Jornal dos Desportos

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Opinio

O preo dos ingressos face crise financeira

10 de Setembro, 2015
Com o aproximar do fim do Girabola e da Segundona, referentes ao ano de 2015, começa a ganhar consistência o propósito de mandatários de alguns clubes, em aumentarem o preço dos ingressos para o espectáculo de futebol. Tal intenção, decorre do facto de considerarem diminutos os seus orçamentos financeiros, para cobrir as despesas de uma época, cujos gastos têm aumentado à medida que as mesmas acontecem.

O desejo dos representantes dos clubes, em nossa opinião é justo, deve obedecer a determinados critérios, ao mesmo tempo que devem ser acauteladas as consequências que daí advenham. Para que o leitor tenha uma ideia, os ingressos para as partidas do actual Girabola, estão de uma forma geral fixados entre os 500 Kwanzas para a bancada geral, ao passo que para os camarotes, os interessados desembolsam entre 2.000 e 3.000 Kwanzas, mediante o interesse de cada jogo.

Independentemente, da parcela do território nacional em que se disputam os jogos que envolvem os líderes, ou os “dérbis”, atingem cifras superiores.
Comparado com o basquetebol, é de realçar que nos jogos para o campeonato nacional sénior masculino (BAI – Basquete) da época passada, os ingressos foram vendidos ao preço médio de 2.000 kwanzas, nas partidas de “play -off”, os bilhetes foram comercializados de forma oficial a 5.000 kwanzas, o que esteve na base do descontentamento de uma considerável quantidade de amantes da “bola ao cesto”.

A situação financeira já não era saudável para os jovens, que dependem maioritariamente dos pais, tutores ou encarregados de educação, conheceu o agravamento há cerca de dois anos, em função da crise económica mundial, como consequência da baixa do preço do crude (barril de petróleo) a que Angola não está isenta.

Podiam ser citados exemplos relacionados com outras modalidades. A tomada de decisão ou implementação dos preços de qualquer produto, a nível do país, à excepção dos espetáculos desportivos, são de exclusiva competência do Gabinete de Preços do Ministério das Finanças.
A atribuição dos preços de ingresso para espectáculos desportivos, de acordo com uma fonte daquele Gabinete, por se tratar de actividades liberais, são da competência dos organizadores.

Apenas deve-se obedecer a algumas exigências, de forma a não atingirem preços especulativos, fora do que é normal em Angola. Convém recordar, que não é de agora que nos batemos com o facto. O tecto máximo deve constar nos regulamentos de competições das Federações nacionais, embora grande parte deve encontrar-se desajustado em relação à realidade actual. Tais propostas, devem ser analisadas por entidades entendidas na matéria, depois de consultadas as Associações provinciais, na qualidade de representantes dos clubes.

É certo que se está diante de um direito que protege os clubes, que muitas vezes são obrigados a fazer das “tripas coração”, para fazerem face às despesas relacionadas com um jogo, que vai desde a sua preparação técnica, estágio, alimentação, deslocação e hospedagem do grupo de trabalho, aluguer de campo, lavandaria, transporte, prémios de jogo, árbitros, Polícia Nacional e outras forças de asseguramento, combustível, energia eléctrica, água, confecção de bilhetes e outros, quer seja na condição de anfitriões ou de visitantes.

No meio do imbróglio, a pergunta que não quer calar, é se com os preços que se cobram, o público vai continuar a acorrer aos estádios, no caso dos ingressos sofrerem um incremento. Uma questão que deve ser melhor esclarecida, relaciona-se com as receitas saídas das transmissões televisivas, que como se sabe, retiram dos recintos desportivos uma considerável quantidade de espectadores. Tanto quanto se sabe, uma boa parte do pagamento das receitas traduz-se em publicidade feita aos clubes, que também como é do conhecimento geral, em Angola ainda “engatinha”.

Outro factor, que concorre para que o “casamento” seja aprofundado entre o público e o espectáculo desportivo, prende-se com a melhoria da qualidade assim como devem ser envidados esforços no sentido de que os princípios da verdade desportiva não sejam violados. As condições de acesso e de acomodação do público no interior dos recintos, é outra questão, que não deve ser descurada.
Leonel Libório

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