Jornal dos Desportos

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Opinio

O oxignio para ms arbitragens

01 de Junho, 2017
O árbitro é uma peça fundamental para que haja desporto de alta competição. Futebolisticamente falando o homem do apito ou juiz da partida exerce grande influência. Numa partida de futebol o juiz pode determinar o resultado final independentemente da capacidade futebolística dos contendores.Tendo em mente esta realidade, nos últimos anos tem sido comum adeptos, jogadores, treinadores e até direcções de clubes, atribuírem as culpas aos árbitros pelos seus insucessos.Até certo ponto tais acusações têm razão de ser porque o futebol é uma modalidade com regras facilmente entendíveis e por isso todo o amante desta modalidade percebe a maior parte das regras e é um autêntico árbitro de bancada.

Nos últimos anos o tema “corrupção na arbitragem” já fez correr muita tinta e de certeza que vai continuar a fazer correr, porque a cada dia que passa a corrupção não só na arbitragem mas em toda a sociedade está a aumentar assustadoramente.Mas a grande questão é: quem corrompe quem? Quem dá vida a este mal que já se está a tornar aceitável na sociedade assim como o oxigénio é fundamental para a sobrevivência?

O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Angolana de Futebol (FAF) Jorge Mário Fernandes, que conhece bem os meandros da arbitragem angolana e não só, deu-nos uma pista. Em entrevista à Rádio 5 o ex-árbitro internacional afirmou que existem clubes que influenciam o comportamento dos árbitros durante o ajuizamento dos jogos.Esta afirmação de um homem que esteve lá dentro e agora nas vestes de dirigente é claramente elucidativa e não deve ser entendida como denuncia ou que tenha entregue a sua “tropa à bicharada”.

É importante frisar, que no mundo em que vivemos, a candura (a coragem de assumir erros pessoais publicamente) não faz parte da personalidade da maior parte das pessoas.Por isso, quando alguém diz alguma verdade relacionada a si mesmo ou a sua área de jurisdição no sentido negativo pode ser mal interpretado.
Mas não é o que pretendemos com este artigo. Muito pelo contrário queremos elogiá-lo pela coragem que teve em dizer publicamente o que a maior parte da família do futebol na verdade sabe mas não assume.

Aquele dirigente citou como exemplo em que notou-se um comportamento anormal dos árbitros nos jogos Progresso da Lunda Sul – 1º de Agosto, Petro de Luanda – 1º de Maio, Bravos de Maquis – Petro de Luanda e outros que nós a imprensa desportiva e vários adeptos comentamos.Portanto, enquanto os clubes continuarem a “oxigenar” os homens do apito para más arbitragens continuaremos a estar longe da verdade desportiva. Não nos esqueçamos que quem semeia vento colhe tempestade. Com isto queremos dizer que com a mesma moeda que se paga para ganhar paga-se para perder .
Augusto Fernandes

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