Jornal dos Desportos

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Opinio

O pecado original dos nossos eleitos

21 de Março, 2017
O que muitas vezes leva as direcções à mandar os treinadores a irem a à sua vida são os resultados. Já viram, por exemplo, a forma ontem à noite o Kabuscorp do Palanca deu a \"cambalhota\" aos Progresso do Sambizanga que, estando a vencer por 2-0, acabou, perdendo, escandalosamente, por 3-2?

E acho que sobre a orientação de ontem do técnico sambila Kito Ribeiro muitos devem estar a dizer cobras e lagartos, mas, para p palanquino Romeu Filemon a exaltação - só por ganhar - é bestial. E é isto que dá, às vezes, entradas e saídas. Mas o assunto ainda, para início de conversa, é entrada e saída na CAF, conforme sugeriu-me aqui ao pé o Carlos Calongo. E, neste sentido, mantenho a mesma posição:

Trata-se de um quadro que tem de ser invertido se os \"nossos eleitos\" forem mais activos e não apenas ficarem pela notoriedade, pela altivez, pela \"banga\". Porque, efectivamente, é aqui onde costuma estar o \"pecado original\" de muitos dos nossos eleitos: não saber fazer as coisas.

Já escrevi aqui, neste jornal, na sexta-feira passada, na minha coluna \"Hoje Jogo Eu\" que na Confederação Africana de Futebol a queda do camaronês Issa Hayatou e a subida do malgaxe Ahmad Ahmed, foram como que lufadas de ar fresco porque não é muito bom alguém ficar anos a fio, de pedra e cal, como se mais ninguém tivesse ou tem capacidade e competência para tal.

Felicitei também a ascensão a subida do angolano Rui Campos, presidente do Libolo, para o Comité Executivo da Confederação Africana de Futebol e que essa saiba \"jogar\" tudo naquele órgão, no sentido de o futebol angolano ter ganhos com a sua presença lá, quanto mais não seja, por via dos \"lobbies\" que poderá fazer no campo competitivo e organizativo, a favor das nossas equipas ou selecções nas Afrotaças.

E porquê que falo em \"lobbies\"? Porque, quanto à mim, não é a primeira vez que um dirigente do nosso futebol nacional atingiu lugar de relevo nalgum órgão da Confederação Africana de Futebol - e até mesmo da Federação Internacional Associado - sem no entanto terem trazido mais valias que se reflictam, aqui na nossa terra, no desenvolvimento deste desporto de jogar à bola que se chama futebol, o tal desporto-rei.

Por exemplo o nosso compatriota Justino Fernandes até 2011 integrou o Comité Executivo da Confederação. E mais: logrou um posto na Comissão de Auditoria da Federação Internacional.

O seu sucessor, Pedro Neto, também teve movimentações e actuações de destaque. Aconteceu igualmente já com João Lusevikueno, vogal da Federação Angolana de Futebol, que trabalhou para o órgão de imprensa, e Mulata Prata, então responsável pelo conselho central de árbitros de Angola, indicado, a s eu tempo, para o comité de competições de clubes.

Portanto, não basta apenas isto. É necessário capitalizar protagonismo, fazendo destes lugares uma espécie de catapulta para afirmação do futebol angolano. Julgo que esta foi uma das intenções manifestadas em 1979, quando o Governo da República Popular de Angola - por via da então Secretaria de Estado de Educação Física, dirigida por Rui Mingas - mandou inscrever as federações nacionais, todas elas, junto dos organismos desportivos internacionais afins.

Uma vez nelas filiadas, o imediato era apenas participar nos Jogos Olímpicos, mas, acto contínuo, ganhar também postos de referência nas federações internacionais e confederações africanas. O Carlos Calongo, tocou na questão do, João Pintar e Figueiredo, despedidos do Bravos do Maquis e Progresso da Lunda Sul, respectivamente; do Albano César que vai agora ao Progresso da Lunda Sul, saindo do Progresso do Sambizanga e outras mudanças.

Para mim tudo isso só não dá para o torto se a regra de ouro entre treinadores e direcções dos clubes se pautar pela harmonia, pela honestidade. Quando falha, há pois o \"tal pecado original\" que resulta em desentendimentos, \"chicotadas\", em transferências forçadas.

De contrário, os treinadores ou dirigentes que ignorem isto estarão a dar, por suas contas e riscos... um salto para o desconhecido. Figueiredo, Kito Robeiro, Albano César, António Alegre ( há quem esteja a falar já de João machado) é como se estiverem a dar este salto para o desconhecido. E pior ainda dispensam conselhos jurídicos.

Um treinador até pode ter um certo cabedal de experiência; pode ter um bom \"know how\" em matéria de treino; métodos e técnicas modernas de treino para fazer os jogadores lerem o jogo. Mas quando faltam os resultados...

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