Jornal dos Desportos

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Opinião

O País pede contas

12 de Setembro, 2017
Se a \"Nação agostina\" pede contas à sua equipa, nomeadamente a conquista do Girabola ZAP, então a resposta está aí, de jogo a jogo, a consolidar em campo esta soberana vontade. Só acho que hoje, terça-feira, não interessa mais falar exaustivamente dessa magra (1-0) vitória sobre o Petro de Luanda. Basta de facto que ela aconteceu e que todos os agostinos estejam a festejar, rumo à renovação do título, obra que não será fácil.

Aliás, o treinador adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, reconheceu que a vitória teve um sabor especial, por ter devolvido a liderança do Girabola2017 à sua equipa, mas ele também não mentiu ao sublinhar que foi difícil ganhar aquele jogo lindo, muito electrizante como nunca mais se viu. Eu estarei também aqui para continuar a ver se é o 1º de Agosto ou o Petro que manterão a senda de vitórias. Está interessante a corrida o título com este \"ora lidero eu, ora lideras tu\" e no final tudo se verá.

Por falar disso estou aqui a esperar o que virá da nossa selecção de basquetebol que ainda não acertou. Acho até que o País inteiro - e mesmo a África e o \"Mundo\" que admiram a Angola já assistiram a três sofríveis jogos da nossa selecção no Senegal e podem dizer que viveram dramas que já não se vislumbravam há mais de duas décadas em que tudo “ só dava” Angola e mais Angola!

Esse drama tem a ver com aquela vitória (94-89) arrancada a ferro e fogo diante do \"ousado\" Uganda; a vergonhosa derrota (53-60) com o Marrocos e o outro triunfo (66-44), também logrado a suar, frente á selecção da República Centro Africana. Agora a pergunta é: essa selecção sénior no próximo jogo a doer com o Senegal vai ser vergada ou terá já a forma e a prestação que lhe garanta uma vitória estrondosa na caminhada para o título de campeão africano, destronando a Nigéria?.

Não sou especialista na bola ao cesto, mas, desde 2011, ano em que perdemos o título para a Tunísia e, anos depois, para a Nigéria, venho dizendo que Angola não podia continuar a acreditar num domínio eterno. Os poderosos impérios ruem e por causa desta verdade, Angola certamente um dia cairia ante a superioridade de uma outra equipa emergente no basquetebol africano. Estará já a acontecer?

Eu acho que o declineo por enquanto se deve à negligência dos nossos líderes - dirigentes, treinadores e alguns atletas. Quem falhou para que a nossa selecção em Dakar jogasse como vergonhosamente jogou nos três jogos? O campeonato ainda não terminou, mas é meu desejo que Angola suba ao pódio, mas, para o futuro, não vale a pena escondermos ou escamotear as nossas debilidades, por nossa culpa na falta de invetimento.

Para mim a verdade é esta: o império do basquetebol angolano só está a ser posto em causa porque há na federação uma casta de dirigentes que deu primazia a caprichos individuais em oposição ao relevantíssimo interesse público – aqui enfatizo eu – que sempre e sempre gravitou em torno da selecção, quer em época de qualquer preparação quer já em competição.

Por isso, sem rodeios, nem medo de errar, posso chamar aqui à colação o principio segundo o qual há direcção colectiva, mas responsabilização individual: o dedo indicador vai para o presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Hélder Cruz \"Man-Neda\".
Porque mesmo sabendo dos aspectos singulares de treinos, características físicas e morfológicas do angolano jogar ao basquetebol, preferiu contratar ( se houve comissão é o que não sei) um treinador que tendo embora certo \"Know How\", ainda está sem um cabedal de experiência que o habilita a conduzir facilmente o nosso cinco para o título.

Digamos que Man-Neda arriscou contra tudo e todos. Na contratação ou nomeação de Manuel Silva \"Gi\" quase atirou para a sarjeta, passe a expressão, jogadores de alta valia. Man-Neda e Manuel Silva \" Gi \" estão pensar que são os \"arquitectos\" de tudo para ganhar e que o resto apenas \"fotógrafos\". Ledo engano.

Porque o País conhece os rapazes que anos a fio deram o litro em várias frentes internacionais para fazer Angola sorrir a jogarem ao estilo angolano. Há jogadores que foram dispensados, mas ainda em altura de potenciar e concretizar a nossa auto-estima. O presidente da federação sabia de tudo isso, mas, em ocasiões várias, fez crer que a razão estava do lado do treinador; caucionou práticas inconciliáveis com o que estava alicerçado para de novo vencermos o Afrobasket.

O imediatismo com que quer ganhar a prova pode ter um preço inesperado e se houver drama que venha a fazer o País chorar pela derrota, Man- Neda e seus pares poderão dar um salto para o desconhecido. Qual? A resposta é esta: se Angola fracassar deverão \"pagar\" pela desonra ao País, o caminho imediato, pela frente, deverá ser a coragem de pedirem a demissãodo os erros que a federação comete com o rol de desorganização que rola nas suas quatro paredes.
ANTÓNIO FÈLIX

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