, como vertente social movimenta de facto a sociedade provocando benefícios incalculáveis e que proporcionam o bem estar, a saúde e boa qualidade de vida. Provoca também que menos pessoas fiquem doentes e, por via disso, menos gastos na compra de medicamentos e, por conseguinte, menos camas ocupadas nos hospitais. Toda essa envolvência, nos faz crer que a cadeia de facto é tal modo grande, que proporciona uma rentabilidade maior. Ou seja, vale a pena apostar.
Porém, como sabem, toda essa \"engenharia\" depende, em grande medida de sistemas e sub-sistemas implementados, das conjunturas e conjecturas e fundamentalmente dos contextos. Todos esses paradigmas jogam um papel importante para a definição de um modelo doutrinal que emane da estrutura que dirige e decide. Aqui de facto, entra a \"governance\". A governação.
No passado dia 26 de Setembro, no seu discurso à Nação por ocasião da sua investidura à mais alta magistratura do Estado, o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço reservou um espaço significativo para aquilo que pensa sobre o desporto no seu consulado. Apontou o desporto escolar e universitário bem como a estimulação da base, como alguns dos pressupostos para a sustentabilidade desta vertente.
Por outro lado, falou das infra-estruturas que, para ele, devem ser bem geridas com manutenções periódicas a mistura como sustentáculo importante para a prática salutar do desporto.
Este sinal, deve ser visto como luz verde que Lourenço mostra ao caminho, visando continuar a dar a devida atenção à esta vertente que, um governante da sua estirpe e igualha, nunca iria dispensar. Aliás, não foi em vão que o seu antecessor, José Eduardo dos Santos, declarado como homem do desporto emprestado à política, o fez durante quase todo seu consulado. Talhado nesta vertente, JES conhecia bem o lado estratégico do desporto para a governação e, como lhe corria nas veias, tudo se tornou mais fácil.
Neste contexto, se pode dizer que os desportistas angolanos são sortudos por terem novamente, um Presidente que se identifica claramente com esta vertente. Primeiro porque, desde tenra idade sempre praticou desporto, como o ciclismo, o futebol e artes marciais, com destaque ao karaté em que, segundo consta, chegou a cinturão negro. Portanto, juntando as abordagens que fez em relação ao desporto, estão criadas as premissas para que a sua governação seja exitosa.
Naturalmente que começará uma nova Era devido a vários factores quer exógenos como endógenos que, diga-se, ensombram, aqui e ali, o desenvolvimento e crescimento sadio e, sobretudo estrutural do desporto cá entre nós.
Só desta forma, Angola continuará a inscrever o seu nome em vários palcos competitivos do continente e do mundo constituindo assim, um factor de alta diplomacia buscando outros ganhos consequentes para a revitalização e sustentabilidade contínua das gerações vindouras. Aliás, João Lourenço sublinhou esse pressuposto quando na passagem sobre esta matéria disse e eu atrevo-me a citar: \"o desporto deve também assumir uma dimensão inspiradora e formativa, de modo a permitir construir uma Angola fraterna, mais inclusiva e em que as barreiras do preconceito e da intolerância vão sendo derrubadas (...)\"
Por outro lado, o novo Presidente da República mostrou conhecer bem da coisa quando, a seguir referiu que, \"reconhecemos que as nossas e os nossos desportistas têm sabido honrar, além-frontreiras, o Hino e a Bandeira nacional, unindo ainda mais o povo angolano (...)\"
Na verdade, aqui está demonstrada a sensibilidade do homem que, dentre as muitas prioridades que o país tem, no âmbito do contínuo processo de reconstrução, quer implementar o lema: \"Renovação e transformação na continuidade - Melhorar o que está bem e corrigir o está mal\" e o desporto, de certeza que está neste pacote, a julgar pela magnitude e importância estratégica que tem para a governação.
Assim sendo, se impõe que estejamos com ele para juntos procurarmos as vias expeditas para estruturarmos o nosso futebol, o nosso basquetebol, o nosso andebol, enfim o atletismo, o boxe, o hóquei em patins, a pesca, o tiro aos pratos, ou seja, o nosso desporto para que, mais cedo do que tarde, o futebol volte a participar nos campeonatos africanos com regularidade, nos torneios internacionais e quiçá num Mundial.... que o basquetebol volte a conquistar títulos africanos, que o andebol continue a conquistar a África e o mundo, que as nossas infra-estruturas não estejam transformadas em autênticos \"elefantes brancos\", que a prática do desporto nas escolas e nas universidades seja massiva e que surjam craques capazes de puderem se impor nos principais emblemas do velho continente como fazem os Camarões, Ghana, Nigéria, Cabo-Verde, Senegal, Congo Democrático, entre outros.
Estamos crentes que o Presidente deverá manter a sua identidade com o desporto nas suas mais variadas vertentes. Bem-haja!

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