Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O pontap do Gira, multides e emoes

29 de Julho, 2019
Para os que estavam com ressaca por causa do futebol considerado de primeira água em Angola, Agosto é o mês onde tudo volta ao normal, quando é dado o pontapé de saída da nova época futebolística. O futebol é um fenómeno sociológico de massas enraizado na cultura e no estilo de vida nacional.
Fora das quatro linhas que circundam os campos relvados, onde 11 jogadores de cada lado disputam a entrada da bola dentro da baliza adversária, o futebol joga-se fervorosamente, no dia-a-dia, num espaço de 1.246.700 km2, que é de Angola, por milhões de amantes do desporto-rei que são angolanos e em lugares que vão desde conversas de café, discussões entre amigos, comunicação social, internet e redes sociais.
E são nestes lugares que se vive e se respira o campeonato das emoções.
A verdade e a mentira dependem do momento, da circunstância e do lado em que se está da barricada – toda a gente tem os seus argumentos, mesmo perante factos.
Citando o filósofo Blaise Pascal, “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, assim é o futebol em Angola, muitas razões, sem razão nenhuma.
O campeonato das emoções é paralelo à época futebolística – o jogo é totalmente dos adeptos, que quase nunca enchem os estádios, mas que sustentam o único jornal desportivo diário, horas intermináveis de debate na única estação de rádio ligado ao desporto no país (sem contar com a transmissão dos jogos propriamente ditos).
Para além de serem o destaque de agenda da comunicação social, os clubes são, também eles próprios, media. Mas até hoje a maioria dos nossos clubes, para dizer todos não aproveitam e tão pouco exploram estrategicamente este capital, que em outras latitudes gera afinidade com os adeptos, relação com as comunidades e retorno para os patrocinadores.
Os nosso clubes ignoram o facto, de que quanto maior for o espaço de comunicação do clube, maior a sua capacidade de projectar a sua marca, envolver adeptos e reforçar os seus argumentos junto dos seus patrocinadores, garantindo-lhes visibilidade e engajamento Apesar da ambiguidade duma provável relação directa entre resultados desportivos e gestão de marketing, o certo é que, quanto mais valorizado for o clube como marca, melhores são os seus resultados desportivos.
A explicação é simples e até bastante objectiva, existindo maior capacidade de envolver adeptos, e patrocinadores, mais dinheiro entra para fazer a gestão desportiva propriamente dita.
O marketing não gere um clube ao nível desportivo, os jogos ganham-se dentro do campo, mas, é fora do campo que está o campeonato das emoções, ou seja, o activo mais valioso gerado em torno deste fenómeno do futebol, pelo que ajuda muito.
Porém, realçar ainda que uma estratégia de marketing desportivo não é por si mesma as melhores das decisões a serem tomadas. Por si só elas não fazem milagres. As estratégias de marketing desportivo auxiliam os gestores de marketing a tomarem as melhores decisões, decisões baseadas por um lado em boas informações, e por outro em informações de qualidade, muitas vezes adquiridas através de ESTUDOS DE MERCADO, pontuais e circunstâncias.

(*)Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernandes dos Santos

Últimas Opinies

  • 21 de Setembro, 2019

    Craques que buscam afirmao alm-fronteiras

    É por demais sabido, que a história do futebol angolano regista o nome de ex-jogadores, que ajudaram a elevar o nome do país além-fronteiras.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Talentos angolanos ofuscados na dispora (?)

    Hoje, neste espaço assinado “A duas mãos”, concordamos escrever sobre um assunto de suma importância e que merece a nossa atenção, até porque, sem desprimor para outros, as questões sobre os futebolistas angolanos que actuam na diáspora, com particular destaque para os novos talentos que têm, nos últimos tempos, preenchido largos espaços na média desportiva e não só.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Os adversários são bons, os grupos são fortes e têm boas selecções.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Crise petrolfera

    Há maus ventos no Petro Atlético de Luanda

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Futebol nacional deve ser revolucionado? (II)

    A semana precedente fechei o texto com o seguinte argumento: “A meu ver, já não se pode gastar dinheiro em vão com o futebol.

    Ler mais »

Ver todas »