Jornal dos Desportos

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Opinio

O povo quer golos

29 de Abril, 2016
Que os golos são os ingredientes principais dos jogos de futebol, não constitui novidade para ninguém. Qualquer dos onze atletas em campo, incluindo os guarda-redes, pode marcar os golos, mas é sobre os ponta – de – lança que recai a principal missão de apontar os tentos. Se de antologia se tratar, melhor. De a um tempo a esta parte, tem crescido a preocupação dos “experts” do futebol, relacionada com a escassez de marcadores de golos no Girabola - Zap, o que confirma o deficiente trabalho que tem sido efectuado nos escalões etários dos clubes.

Essa constatação, em forma de alerta, deve fazer com que os responsáveis pelo futebol nacional, a todos os níveis (federativos, clubes, escolas, núcleos e academias) assumam de forma mais séria, a sua responsabilidade no que concerne aos apoios aos sectores de formação, no sentido de que diz respeito a subida gradual dos escalões, o futuro da modalidade rainha esteja salvaguardado. Nesse particular, convém assinalar como facto positivo, que uma quantidade diminuta de clubes, sobretudo sediados na capital do país, começaram a dedicar maior atenção aos escalões etários, que em obediência a estratégia elaborada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), assumem a responsabilidade pela qualidade do futebol, cujo reflexo se fará sentir nas selecções nacionais.

No que concerne aos goleadores, que nas competições nacionais, passam por um período de escassez, a decisão da FAF, depois de uma concertação com os clubes, em permitir que no Girabola sejam inscritos cinco atletas estrangeiros, que podem ser utilizados em simultâneo num jogo, deve obrigar as agremiações desportivas, a preocuparem-se com a formação mais criteriosa dos dianteiros. Como indicam os dados, em qualquer ponto do globo, a maioria dos clubes que contrata jogadores estrangeiros, prefere dianteiros. Esse facto a continuar em Angola, terá reflexos negativos para os Palancas Negras, que faz muito tempo, se debatem com a falta de goleadores. Actualmente, à excepção de Gelson (1º de Agosto), sobre o qual, alguns especialistas começam a questionar-se sobre a sua baixa estatura, os ponta de lança nacionais de maior referência, encontram-se afastados dos golos, por questões técnicas ou por lesões. Yano (Progresso Sambizanga), sobre quem se apontou um futuro de grande valia, é quase sempre acometido por lesões. Moco (Interclube), está divorciado dos golos, faz tempo. Aqui o destaque vai para Love Kabungula, que no cimo dos seus 36 “cacimbo”, continua a ser o abono de família do Sagrada Esperança na Taça CAF e continua a ser chamado aos Palancas Negras. Outrossim, a agravar a situação, acontece que a maioria dos atletas estrangeiros, contratados a preço de ouro, para além do factor desportivo, nem sempre é aproveitada da forma mais conveniente. O caso mais recente, prende-se com o melhor marcador da época passada, o camaronês Meyong, que esteve ao serviço do Kabuskorp do Palanca. Não apenas o clube do Palanca, como Angola, não tiraram o melhor aproveitamento do atleta agora regressado ao Vitória de Setúbal de Portugal, devido a falta de infraestruturas do clube de Bento Kangamba.

Não é de agora que atletas de clubes como o Progresso Sambizanga, Petro de Luanda, 1º de Agosto, Interclube e outros, com infraestruturas próprias, servem de exemplo e de incentivo aos moradores, sobretudo jovens, das comunidades em que estão inseridos. O Kabuskorp do Palanca, treina (va) em campos diferentes. Convém recordar que ao contrário do que acontece actualmente, em que os melhores marcadores do Girabola, raramente ultrapassam a fasquia dos 15 (quinze) tentos, nas décadas de oitenta e noventa, atingiam a cifra entre os 25 (vinte e cinco) e 30 (trinta) golos. João Machado (Diabos Verdes), Carlos Alves (1º de Agosto) Vata (Progresso Sambizanga), Túbia (Interclube), Mavó (Ferroviário da Huíla), Maluka (1º de Maio de Benguela), Sayombo (Académica do Lobito), Jesus (Petro de Luanda) e Amaral Aleixo (Petro de Luanda e Sagrada Esperança), foram os melhores marcadores daquela época. Deve-se também reconhecer tributo, a atletas como Akwá, Flávio, Man-Torras e outros, que num passado não muito distante também se destacaram na marcação de golos.
Leonel Libório

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