Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O preo da teimosia

07 de Abril, 2015
O título desta crónica, até podia ser “tempestade”, “arrasador” ou simplesmente “E tudo o vento levou”. Contudo, em jornalismo justifica-se um título dessa natureza quando o assunto é virgem, que não é o caso. A eliminação das equipas angolanas nas Afrotaças - Liga e Taça da Confederação Africana - é recorrente. Todas de uma vez ou uma por uma, não importa, sempre aconteceu.
É mais fácil o exercício no sentido inverso. Por exemplo, em 18 edições da Liga dos Clubes Campeões, em quantas Angola participou? A resposta é quatro, pois o 1º de Agosto abriu o caminho em 1997, ficou a dois pontos das meias-finais. O Petro de Luanda fez a melhor campanha em 2001, chegou às meia -finais.
Depois foi o Atlético Sport Aviação em 2003, que ficou pela fase de grupos. E por último, o Recreativo do Libolo em 2013, ficou igualmente na fase de grupos. Ou seja, em 18 participações possíveis, Angola esteve representada em quatro ocasiões. Quer os militares como os tricolores não possuíam nenhum jogador no valor de um milhão de dólares ou valores aproximados.
Pelo contrário, depois da campanha de 2001 na Liga dos Clubes Campeões, o Petro de Luanda embolsou um milhão e 500 mil dólares com a transferência de Gilberto e Avelino Lopes para o Al Ahly do Egipto, equipa que o Petro de Luanda tinha humilhado no Estádio Nacional do Cairo, ao ganhar por 4-2.
Quatro anos depois, foi a vez de Flávio Amado transferir-se também para o Al Ahly do Egipto, melhor equipa do Século XX, segundo a Confederação Africana de Futebol. Em 12 edições da Taça da Confederação Africana de Futebol, Angola esteve em seis. O Interclube é a melhor equipa nessa prova. Não só participou mais vezes como fez a melhor prestação: meias-finais, em 2011. Em duas edições, Angola esteve presente com duas equipas. Em 2006, Petro de Luanda e o Interclube, em 2009, 1º de Agosto e o Santos FC.
Todos esses feitos são poucos, se comparados com as conquistas de títulos de equipas como do Coton Sport Garoua, dos Camarões, Stade Malian, do Mali, ou as equipas do Congo Democrático. Com excepção do TP Mazembe, cujo proprietário tem dinheiro, as outras equipas estão abaixo das condições das equipas angolanas. Ou melhor dito, as equipas angolanas aquelas que disputam a Liga dos Clubes Campeões têm melhores condições do que as formações dos Camarões, da Costa do Marfim, do Ghana e da Nigéria.
As equipas angolanas têm condições ao nível dos países da África do Norte e da África do Sul. Quando falamos em condições, referimo-nos em campos relvados, espaços para estágio, remuneração de treinadores e jogadores.
Essas condições não representam vantagem, incompreensivelmente, para as equipas angolanas, de tal sorte que o quadro de resultados é este. A pergunta que se coloca agora, é quem rogou uma praga ao futebol nacional? Como não acredito em feitiço (ainda que possa existir), acho que o problema está na qualidade dos jogadores e na maneira como esses são (de)formados. Ou melhor, podemos perguntar quantos jogadores trabalhados em Angola vemos jogar nas grandes equipa europeias? E quantos dos outros países, os citados em particular, conseguem pôr na Europa?
Yaya Touré, Melhor Jogador Africano dos últimos quatro anos e craque do Manchester City, é produto do ASEC Mimosas. O seu irmão, Kolo Toure saiu igualmente do ASEC Mimosas para o Arsenal da Inglaterra. Emmanuel Eboué, outro jogador que passou pelo Arsenal, agora na formação turca do Galatasaray é também da escola do ASEC. Muitos outros exemplos desses países podíamos citar para explicar onde reside a diferença.
Numa única frase: estamos a pagar por ignorar a formação. Entre buscar um jogador por dois milhões de dólares e marcar um golito aqui outro ali, e investir o dinheiro na formação, não pode haver escolha mais sensata do que a última. É o melhor caminho, assim o diz o Barcelona de Espanha, o AJAX da Holanda, o Sporting de Portugal (Figo, Cristiano, Nani, os melhores frutos).
Portanto, ignorar esse exemplo é pregar no deserto. A direcção do Kabuscorp do Palanca deve estar toda com as mãos a cabeça, por mais uma vez cair na Liga, quando investiu milhões para contratar jogadores, na expectativa de vencer a competição. Nem perto a equipa chegou. Assim como o Recreativo do Libolo que foi buscar um treinador experimentado, mas caiu nas primeiras eliminatórias. O que falta acontecer aos clubes nacionais para fazerem o sensato?.O Ministério ivos como mais uma iniciativa. Teixeira Candido.

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